terça-feira, maio 26, 2015

Está funcionando assim: Eu ponho na lista, e, depois de um tempo, a magia acontece. Ter me tornado um Fazedor de Coisas no começo do ano está impactando tanto a minha vida que, no último fim de semana, eu coloquei meus pés em patins e fui deslizar no gelo. Quem diria?


Gente, patinação no gelo engana muito. Minha primeira reação ao ver a pista cheia de pessoas foi pânico. Depois que eu prestei atenção e vi que tinha um monte de criança, pensei "Ah, não pode não ser tão difícil". Entre os meus amigos, eu fui o primeiro a colocar o pé no gelo e, assim que me equilibrei, tive que dizer DEU RUIM, VOLTA TODO MUNDO. É mais difícil do que parece! O ser humano apenas não nasceu para se equilibrar no gelo. Eu não conseguia dar um passo decente. Me agarrei nas barras de ferro e, sinceramente, não tinha condições de sair dali.

Meus amigos pegaram o jeito muito mais rápido do que eu. Fiquei um pouco frustrado com a minha incapacidade de fazer que nem eles, confesso. Eu mal conseguia tirar uma mão da barra de ferro.
Demorei um tempo, mas entendi que, na pista, eu simplesmente tinha que ir. Sabe, não pensa muito, VAI. O truque pra mim foi fingir que eu sabia o que estava fazendo, que tinha pegado um macete real. Quando eu dei por mim, já estava dando umas voltas marotas. Teve até uma hora que eu meio que ia cair, mas, SEI LÁ COMO, dei um giro. Fiquei, tipo, ARRASEEEEI. 

 Eu na pista
E patinar CANSA, ainda mais se você não for exatamente um competidor olímpico. Dias depois, e ainda estou sentindo músculos que eu nem sabia que tinha. Parece que montei num touro mecânico a noite toda. 
Não sei se eu faria novamente, mas sei que vou guardar para sempre a lembrança do momento em que eu disse a mim mesmo: Ok, parou a palhaçada. Você vai soltar a barra de ferro AGORA e vai humilhar todas essas crianças destemidas. VAI.

E eu fui.

Posted on terça-feira, maio 26, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, maio 22, 2015

Como eu disse no "Se vira aí, meu filho", tem gente que joga o jogo da vida com outras peças. A criação que a gente teve, a educação, a condição social, os genes que carregamos e as escolhas feitas também são tipos de peças que sempre mudam de pessoa para pessoa, mas longe de mim dizer que as pessoas são incapazes de alguma coisa. Só acho que tem peças que não encaixam bem.

Eu, por exemplo, já tive oportunidades de entrar num ramo profissional com empresas que pagam muitas dilmas. Estava eu lá ganhando X enquanto gente que começou comigo ou, pior, depois de mim ganhando 2X, até 3X! E isso me deixava com toda a sensação do mundo de estar fazendo a coisa errada. E olha que eu me achava completamente capaz, sabe? Só que sabe quando você olha pra uma coisa e pisca no seu cérebro NÃO É PRA VOCÊ? Era bem isso. Eu achava e ainda acho o emprego dos amigos bem chatos. Eu não acho graça na área. Acho o trabalho exaustivo, maçante e nada gratificante. Paga bem? Paga, mas a minha peça simplesmente não encaixa.


Nossa personalidade é nossa peça principal. Por isso que não dá muito certo ficar olhando para a grama do vizinho. Quer dizer, se fosse só questão de comparar a cor da grama, até rolava, mas as situações da vida são bem mais complexas. 

Fulana tem um trabalho muito melhor que o seu? Será que você se daria bem se estivesse no lugar dela? O quanto ela tem que se esforçar para estar ali? Você está disposto?

Ciclano está casado? Que vida maravilhosa a dele, né, uma esposa gente boa, umas crianças para brincar. Mas será que é tudo sempre bonito assim? Será que é fácil lidar com outra pessoa dentro de casa? Você sabe trocar falda de criança?

Não dá para saber. A gente só acha as coisas. Acho que a gente "mede a felicidade" com base nos filmes, na mídia, no que nossos pais nos passaram como informação. Daí tentamos nos encaixar nesses padrões sem nem perceber que a nossa peça da personalidade não entra bem.

O melhor jogo é fazer o seu próprio jogo, escolher o que te faz bem e correr atrás para alcançar. Claro que existe uma coisa chamada necessidade, e nem sempre a gente tem o luxo de fazer apenas o que queremos, mas, se a escolha existe, se depende de você, coloque suas peças onde encaixam melhor.

Posted on sexta-feira, maio 22, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 18, 2015

Entrei numa livraria dias atrás e vi uns livros desconhecidos em destaque. Os livros eram... estranhos. Eram livros com textos, mas tinham muitas imagens, uma letra enorme, uma diagramação meio doida, bem ~descolada~, bem jovem. A editora era até bastante conhecida, então eu fiquei "Gente, o que eles estão vendendo?". Dei uma folheada para ver do que se tratava, e eram mini-biografias. "Mas de quem?". Depois dessa pergunta, eu entendi o fenômeno. Eram mini-biografias (até porque os autores eram mais novos do que eu) de webcelebridades do youtube e das redes sociais. Até achei legal, sabe? Quer dizer, você começa fazendo vídeos ou ganhando seguidores no Twitter e, de repente, consegue transformar o sucesso em livros vendidos. Fascinante



Mas, ainda com os livros em mãos, uma constatação: "Essas pessoas não são escritores". Foram convidados a lançarem livros, por terem um público grande em alguma outra mídia. Mas eles estavam ali na livraria, não estavam? Digo, estavam vendendo textos, não estavam?

O mercado editorial no Brasil meio que abriu as portas nos últimos anos para jovens escritores, para blogueiros e webcelebs. A minha timeline do Twitter pipoca de pessoas que conseguiram ser publicadas por boas editoras, vira e mexe tem alguém comemorando um contrato assinado, e eu vibro por cada uma delas. Eu já li alguns desses livros, entre eles uns realmente ótimos!

Todos começaram com uma boa plataforma. Sabe, aquilo que te dá alguma visibilidade, que te dá suporte. Seja um blog muito visitado, um canal no Youtube, uma página badalada no Facebook, zilhões de seguidores no Twitter. São possíveis compradores do seu trabalho, pessoas que já te conhecem e vão querer conferir seus lançamentos. A plataforma ajuda muito o autor, ela abre uma porta para ele mostrar o que ele tem, sejam textos excelentes, piadas muito boas, fotos bonitas ou livros estranhos.

Agora, vamos focar na minha realidade. *entra um fundo triste na cena*

Eu tenho uma história praticamente pronta, 390 followers no Twitter, que ficam acompanhando minhas ladainhas diárias, uma página no Facebook com menos de 100 pessoas e este blog com 6 seguidores que eu posso contar.

Como vocês podem perceber, meus números não são muito promissores. Eu preciso de mais gente. E nem tenho vergonha alguma de falar isso, porque "gente" é uma coisa maravilhosa.

Então, essa lengalenga toda é apenas para dizer: COMPARTILHEM! Compartilhem se vocês acharem um texto do blog muito legal. Os ruins, vocês finjam que não viram. Vocês estão aqui até hoje por algum motivo, né? Então acho que esse algum motivo pode agradar mais pessoas também. Compartilhem o Não Sei Lidar no Facebook, marquem pessoas que possam se identificar, postem os links no Twitter, comentem na página, sei lá, recomendem para algum amigo de vocês que vai curtir o blog! Tem gente que faz isso naturalmente (já moram no meu coração), eu sei, então faço esse apelo aos demais que gostam do blog.

Mas só se vocês quiserem, claro, porque ninguém é obrigado.

Vivem me falando que eu deveria escrever e publicar um livro, e eu sempre fiquei "imagina rsrsrs", mas, agora que eu vi que é possível, EU QUERO. Eu realmente quero. AJUDA EU.

Posted on segunda-feira, maio 18, 2015 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 12, 2015

Eu coloquei Raspar a cabeça entre Subir num touro mecânico e Escalar e, sabe, foi bem natural. Tipo, ei, deve ser legal montar num touro mecânico. E isso tem tudo a ver com ficar careca! E não dá pra ficar careca sem escalar uma montanha, não é mesmo? Então minha lista de experiências a serem devidamente vividas ficou pronta.

Marquei a data, 15/08, porque pra tudo nessa vida é necessário um prazo. Nada de especial, é só um mês depois daquele dia e tempo suficiente para eu me preparar psicologicamente. E eu sei que vou precisar de preparo só pelo choque das pessoas quando eu conto a novidade.  As pessoas, elas não entendem.


Eu digo que vou raspar a cabeça, e as pessoas falam "Humn... Acho que você fica melhor só com a máquina 2 ou 3", daí eu respondo "Ah, não tem a ver com a estética". E elas bugam. Tem gente que ri, alguns perdem a fala (juro), outros apenas alegam que eu sou maluco (não estão tão errados).

Mas, amigos, aparência é tudo na vida? Não estou fazendo isso para ser aquele cara do antigo comercial da Coca-Cola que raspou a cabeça para ficar sexy, seria um efeito colateral muito inesperado. Eu sei que não vou ficar bonito. Vai ser mais estranho que Walter White em Breaking Bad (recomendo) ou April careca em Chasing Life (recomendo muito!), e olha que eu não tenho exatamente a beleza da Italia Ricci. MAS VIDA QUE SEGUE.

Cabelo cresce. A gente compra uma toca touca para os dias difíceis, depois o tempo passa. Mas a sensação de NÃO HÁ CABELOS vai ficar gravada para sempre. Quer dizer, existe mais uma coisa entre milhares de coisas que, com 20 e tantos anos, eu ainda não descobri como é. Eu nunca senti. E essa coisa é a água tocando de verdade o couro cabeludo e o vento soprando aqui em cima. Ou as mãos das pessoas que não resistem à uma cabeça pelada. E a luz do sol que nunca bateu. Eu quero essas pequenezas, todas elas. 


Ficar temporariamente com a cara do Bryan Cranston é um preço pequeno a pagar, eu vejo assim.

Posted on terça-feira, maio 12, 2015 by Felipe Fagundes

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sábado, maio 09, 2015

Não acredito em DESTINO, mas acredito na pessoa certa na hora certa. Muito tem se falado sobre qual o sentido da nossa vida ou qual o propósito de algumas pessoas surgirem só para sumirem depois (mentira, só conversei com duas pessoas sobre isso), então segue o relato:

Fonte
Estava eu indo fazer uma prova em Botafogo, lugar que conheço tão bem quanto a palma da SUA mão, quando notei o inevitável: estava perdido. Acho que andei o triplo do que deveria, passei por ruas desnecessárias, esbarrei numa Travessa e vi que estava indo na direção contrária da qual eu queria. Beleza, desfiz o percurso e fui para o lado certo. Felizmente, eu vou desbravar terras desconhecidas com 729 horas de antecedência.

Saí da prova junto com uma menina cujo nome jamais saberemos, batemos aquele papo da aflição de conferir respostas e só. Mas aí ela perguntou 

SE EU QUERIA CASAR COM ELA E TER TRÊS FILHOS RUIVOS, MESMO O CABELO DELA SENDO PINTADO

se eu conhecia Botafogo, e eu apenas "Dsclp". Aí perguntei o que ela estava procurando exatamente, mas só por educação, porque eu nunca sei de nada mesmo. Ela disse que queria comprar um livro, e eu "Ah, que pena, conheço nada por aqPERA A TRAVESSA". E daí fomos atrás da Travessa, que eu não fazia mais ideia de onde ficava, mas eu tinha passado por uma, não tinha? Tinha? Daí eu levei a menina por ruas erradas umas 3 vezes enquanto ela me contava com o que trabalhava, do que gostava, até que ela disse que

QUERIA ME FAZER FELIZ COMO NENHUMA OUTRA PESSOA PODERIA FAZER

tinha um noivo e que ele ia detestar se ela tivesse que viajar para outro estado. Eu já estava perdendo a fé na minha sanidade mental até que passou um moço com a bolsa da Travessa e, alguns passos depois, eu vi a livraria, que só descobri porque fiz o caminho todo errado da primeira vez. Foi um alívio. Aí eu disse que "Pronto, minha honra está restaurada", ela riu e falou

QUE ME AMARIA PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS, ELA NEM GOSTAVA DO NOIVO TANTO ASSIM

um obrigado e foi embora. Eu fiquei feliz por ter guiado às cegas uma pessoa até uma livraria. Ela não era a minha pessoa certa na hora certa, eu que fui a dela.

Posted on sábado, maio 09, 2015 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 07, 2015

Mando tantas ordens desesperadas para o meu cérebro quando vejo um conhecido na rua ("ENTRA NA LOJA", "DÁ MEIA VOLTA", "SE JOGA NO BURACO") que acho que ele já aprendeu que deve ignorar certas pessoas. Mas daí que um conhecido parou bem na minha frente, meu cérebro não deixou eu ver o cara chegar, e disse: "Felipe! Você está parecendo o papai noel kkkkk Tira essa barba kkkkk". Assim, gratuitamente.


Depois perguntam por que eu estou sumido, mas beleza. A minha barba é um assunto delicado (já comentei aqui), porque eu só faço quando deixo de gostar dela. E, quanto mais criticam, mais eu gosto. Uma barba de "papai noel" me dá a oportunidade de tecer o discurso PESSOAS, PAREM. Mas elas não entendem bem.

"Já pensou em fazer um regime?". Meu querido e minha querida, É CLARO QUE A PESSOA GORDA JÁ PENSOU EM REGIME. Todo mundo sabe o que é dieta, academia, exercício físico. "Sabia que você pode depilar?". SABIA. Claro que a menina que não depila a perna ou o cara com cabelo pelo corpo sabe que existe essa opção. As pessoas tem TV em casa, internet, espelho. "Tira essa barba kkkk".
 
Mas por que, meu Brasil?
 
Porque tá feio, ué.
 
E daí, meu Brasil?

...

Viu? Não faz diferença ALGUMA na vida de ninguém, exceto na vida da pessoa que escolheu ficar na situação em questão. Tá gordo, tá magra, tá estranha, tá barango? TANTO FAZ. Percebam como é libertador.

Ficar "bonito", de acordo com o padrão atual, é uma coisa que exige esforço. E nem todo mundo está disposto a chegar lá. Vai ver a pessoa não quer chegar lá. Ou talvez ela até queira, mas vê que o trabalho que vai dar não vale a pena (vocês sabem como é chato fazer a barba todo dia?). Ou ela está tentando chegar lá, mas não é como se o mundo fosse acabar amanhã. Não é como se a pessoa fosse MORRER por estar feia de acordo com a sua concepção de beleza. Sabe, prioridades.

É chato a pessoa já estar na contramão do mundo e ainda ter que ouvir isso todo dia. Facilita pra gente, ok?

E não me façam voltar aqui para falar disso de novo.

Posted on quinta-feira, maio 07, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 04, 2015

O meu projeto no TCC foi um experimento com crianças. Baseado nas ideias de um grupo de pesquisa, eu desenvolvi um jogo onde, basicamente, as crianças tinham que encaixar peças em determinados lugares, ganhando pontos com algumas combinações. Mas tínhamos dois grupos no experimento. Para um grupo de crianças, nós explicávamos a lógica do jogo, então elas sabiam o que estavam fazendo quando colocavam uma peça num lugar. Para o outro grupo, a gente só falava SE VIRA AÍ, MEU FILHO, e a criança olhava para o tabuleiro e fazia o que desse na telha.

De 100 pontos, as que sabiam as regras acertavam mais de 80. As outras acertavam menos de 20. Independentemente do grupo, todas elas perguntavam quanto tinham acertado. Eu respondia, e logo vinha a outra pergunta: DE QUANTO? Eu mentia para todas.

- Fez 15 pontos! Parabéns!
- DE QUANTO, TIO?
- Acertou praticamente tudo!
- MAS VAI ATÉ QUANTO?
- Muito inteligente! Vai lá chamar o próximo.
- MAS QUAL É O...
- VAI LÁ.

Imagina se eu falo pra criança que tirou 7 que a nota máxima era 100. Fiz questão também de dizer que eram jogos diferentes, que o número de pontos mudava e tal. Era isso ou ver as crianças comparando os pontos e reparando na grande diferença que dava. Todas elas queriam ser as mais inteligentes, então eu deixei.

Eu vendo a galera com peças diferentes

Eu acho que funciona bem assim: A gente está de boa com os nossos, sei lá, 27 pontos de vida até esbarrar com alguém com um casamento de 20 pontos, uma casa de 18, um emprego de 51. Daí a gente soma tudo, faz a conta e, meu deus, nossa vida é um horror. OLHA COMO AQUELA PESSOA ESTÁ LONGE.

Mas, partindo do princípio que você quer o melhor para sua vida, você faz o que pode. Aquela pessoa é outra pessoa. Ela começou o jogo com outras informações, com outras peças. Vai ver, nem é o mesmo jogo. Você não é ela. Ponto. Comparar os pontos, se não for para te dar motivação, só serve para mimimi. Foque no seu jogo. Foque no que você é capaz de fazer com as informações e as peças que a vida te deu. Se vira aí, meu filho.

Posted on segunda-feira, maio 04, 2015 by Felipe Fagundes

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