"Pessoas que leem são mais legais". É o que disse esse estudo aqui, e eu já cliquei no link achando que ia ver aquele discurso de que ler é cult, TV é pra gente burra, fora BBB etc. Mas, olha, nem foi. O que o estudo descobriu é que as pessoas que leem possuem mais empatia pelos outros, porque elas estão acostumadas a sentir empatia pelos personagens dos livros. Logo, são mais legais nesse sentido.

Parei para refletir se era verdade e, bom, faz sentido sim.

Óbvio que isso vale para série de TV, novela, filme, quadrinhos... Qualquer narrativa. Quer dizer, qualquer história com um ponto de vista favorável, onde você confia no narrador, causa empatia. Eu acho que é aí que livros transformam pessoas.

Eu já me peguei compreendendo cada gente! Já torci pra amante porque, poxa, ela merecia mais que a fiel, mesmo o cara sendo um safadão. Já torci pro cara safadão também. Já quis que a polícia deixasse o assassino em paz porque ele precisava matar, ok? Ele era uma boa pessoa. E nunca que eu vou querer que a garota mentirosa e impulsiva da Sophie Kinsella se dê mal no final. John Grisham deixou o Twitter raivoso no ano passado com uns comentários polêmicos sobre pornografia infantil, e eu só queria dizer PEDÓFILO TAMBÉM É GENTE por causa de uma tal JK Rowling e seu livro Morte Súbita, que mostra parte do drama de um pedófilo sofredor.

 Fria e Calculista

 Traficantes de Drogas

 Assassino por prazer

(Vocês estão pensando que os livros me transformaram numa pessoa horrível, né? Mas, ó, também quis bandido atrás das grades, empregadas domésticas dando lição nas patroas metidas e torço veemente pela Casa Stark, apesar de não existir família mais amaldiçoada por Deus)


Apenas um ser atormentado por uma criança mala
Brinks

A questão é que lendo a gente não vive apenas a nossa vida. Vivemos umas duzentas. Não precisei me prostituir e nem viajar no tempo para saber que prostituta do século XIX sofreu pra caramba. Misturamos fragmentos da nossa vida com alguma outra coisa diferente e, geralmente, dá certo. Daí que, ao invés de apontar nosso dedão incriminador para tudo que parece suspeito ou que a gente não entende, nós aprendemos a parar, observar e tentar compreender. Parece mesmo coisa de gente legal. Todo mundo sai ganhando.

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Eu sei que vocês também já torceram pelo sucesso de uma galera bem dissimulada, truculenta, safada e que, à primeira vista, não desejariam ter esses seres como amigos ou sequer vizinhos, né? (Digam que sim) (Ou isso ou finjam que esse texto nunca existiu e eu sou normal)