terça-feira, janeiro 27, 2015

Eu poderia começar esse texto cantando o novo tema de abertura da minha vida SOU PRAIEIROÔÔ, SOU GUERREIRO, TÔ SOLTEIRO, QUERO MAIS O QUÊ , mas vou apenas dizer que, quando alguém perguntava "Qual praia é melhor?", eu pensava de cara: "A que for mais perto pra você, ué".

Acho que o calor insano do Rio de Janeiro me desconfigurou, deu pane no sistema, e só me restou entrar nessa vibe Jammil e Uma Noites para sobreviver. Então, em toda oportunidade, eu me junto ao coro VAMOS PRA PRAIA. Só que pessoal sempre empaca na hora de escolher qual praia ir. Veja minha visão de mundo, e você pode deduzir que eu causo polêmica quando digo: "Mas, gente, praia é tudo igual".

Causaria a mesma comoção com as frases "Mas, gente, zoofilia não tem nada demais" ou "Mas, gente, The Voice Brasil é muito melhor que o americano".

E as pessoas só me dão argumentos do tipo MAS ESSA PRAIA É MUITO FEIA ou A COR DA AREIA DA PRAIA TAL É MAIS CLARA ou ainda O MAR DESSA PRAIA HORROROSA É MENOS AZUL. Gente, que que importa as cores da areia e do mar? Você tá indo fazer um ensaio fotográfico ou fugindo do calor? Praia bonita não é argumento. Vocês dão muita importância para "vistas maravilhosas". Ah, Felipe, mas você é muito chato Amigo, há quanto tempo você visita esse humilde blog?

Acontece que nessa de "Tanto faz, gente", eu paguei por todos os meus pecados contra os deuses da praia e entrei NA PIOR PRAIA DO MUNDO. Era mais pedra do que areia (inovador, mas desconfortável), a água estava cheia de Coisas Da Natureza Que Adoram Grudar Em Você (o que faz a gente pensar o tempo todo que está sendo atacado por águas-vivas), além do lixo (achei: 2 latinhas de cerveja, 2 garrafas, 1 copo descartável, 1 bolsa plástica, 1 laranja descascada. Tipo, dava pra fazer a compra do mês ali), e o mar, gente, o mar odiava humanos. Além de bruto, tentou assassinar eu e meu bando naquelas pedras estrategicamente posicionadas para ferrar pessoas. Perdemos sangue, mas ninguém morreu.


NUNCA MAIS (Mas tão lindas as fotos).

Depois dessa, tenho que dar o braço a torcer: praia não é tudo igual. Se tem uma cachoeira por perto, ganha 50 pontos. Mais 10 pontos se tiver chuveiros públicos para o pessoal se livrar da areia. Não reclamo se tiver comércio ao redor, até dou uns pontos sim. Menos 20 se sofrer de superlotação. Se só tem aquelas pessoas bonitas e marombeiras, tiro 5 pontos porque não sou obrigado a me sentir constrangido. Praia desclassificada se for imprópria para banho ou se o mar tiver tendências homicidas.

Posted on terça-feira, janeiro 27, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, janeiro 19, 2015

Foi num dia de muito calor que eu senti um calorzinho diferente. Foi difícil de aceitar, mas eu agi apenas por impulso. A gente é criado de um jeito a vida toda, é ensinado que amor é de um tipo de pessoa para outra, então, quando acontece de uma forma inesperada, a gente balança um pouco e precisa tomar uma decisão importante.



Eu olhei para um carioca. Eu nunca tinha reparado nos cariocas. Tipo, eu olhei muito pra ele. Eu não sei paraaaaar de te olhaaaaar, tocando ao fundo. Daí não sei como aconteceu, não sei quem pegou quem.

Escondi da minha família porque eles não iam entender, mas estou aqui compartilhando com vocês. Eles iam acabar com nossa relação muito mais rápido do que eu sozinho certamente faria. E eu tinha a impressão de que o carioca era só meu. Não queria dividir, sabe? A gente passa um tempão buscando um sentimento verdadeiro e, mesmo sabendo que paixão é coisa breve, eu queria aproveitar o momento, sem me preocupar com a opinião dos outros. E estamos aí até hoje.

Estou apaixonado? Sim. Estou pagando por prazer? Sim. Eu posso me casar com ele? A lei diz que não. Essa relação vai contra os valores cristãos? NÃO QUERO SABER, EU NASCI PRA ESSE SORVETE.

Mozão 


PS: A Kibon não me pagou nada para escrever esse texto, mas deveria.

Posted on segunda-feira, janeiro 19, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, janeiro 05, 2015



Tem um episódio de Grey's Anatomy em que Izzie e George estão fartos de ficar na sombra dos outros médicos da série. Eles param e observam todo mundo correndo atrás das oportunidades, cada um do seu jeito feroz, e chegam à conclusão de que esse é justamente o problema deles dois: Eles observam, apenas. São watchers.

Se tem uma coisa que eu fui a minha vida toda, foi ser um watcher. E eu gostei de ser. Eu gosto ainda. Quando meu primo mais velho jogava os vídeo games modernosos dele, eu ficava feliz em apenas assistir o jogo, como se fosse um filme. Até recusava quando ele me deixava jogar, parecia complicado demais para mim. Eu nem tentava, verdade seja dita. Eu meio que levei esse comportamento pra vida e, com um pouquinho mais de insanidade, eu seria aquele menino de As Vantagens de Ser Invisível. O grande plot twist da minha vida é que eu topei com pessoas que fazem as coisas acontecerem.

Tanta desgraça generalizada que eu fiquei até com vergonha de dizer que, desculpa, gente, eu fui muito feliz em 2014. Mais do que nunca. Memória não é meu nome do meio, mas eu olho meu ano no Facebook para trás e só vejo as coisas boas. Minha primeira viagem, as pessoas maravilhosas que conheci, os livros que li, as mensagens que troquei, o mundo incrível das séries de TV, os encontrinhos onde conversar é a atividade principal e ninguém reclama, a sensação única de terminar o rascunho de um livro, os desafios que eu me propus e cumpri...

Claro que eu tive que dar meus pequenos passos, mas em quase tudo o que aconteceu teve um fazedor por trás. Eles estão sempre por perto. Os outros médicos que davam agonia em George e Izzie, os doers, os que fazem acontecer, os que trazem a existência um fato que nunca aconteceria sem uma forcinha.

Em 2014, eu fui muito convidado, muito apresentado a tal coisa, recomendado a fazer tal coisa, muito passivo. E tive um ano fantástico embarcando na aba de quem faz! Eu nem estou reclamando, veja bem. Mas a pulga na minha orelha é: O que acontece em 2015 se eu também convidar, se eu também marcar? O que acontece se eu for à Montanha, ao contrário de Maomé, e evitar um deslocamento de terra desnecessário e uma mudança geográfica homérica?

Então, eu poderia fazer uma lista com itens que jamais cumprirei, porém, vou deixar simples e manter em 2015 o pensamento de: Faça coisas, Viva pessoas.

Tá certo que Izzie e George fizeram um monte de cagada nesse episódio, mas é um risco que quero correr.

Posted on segunda-feira, janeiro 05, 2015 by Felipe Fagundes

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