segunda-feira, dezembro 28, 2015

Pra não correr o risco de prometer demais e não cumprir nada, eu coloquei apenas 2 itens nas minhas resoluções de ano novo pra 2015: 1) Fazer coisas e 2) Viver pessoas. Tá lá o primeiro post do ano pra provar. Eu queria dizer mais SIM, queria correr atrás de experiências novas, queria me abrir mais para as pessoas, torcendo para que, no final do ano, eu ainda mantivesse minha integridade física, a sanidade mental e olhasse para tudo com orgulho e admiração.

Daí vocês ficaram NOSSA, QUE LEGAL e eu me animei com a minha lista de experiências a serem vividas e, hoje, venho neste humilde blog mostrar o resultado. Em poucas palavras, gente, 2015 FOI O MELHOR ANO DA MINHA VIDA!

 Party haaaaaaaaard!

VAMOS AOS FATOS (E às fotos!)

E, para não ficar aquela sensação de Ah, é muito fácil quando a pessoa é rica, eu, jovem adulto da classe C no Rio de Janeiro, vou deixar os valores aproximados que eu gastei para fazer essas coisas (apesar de que algumas, realmente, são uma facada que você precisa decidir que quer mesmo tomar). Para a maioria das coisas, porém, não é tão complicado assim de encaixar em um mês.

***

1) PRAIA! (Em média, R$ 30 por vez) O ano mal tinha começado e eu entrei numa vibe Sou Praieiro, Sou Guerreiro, Tô solteiro que nunca tinha me acometido antes. Gente, juro, é capaz de eu ter ido 0 vezes à praia em 2014. Eu nem tinha uma sunga, agora eu tenho DUAS. O verão veio arrasador e, não sei o que me deu, fui o primeiro a puxar o coro de VAMOS PRA PRAIA! Eu sabia chegar em alguma praia? Não sabia, mas logo dei meu jeito de me colocar nas mãos dos amigos ratos de praia e fechar 2015 indo à praias nunca antes pisadas por mim OITO VEZES.

Eu comprei uma canga! Eu andei no Banana Boat (esse trem amarelo aí da foto)! Eu finalizei um tubo de protetor solar! Mesmo morrendo de vergonha, eu usei sungas vezes o suficiente para começar a achar normal e postar foto no Facebook!

Ontem teve ☼
Posted by Felipe Fagundes on Domingo, 20 de dezembro de 2015
4 pessoas visualizaram seu perfil.
Posted by Felipe Fagundes on Quarta, 21 de janeiro de 2015
A melhor coisa de sair com gente viciada em tirar foto é que você apenas observa enquanto vira alvo dos paparazzi.
Posted by Felipe Fagundes on Quarta, 21 de janeiro de 2015


2) CACHOEIRA! (Em média, R$ 30 por vez) Eu também descobri o meu atual Lugar Favorito No Mundo, que é uma cachoeira onde você simplesmente precisa QUERER MUITO chegar até lá para ter forças e realmente chegar.

Não me canso desses lugares que deixam evidente que somos só um ponto no universo.
Posted by Felipe Fagundes on Quinta, 15 de janeiro de 2015


3) MUSEU DAS TELECOMUNICAÇÕES! (de graça) Eu descobri esse museu no Rio de Janeiro pesquisando por "museus legais" no Google. Confesso que tenho certa preguiça de museus, porque, neles, a gente geralmente apenas VÊ coisas, e eu prefiro interagir com elas. Todo modernoso, esse museu simplesmente faz de tudo pra tentar agradar a gente. Com vídeos que você pode optar por assistir, um monte de telefones bonitões, sensores de movimento e uma cara futurista, eu me apaixonei por ele. TALVEZ, não seja muito legal para quem realmente gosta de museus, risos, mas eu achei fascinante. Mais para o fim do ano teve uma exposição de games, e eu brinquei com UM ÓCULOS DE REALIDADE VIRTUAL! Surreal. Sempre tem uma exposição meio maluca por lá.

Em vermelho, diz "Eu em 2015". Visitando um museu por iniciativa própria, quem diria.
Posted by Felipe Fagundes on Sábado, 17 de janeiro de 2015
Gosto de telefones assim: quietos, parados, respeitando a gente. São até bonitos esses.
Posted by Felipe Fagundes on Sábado, 17 de janeiro de 2015


4) TEATRO! (menos de R$ 20) Musical! (R$ 91, a inteira) Eu tinha ido ao teatro apenas 1 vez quando criança, já nem lembrava mais como era. Coloquei na lista e, VRÁ, cumpri. Gente, sites de compras coletiva e cupons de desconto são nossos melhores amigos quando o assunto é teatro. VÁRIOS ingressos de peças legais saindo por menos de 20 reais. Foi um dos melhores investimentos. O musical já foi uma extravagância, depois da Ju ter dito que eu PRECISAVA assistir. E, olha, não me arrependi, mesmo com o micão envolvendo o Ícaro Silva Hahahahahah Na verdade, até valorizou mais a experiência, é uma das minhas melhores histórias!

Eu super com medo de ficar do lado do ator. "Roberta, deixa eu ficar na ponta, POR FAVOR". Não sei lidar com gente que ganha a vida sendo engraçada. #MeuNomeEReginaldson
Posted by Felipe Fagundes on Sábado, 24 de janeiro de 2015


5) PASSEIOS! Biblioteca Nacional! (Talvez de graça? Não foi mais de R$10) Confeitaria Colombo! (É careira, mas gastei menos de R$ 30 reais?). São dois lugares bem ali no Centro do Rio, todo mundo comenta, todo mundo já foi e eu pensei: Por que não? Forte de Copacabana! (menos de R$10, eu acho)

Eu quis tirar essa foto porque tinham uns postes de luz muito simpáticos nesse lugar, mas que foram completamente ignorados pelo fotógrafo. De qualquer forma, valeu.
Posted by Felipe Fagundes on Sábado, 31 de janeiro de 2015
Ninguém pode me julgar por tirar foto no espelho da confeitaria. Tinha uma moça usando pau de selfie.
Posted by Felipe Fagundes on Segunda, 26 de janeiro de 2015


6) TRILHA! (R$ 25) Outra coisa na qual o Peixe Urbano pode ser seu melhor amigo. Várias trilhas, pra todos os gostos, de leves a pesadas. Eu nunca tinha feito uma trilha, dessas com guia e tal. Gente, uma delícia! Tem horas que você fica MEU DEUS, POR QUE ESTOU AQUI?, mas é excelente para arrastar os amigos do Ensino Médio, pôr todas as fofocas conversas em dia e ser feliz :D

Nunca que a gente ia adivinhar que, exatamente 10 anos depois de nos conhecermos, iríamos estar sobre uma ponte num lugar sem wi-fi.
Posted by Felipe Fagundes on Domingo, 1 de março de 2015


7) BICICLETAS DO ITAÚ! (R$ 5) Uma delícia essas bicicletas espalhadas pelo Rio de Janeiro. Você pode alugar uma delas e pedalar por toda a orla do Rio se tiver fôlego pra isso. Recomendo a todos, tanto que fui duas vezes, uma com a Lizzie e outra com a Cíntia.

E essa é a única foto (pessoas tímidas, relevem) de um passeio na ciclovia que vai da Cinelândia até Copacabana....
Posted by Felipe Fagundes on Segunda, 2 de fevereiro de 2015


8) MÚSICAS! (Mil dilmas) Ok, uma mega extravagância, mas, gente, eu PRECISAVA colocar essas músicas pra fora. E o processo todo foi tão legal! Durou o ano inteiro, cheio de altos e baixos, mas a mágica sempre acontecendo na minha cara. Divertido demais ensaiar, ver a voz ser gravada, ver os arranjos encaixando lindamente na coisa toda e agora ter 10 arquivos mp3 que vieram exclusivamente da minha caixola!

9) PATINAR NO GELO! (Dá pra encontrar por menos de R$20 nos cupons de desconto) Apenas aconteceu.

Esse equilíbrio na foto? Tudo fachada. Mas é na ousadia que se patina mesmo. A gente finge que sabe o que está fazendo e que não tem medo de cair e SIMPLESMENTE VAI.
Posted by Felipe Fagundes on Domingo, 24 de maio de 2015


10) NATAÇÃO! (R$ 90 por mês) Eu coloquei "Aprender a nadar" na minha lista e, PAH, me vi entrando numa piscina e encarando todos os meus medos. Eu falei bastante disso no blog, rolaram uns causos e a coisa toda foi maravilhosa. AINDA não aprendi a nadar, mas desse ano não passa!

11) TRABALHO VOLUNTÁRIO! (de graça) Eu comecei a dar meus passinhos de formiga dentro da Viva Rio, uma instituição incrível que atua em diversas áreas. Apesar de alguns percalços no caminho e coisas que eu acredito que possam melhorar, a experiência foi bastante positiva. Gente, é tão bom se unir com pessoas que tentam mudar o mundo um pouquinho ao redor! Continuo procurando outras oportunidades de trabalhar como voluntário, aceito indicações!

12) BIENAL! (Menos de R$ 30 reais?) EU ANDEI COM O PESSOAL DO CONVERSA CULT NA BIENAL, APENAS ISSO!!! QUE GENTE LINDA!

Foto de Bienal!!! Agora que não estou mais morta e com WiFi dá pra postar algo xD #bienalrio #bienaldolivro
Posted by ConversaCult on Segunda, 14 de setembro de 2015


13) ESCREVI UM LIVRO! E tentei publicar (R$300). Ainda não aconteceu, mas, nossa, legal demais correr atrás dos seus próprios sonhos.

14) CAMPINAS! (menos de R$300) Show da Nívea! Hostel! Viagem de carro! Acho que, de longe, foi meu maior Vamos Nos Permitir de 2015, vocês podem conferir detalhes aqui e aqui.


Era difícil acreditar que eu realmente estava lá!
Posted by Felipe Fagundes on Domingo, 22 de novembro de 2015


15) ARVORISMO! Tirolesa! (R$ 20 reais) Eu voltando para o Arvorismo mais uma vez!




16) RASPAR A CABEÇA! (menos de R$20, risos) AINDA não tive a coragem de passar a máquina zero, mas estamos quase lá.


Tirei pra lavar :) Por que eu quero raspar a cabeça:...
Posted by Felipe Fagundes on Terça, 15 de setembro de 2015


17) TAMBÉM ACONTECEU! Eu fiz meu primeiro arroz, cortei coisas tóxicas da minha vida, li o LIVRO INCRÍVEL DA AMANDA PALMER e me apaixonei perdidamente por Alma Sobrevivente, achei uma bomba no metrô, flertei muito involuntariamente, fiz acontecer o projeto mais legal que já organizei em toda minha vida (sério!!!) e apareci na caixa de entrada de muita gente! Também postei muita cafonice e fiquei obcecado em descobrir as raízes do ódio e como derrubar esse sentimento tão destrutivo.

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UFA! Eu lembro que uma das coisas que me fez querer mudar de atitude, de gente que é convidada para gente que convida, foi ver minha retrospectiva automática no Facebook em 2014 e perceber que não tinha quase nada. Quer dizer, nada que fosse causado por mim. A mudança é ridiculamente visível. Eu POSSO ser a pessoa que agita as coisas, se eu quiser. Eu matei metade da minha lista (porém, ela só aumenta, risos), conheci um monte de lugares, envolvi um monte de pessoas e fiz novos amigos. Esse tempo junto aproxima as pessoas! Eu nem postei os tantos almoços que rolaram, as pizzas, os encontrinhos e todos esses pequenos momentos que deixam a vida com uma carinha mais especial. Eu acho que gente é essencial. Fazer Coisas é legal? É. A lista é legal? Muito. Mas eu acho que o melhor de tudo é Viver Pessoas. Se abrir para encontrar novas e se aprofundar mais nas que você já conhece.

2015 foi uma delícia. Parece que eu vivi uma dúzia de vidas diferentes. Eu riria na cara de alguém que me dissesse em 2014 que eu viveria isso aí tudo. Dito isso, caso alguém ainda esteja se perguntando, vale MUITO A PENA ser um "fazedor", ser mais vulnerável com as pessoas, correr atrás do que realmente quer e ter uma lista a tiracolo pra, vez ou outra, fazer uma coisa maluca e sentir mais forte como é estar vivo :)

Posted on segunda-feira, dezembro 28, 2015 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, dezembro 17, 2015

Existe uma coisa sobre essa pessoa que vos fala que talvez vocês ainda não saibam: Ela não sabe sossegar o facho. Sabe quando uma pessoa diz que está "tocando uns projetos pessoais" quando na verdade está morando no sofá assistindo Netflix? Então, eu não sei. Eu sou viciado em projetos pessoais. Eu estou SEMPRE inventando umas coisas, tirando ideias da cartola, planejando uns caminhos alternativos na vida que, olha, NEM SEI O PORQUÊ. Muitas vezes eu me sinto aquele cara num reencontro da turma de 2000 e tanto que fica vendo as pessoas comentando "Ah, eu virei pai de gêmeos", "E eu comprei uma casa!", "Eu casei nesse ano!" e diz "Acredita que eu construí um robô mês passado? Só que ele explodiu. Aí eu estava pensando em adotar uns coalas". E todo mundo "Oi???".

Daí que vocês sabem que estou batendo cabeça com o livro, mas tem uma parte significativa da minha vida que eu só contei muito por alto por aqui. Nem é segredo nem nada, só, sei lá, não apareceu oportunidade. Até agora.

Eu gosto de cantar. MUITO. Eu posso ser o véio gagá das músicas, que não sabe nome, quem canta, acha que música de 1995 é single novo da Adele (risos), etc, mas, gente, adoro cantar. E eu tenho uma relação que eu considero muito íntima com a música, porque, quando eu canto, rola toda uma apropriação daquela voz, eu gosto de música que parece que eu que escrevi, eu canto sentindo tudo aquilo que está rolando. Música boa pra mim é dessas que eu canto como se estivesse me declarando, conversando, orando. Música cristã então, que realmente permite que você fale diretamente com o alvo da música, é praticamente um acontecimento pra mim.

Então eu comecei a escrever minhas próprias músicas, porque aí são de fato as minhas próprias palavras. E isso desde criança, gente. Não sei se é porque eu vivo cantando, eu acordo cantando (acontece às vezes, sério) e eu ando na rua cantando, mas quando eu percebo, PÁ, tô cantando uma música que não existe. Quando eu reparei, já tinha umas 10 músicas. Elas simplesmente acontecem, às vezes eu não tenho controle nenhum. Daí foi pra 20, 30, 50, 70 músicas. Até que um dia eu fiquei, nossa, CEM MÚSICAS, eu deveria fazer alguma coisa com isso. Eu gravava a melodia no celular, escrevia a letra em qualquer pedaço de papel que tinha pela frente, salvava no computador e só. Jamais que eu mostraria para alguém, até que eu comecei a gostar muito delas. Ainda mais quando eu começava comparar com as músicas que eu via nos cds por aí, as minhas pareciam tão reais e decentes quanto.

Então, nesse ano em que eu decidi FAZER COISAS, eu me informei, pesquisei, juntei um dinheiro, contratei um cantor e um produtor musical e coloquei no meu currículo imaginário: "SOU COMPOSITOR AGORA". E, gente, que experiência legal! Eu fiquei me sentindo todo artístico Hahahahah Ouvir uma pessoa cantando músicas que eu escrevi, ver os arranjos sendo feitos no violão, no teclado, a coisa toda acontecendo ali na frente... Tiveram vários perrengues até as músicas do meu portfólio (Cara, é muito engraçado falar isso. "Meu portfólio" Hahahahah) ficarem prontas, mas, FINALMENTE, elas ficaram e hoje eu me sinto mais ou menos pronto para mostrar. Eu estou descobrindo todo um novo mundo de compositores, de cantores querendo gravar cds, de produtores trabalhando duro. Mal acredito que entrei nisso, mas está mesmo acontecendo.

Eu poderia falar mil coisas e depreciar minha própria música, porque vocês sabem que é assim que eu me defendo, mas não dessa vez. PORQUE EU TÔ APAIXONADO POR ELAS. Eu fico ouvindo os mp3 e "Gente, eu que fiz! rsrsrsr". Mesmo que nunca entre no cd de ninguém, eu estou muito satisfeito de ter tirado pelo menos algumas delas da minha cabeça e ter transformado em realidade. Cafonão dizer que são meus bebês, mas é assim que me sinto na maior parte do tempo.

São gravações simples, geralmente só voz e um ou dois instrumentos, porque não é como se eu estivesse gravando um cd. São demos, apenas para eu poder mostrar para artistas para que eles usem em seus trabalhos. A voz guia também não é minha, antes que perguntem. Não sou cantor! O intérprete é o Geison Lima, que me ajudou muito além do que eu poderia pedir. A faixa abaixo também não é um dos singles da Adele, mas é a minha favorita das que eu escrevi.

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Então, é isso. SIGAM SEUS SONHOS! Mesmo os mais cafonas! Qualquer dia desses eu volto aqui para contar pra vocês que tô realmente construindo um robô.

Posted on quinta-feira, dezembro 17, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, dezembro 14, 2015

O fato foi mais ou menos assim: O padre Fábio de Melo foi numa festa, daí tinha uma travesti por lá também. Ele ficou com receio dela vir falar com ele, mas ela foi. Daí ela pediu para tirar uma foto, ele é realmente uma celebridade e tal, ele meio desconfortável respondeu que sim. Tiraram a foto. Depois contaram para o padre que aquela travesti era uma grande ativista social, que tinha tirado várias pessoas das ruas e tal. Ele ficou maravilhado e todo, nossa, que bestão eu estava sendo, que pessoa maravilhosa.

Vocês podem ouvir o relato completo da boca do próprio padre contando para uma igreja no vídeo que está rolando por aí (recomendo!).


O Fábio de Melo, gente, eu nem sou católico e nem preciso ser para admirar os atos dessa pessoa. Além de engraçadíssimo no Twitter (@pefabiodemelo), o padre demonstra uma sensatez gigante em todas as entrevistas que já vi com ele, em cada tweet quando ele quer falar um pouco mais sério. Eu queria que existissem mais religiosos como o Fábio.

Mas daí eu fui ver o vídeo dele contando a história e, pra mim, é tudo meio desconfortável, por vários motivos. Ele faz o relato soar cômico, coisa que eu total também faria, veja só, aquela plateia gargalhando apenas pela menção de uma travesti no recinto... O padre Fábio não usou o gênero considerado mais adequado pela própria travesti... Eu fiquei imaginando como se sentiria uma/um travesti sentado naqueles bancos, servindo de piada apenas por existir. Confesso que senti um misto de, nossa, que legal com É HORA DE PROBLEMATIZAR.

Ainda bem que eu me segurei, pois gera um ódio desnecessário (SEMPRE) e nem demorou muito já fizeram esse trabalho por mim. Rolaram umas críticas ao padre chamando de desrespeitoso, TEM QUE USAR O PRONOME CERTO, QUE PADRE ESCROTO. Nesse vídeo linkado nesse post mesmo dá pra ver um ódio rolando de gente criticando o padre, de gente chamando de hipócrita quem critica o padre e etc etc etc aquela bola de neve que eu já citei por aqui. Ódio é assim, gente, ódio circula.

Eu queria que a gente soubesse conversar. O padre desconfortável com a simples presença da travesti, coisa que ele admitiu ser um preconceito vergonhoso, só demonstra que ele realmente mal tinha contato com essa outra realidade, não sabia mesmo como lidar. Certamente que, se alguém chegasse de boa e avisasse "Padre, ela prefere ser tratada no feminino" (que nem sei se é o caso, né), ele iria entender, ia aprender. Pode ter gerado algum desconforto, sim, mas, gente, uma mensagem desse tipo entrando numa igreja... Vocês não fazem ideia de como a Igreja, de uma forma geral, está bem longe de entender o que é um/uma travesti, uma pessoa transgênero ou o conceito de identidade de gênero. E, tipo, é complicado de fato. Muitos religiosos odeiam gratuitamente realidades que eles não fazem ideia do que se tratam. Novamente, é um bando de não saber.

Odiando, eu não aprendo nada mesmo. Odiando, eu não dou espaço para enxergar as pessoas por trás das ações, para ouvir outros discursos, para conviver e gerar empatia. Nem entro no mérito de rotular como, nossa, que ato supremo de bondade ou como grande merda, que padre escroto. Por que a gente tem que encaixar tudo nessas duas opções? Foram só duas pessoas convivendo. Que bom que a travesti se mostrou vulnerável de ir até um religioso e fazer um pedido como o que fez, coisa que a deixou chocada quando ele aceitou. Uma coisa tão simples! Pra você ver como o mundo anda. Que bom que o Fábio de Melo passou por cima do preconceito, do julgamento e do desconforto e se permitiu a descoberta de que gente é uma caixinha de surpresas, de que gente pode ser um acontecimento maravilhoso.

***
Se você:

1) concorda comigo e gostou desse texto
2) ou realmente acha que as pessoas precisam mesmo parar de odiar
3) ou é o padre Fábio de Melo e quer deixar um blogueiro dando cabalhotas pelo recinto
4) ou apenas quer me deixar feliz com pouco,

Me ajuda compartilhando o texto nas redes sociais? Obrigadão!

Posted on segunda-feira, dezembro 14, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, dezembro 11, 2015

Nossa, eu meio que estou no chão em ver que há quase exatamente UM ANO eu disse aqui nesse humilde blog que tinha terminado o primeiro rascunho da minha história. Foi um alívio tão grande, um sentimento de superação e dever cumprido tão forte que eu nem imaginei que tudo o que viria depois seria ainda mais puxado.

Nesses 12 meses, eu revisei da melhor forma que pude. Li o original todo umas três vezes, editei várias partes, cortei cenas que me incomodavam, cortei personagens desnecessários, a coisa toda mudou bastante. Isso tudo foi até o meio do ano, quando eu me dei por satisfeito e pensei: Bom, não vou deixar aqui na gaveta, né? Preciso fazer alguma com isso.

Eu pesquisei bastante sobre as minhas possibilidades (publicar no Wattpad, na Amazon, mandar pra uma editora, montar PDF, publicar num blog...) e acabei decidindo por procurar um agente literário. E dá-lhe procurar por agentes e agências, morrer na dúvida de escolher o que parecia mais condizente naquele momento comigo e com a minha história e servir de hospedeiro para aquela agonia na hora de entrar em contato. Mas, né, escolhi.

Uma coisa que eu acho muito interessante é que as agências literárias pedem que você passe por uma análise crítica antes de darem qualquer parecer sobre seu destino. É meio que um serviço à parte onde o agente vai ler sua história e apontar os pontos fortes e fracos, talvez informar se encaixa bem no mercado atual, dar dicas de melhoria e tal. Pois bem, eu tive que passar por isso. A questão é que é um serviço pago e, pelo tamanho da minha história (109k caracteres), eu tive que desembolsar TREZENTAS DILMAS (gente, não deixem esse impeachment acontecer, vai que o nome do próximo presidente não fica bem como unidade monetária) para meu original ser analisado. Respirei fundo, segurei na mão de Deus e fui. Porque, se eu realmente acredito na história (e eu acredito), eu tenho que investir, confiando no potencial dela.

Confesso que foi um período que eu só conseguia pensar na resposta. Era tipo TÃO JULGANDO MEU BEBÊ, sabe. Eu tenho beta readers incríveis, que me apontam as falhas, mas sempre falam com carinho sobre a coisa toda. Cíntia e Anna me fazem até acreditar mais em mim. Mas, agora, seria diferente. Seria uma análise feita por uma pessoa totalmente desconhecida. O mês demorou a passar, a agência ainda atrasou a entrega porque a Bienal aconteceu, mas, quando eu menos esperava, o e-mail chegou. E, gente, deu ruim.



Me disseram que o título era mal trabalhado, que os personagens não convenciam muito, que as descrições precisavam melhorar, que os capítulos estavam mal divididos... OU SEJA. Já pode jogar fora e desistir de viver, né? Podiam ter mandado um documento com uma só linha: TÁ TUDO RUIM, que o efeito seria o mesmo, eu acho.

Fiquei bem "POXA", porque, apesar de eu ser capaz de tecer uma lista de defeitos em tudo o que eu faço, eu realmente AMO essa história. Ela tem a minha cara. Ela é uma das good vibes mais importantes da minha vida. Fiquei meio triste, mas depois vi que concordo com alguns dos itens apontados. Na verdade, alguns problemas eu até já sabia que estavam ali, mas preferi ouvir da boca de outra pessoa que entende mais do assunto. Outros ainda me deixam com vontade de ir lá interditar a agência. Mas, né, se até JK Rowling levou vários nãos antes do sim, eu tinha era que agradecer pela agência não ter vindo aqui pessoalmente cuspir e encher minha cara de tapa.

O resultado é que eu ainda não desisti I'M TITAAAAANIUUUUMMM. Vou pegar as críticas, ajeitar o que eu puder, deixar a história, ao meu ver, ainda melhor e tentar achar uma casa ou pessoas que a defendam novamente. Não é como se eu tivesse a opção de desistir no fim das contas.

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Eu AINDA estou trabalhando nessa fase 2 e, às vezes, me bate um desespero de que nunca vou acabar de mexer na história. Eu tenho apenas 1 hora para escrever por dia, que eu tenho que lutar pra fazer acontecer, e sabe Deus quando eu vou terminar de editar. Tá rolando quase uma reescrita.

Quis compartilhar essa, bom, não tenho outra palavra, derrota aqui para vocês verem que nem tudo são flores. Na verdade, eu já tô imaginando uma sequência de NÃOs para, TALVEZ, eu rir lá no final, mas, quem sabe?

De qualquer forma, eu queria agradecer a vocês que continuam lendo e compartilhando os textos do Não Sei Lidar. Eu posso não ter um livro publicado, mas acho incrível poder, de alguma forma, fazer parte da vida de vocês por meio das palavras :)

Posted on sexta-feira, dezembro 11, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, dezembro 09, 2015

Se eu estiver enganado, me avisem, mas estou cada dia mais convencido que a empatia é a única coisa que pode aplacar o ódio.

Ah, mas já vem falar de ódio de novo. Gente, desculpa, mas estou obcecado por esse assunto. Quando você começa a pensar, prestar atenção e perceber como a coisa toda funciona, a vontade é de ir mais fundo pra achar logo a raiz do problema. É LIBERTADOR.

Mas vou poupar vocês dessa vez, porque eu estava pensando era na empatia esses dias.

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Não dá em árvore, né? Pode ser um sentimento muito poderoso e tal, mas realmente não é fácil de se conseguir. Deve ser por isso que opera tanta maravilha quando chegamos lá. Como o mundo é tão cheio de possibilidades e padrões de vida, acho que é quase impossível a gente topar com um desconhecido na rua e compreender tudo a respeito da vida dele. Às vezes, acontece de encontrarmos um semelhante em algum aspecto, verdade. Outras vezes, a gente meio que consegue se colocar no lugar da outra pessoa por dedução, associação ou porque tem um amigo que já passou pela mesma situação... Empatia nem sempre vem de graça, sabe? Às vezes, é um esforço.

E até esse esforço pode dar errado, porque tem uma pegadinha. Quer dizer, não faz mal se você usar da sua empatia para apoiar uma pessoa (eu acho), mas se for para dizer que, no lugar dela, você teria feito diferente e por isso aquela é uma má pessoa...

De alguma forma miraculosa, eu nunca me esqueci de um texto (poesia?) que vi no Ensino Médio. O autor é Ulisses Tavares, o título é "Além da imaginação".

Tem gente passando fome. 
E não é a fome que você imagina entre uma refeição e outra.
Tem gente sentindo frio. 
E não é o frio que você imagina entre o chuveiro e a toalha.
Tem gente muito doente.
E não é a doença que você imagina entre a receita e a aspirina.
Tem gente sem esperança. 
Mas não é o desalento que você imagina entre o pesadelo e o despertar.
Tem gente pelos cantos. 
E não são os cantos que você imagina entre o passeio e a casa.
Tem gente sem dinheiro.
E não é a falta que você imagina entre o presente e a mesada.
Tem gente pedindo ajuda. 
E não é aquela que você imagina entre a escola e a novela.
Tem gente que existe e parece imaginação

Lembro que fiquei impactado, tanto que vira e mexe eu continuo com alguns versos na cabeça. Acho que já deu para vocês entenderem onde quero chegar, não deu? Às vezes, a gente ACHA que entende uma pessoa, que conseguiu se colocar no lugar dela com base numa experiência nossa, mas, gente, nem sempre é o suficiente. Não rola tratar uma pessoa desnutrida mandando comer uma besteirinha para aguentar até a próxima refeição. Você pode saber como é ter fome, mas não aquela fome. Ou aquele frio. A gente acha que passou pela mesma coisa, mas nem sempre passou mesmo.

Por isso que é meio complicado dizer Ah, mas eu sofri bullying na escola e tô ótimo hoje em dia, quem reclama disso tá querendo aparecer. Que bom que o bullying não te deixou sequelas, mas você não sofreu aquele bullying. E mesmo que você tenha sofrido o mesmo tratamento que outra vítima sequelada, você ainda não tem a mesma constituição que aquela pessoa.

As pessoas são diferentes e reagem de forma diferentes por diversos motivos. Depende de como a pessoa se vê, do temperamento dela, do histórico familiar, dos relacionamentos que ela já teve, do ambiente no qual ela cresceu, do tanto de amor que ela já deu ou recebeu, se ela, sei lá, dormiu mal ou bem na noite passada... Enfim, muitos motivos mesmo. Com todas essas informações variáveis, cada pessoa vai sofrer mais ou menos, vai reagir com mais ou menos agressividade.

O ponto onde eu quero chegar é que é muito difícil se colocar exatamente no lugar de uma outra pessoa. Até quando a gente acha que sabe como é, a gente não sabe realmente.

Eu cheguei nessa conclusão e fiquei pensando que, ah, é por isso que é difícil julgar outra pessoa por um ato falho cometido. Tipo, a gente consegue julgar o ato (matar uma pessoa nunca vai ser uma coisa boa pra mim, por exemplo), mas julgar o caráter da pessoa, quem ela realmente é, os motivos e as circunstâncias que a levaram a fazer aquilo é bem mais complexo. Eu, particularmente, não consigo mais olhar uma pessoa num situação adversa e dar meu parecer tão rápido, se é que eu tenho que dar algum parecer.

Ódio vem de julgamento, a gente odeia quem a gente julga ruim ou nocivo, de alguma forma. Mas o que tem por trás daquela pessoa horrível? O que tem por trás daquelas palavras tão asquerosas? O que leva uma pessoa a cometer um ato tão cruel? Quais as circunstâncias? Eu tô achando bem difícil apontar o dedão.

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Eu tô virando o analista louco do ódio, gente (aqui e aqui). Tô tipo Cady Heron, 80% do meu tempo eu passo falando de coisas como empatia, amor e ódio, nos outros 20% eu fico torcendo pra alguém também falar e eu poder falar mais! Hahahahah Eu nunca fiquei tão obcecado, minha meta é ficar que nem Drauzio Varella rindo dos haters.

Se quiserem contribuir com meu vício do bem, podem compartilhar esse texto por aí? Eu quero alcançar mais gente, ver mais pontos de vista, encontrar furos ou apoio para esse caminho que eu acho que estou descobrindo. Serei eternamente grato :)

Posted on quarta-feira, dezembro 09, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, dezembro 07, 2015

Antes de tudo: Pra quem nunca leu um dos meus diários de viagem, eles são diários reais, físicos. Aqui no blog, eu digito e monto uma edição das partes que acho mais interessantes e coloco uns comentários extras quando quero, [entre colchetes]. Ok? Eis o que aconteceu naquela loucura toda de ir pra Campinas.

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1) Cada vez mais aumentando a certeza de que ter filhos é um terror. Minha mãe ficou desesperada com o lance do carro das pessoas desconhecidas e tá certa de que nunca mais vai encontrar minha ossada ["ME ADMIRA VOCÊ, QUE É TÃO INTELIGENTE"]. Cismou que ia me levar no ponto de encontro. Depois quis dar uma stalkeada conjunta comigo nos perfis do Facebook. Pediu foto, números e cpf de todas as pessoas que cruzariam meu caminho. Claro que ela me deixou doido também, mas me fingi de corajoso E FUI VIVER [eu me sinto tão cafoninha dizendo esse tipo de coisa, não me deixem parar com isso].

2) Gente, se essas pessoas vão me sequestrar, elas são MUITO profissionais, porque fingem bem demais serem gente boa. Tá rolando uma playlist de Back Street Boys nesse carro, já tocou Beyoncé, uma música cujo nome deve ser Mr Jones [E é mesmo] umas cinco vezes, vira e mexe toca um gospel básico, tô fascinado.

3) Ficarei tremendamente indignado se essas pessoas roubarem meus órgãos.

4) Eu sou sempre a pessoa que não sabe lidar com a porta do carro [Vergonha de bater forte, e o dono ficar todo MEU CARRO, CARAMBA, mas eu bato fraco e fica todo mundo TEM UMA PORTA ABERTA. Que sempre é a minha]. O mesmo com o cinto de segurança, que eu sou todo enrolado pra prender. Pago de descolado otário que acha que não precisa de cinto, MAS TÔ DOIDO PRA USAR. Eu vejo Grey's Anatomy, sei que muita gente se ferra em acidente por estar sem o cinto. Horas nesse carro tentando disfarçar e ver como esse trem encaixa.

5) Um cara esquisito ficou me encarando numa das paradas que fizemos. Todo um trigger DAQUELE DIA. Aparentemente, eu ainda não superei.

6) Campinas é toda jeitosinha. Muito verde, toda good vibes, as pessoas parecem que têm UM PRAZER de te informar os lugares. E elas já falando com aquele R puxado <3 Um cara estava explicando como chegar no hostel e nos disse que ficava numa "Rua de merrrrda". A gente ficou "Oi???".

7) Achamos a tal rua (que era toda direitinha, fica aí o mistério da rua de merrrda) e, GENTE, o hostel [Eu tinha que ficar num hostel, sabe. Desde que eu descobri que existia, eu sempre soube que meu destino era me hospedar em um. Tipo, você divide uma casa com pessoas desconhecidas! Assustador e cheio de possibilidades ao mesmo tempo]. O HOSTEL É UMA GRAÇA, 10/10. Dariam fotos lindas se eu as tirasse.

[E eu tirei depois :D]




8) TODO MUNDO (5 fulanos) que está no meu quarto também vai para o show da Nívea! São um pouco mais novos que eu (gente, quando eu virei o cara velho?) e daquele naipe FÃ, sabe? Enquanto eu fico "A Nívea tem umas músicas muito boas", eles já tão tudo "COMO ASSIM SÓ BOAS? NÍVEA É RAINHA E MARAVILHOSA", "Mas, gente, calma, eu só disse que", "ELA É PERFEITA, CANTA MAIS QUE FULANA E CICLANA". Não tenho mais pique, sabe. Interagi um pouquinho, me despedi do pessoal do carro ("NÃO ME ABANDONEM AQUI").

9) Daí que o portão da Bola de Neve (é uma igreja), onde vai acontecer o show, só abre às 19h. O show começa às 20h. Eles querem chegar lá às 15h. Eu mal cheguei no hostel, estou morrendo de fome, e eles "COMO ASSIM VOCÊ NÃO VAI FICAR QUATRO HORAS EM PÉ NA FILA PRA VER A NÍVEA?". Nívea, me desculpa, eu te amo demais, mas não tem condições.

10) Os meninos curiosos com o diário, "O que você tanto escreve?" Hahahahahah Ei, tira o olho, só quando eu postar no blog. Inclusive, estou falando mal de vocês.

Isso era eu já me desesperando
ao imaginar como um hostel funciona


11) Risos que só tem brasileiro nesse hostel.

[Eu só tive a oportunidade de dar 1 voltinha no bairro, que foi quando fui caçar comida. Tipo, eu desesperadamente precisava comer e estava tudo fechado (feriado), andei meio sem rumo, fui ouvindo o som da estrada até chegar lá e ver uns restaurantes abertos na beira da pista. Me senti procurando água pelo barulho do rio em Jogos Vorazes]

12) Cheguei na Bola de Neve às 18h e não tinha nem 20 pessoas na minha frente HAHAHAHAHAHAH Obrigado, Universo.

13) Um monte de gente legal na fila, todo mundo tinha uma história com a Nívea. Gente lá de São Paulo mesmo, Brasília, gente do Rio... Eu adorei a mistura. Eu tirei foto com gente que eu nem conhecia. Teve uma hora que eu apenas disse "Estou com sede" e um menino do hostel "Vou ali pegar água pra você". Eu fiquei "Oi?". Daí achei que ele fosse, sei lá, me trazer um copo com água de bebedouro, mas, não, ele COMPROU uma água superfaturada pra mim! Eu fiquei todo MAS EU NEM TE CONHEÇO, DEIXA EU PAGAR ISSO, PLMDDS, e ele "Cara, é só água". E tem gente que não gosta de gente, eu nunca vou entender.

Essa foto foi o ápice da minha descoladez.
O que nem é muito, veja minha falta de carisma na foto 
(eu sou o de óculos, pra quem não sabe como é a minha cara)
O de preto, no meio, é o MARIDO DA NÍVEA, Gustavo.
Ele estava passando pela fila, alguém pediu para tirar foto com ele, coisa que eu jamais faria por motivos de vergonha
Daí ME CHAMARAM, vem você também, e eu simplesmente fui.
Me pergunta se eu conheço alguém além de mim e Gustavo nessa foto. Não conheço.

14) Nívea aconteceu. Não apenas aconteceu, como também aconteceu duas vezes, porque em gravação de DVD às vezes tem que repetir música porque não gravou direito. A Nívea teve que cantar novamente umas 3 ou 4 músicas. Eu reclamei? JAMAIS faria isso. Por mim, podia repetir o dvd todo novamente.





15) Eu sou um velho, pois arrasado após as sei lá quantas horas de show. Sentir minhas pernas, não sei mais como é. Valeu totalmente a pena, adorei, mas acho que já bati minha cota de shows na vida (menos de 10, risos).

16) Eu fiquei o show praticamente todo sem tirar fotos, porque não queria perder nada e pessoal fã do hostel não parava de fotografar e fazer vídeos e aqueles celulares tudo na minha frente. Meu plano era catar as fotos de todos, porque, né, o que importa se eu ou outra pessoa está batendo as fotos? Mas eu dormi TANTO que, quando eu acordei no dia seguinte, todo mundo já tinha ido embora do hostel Hahahahah TROOOOUXA.

***

Gente, inacreditavelmente, NÃO TEVE PERRENGUE. Nem pra ir, nem pra voltar, nem ao conhecer as pessoas novas, dividir quarto ou na hora de dormir num lugar desconhecido. Tirando um mico aqui e outro ali, deu tudo TÃO CERTO que eu não sei se os roteiristas dormiram no ponto ou se eu evoluí para o nível "Socialmente Apto". Não interessa muito, eu só sei que cheguei em casa orgulhoso demais de mim mesmo por ter me permitido me jogar nessa coisa toda, que foi quase um salto no escuro. Acho que até peguei um gostinho por viagem, sabe? Mas, nas próximas, quero arrastar minhas pessoas comigo, porque, não adianta, gente é mesmo a melhor coisa.

Posted on segunda-feira, dezembro 07, 2015 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, dezembro 03, 2015

Eu sou aquele tipo de pessoa que acha graça nas coisas mais bestas. Às vezes, eu começo a rir sozinho, do nada, daí eu tenho que explicar aos outros o motivo do riso e a explicação é mais ou menos "Sabe que eu nem sei?". Meus dias favoritos são as segundas, eu sou meio que aquela pessoa que acorda aplaudindo o sol. Eu acho que o mundo vai mal, verdade, mas, poxa, as pessoas são tão incríveis! A minha fé na humanidade custa muito a se abalar. Eu estou sempre felizinho. Até quando não estou, na verdade eu estou, sim. Eu nunca me identifico com a minha timeline do Twitter. Todo mundo é trouxa, tá na bad, tá todo mundo mal, mas, me desculpe, eu tô ótimo. Olha como a vida é bonita! Olha a natureza! Olha o sol!

 Eu saindo na rua

 Eu pegando o elevador da Firma™ na segunda de manhã

Isso pode ser muito irritante sempre às vezes, não nego.

Não sei se sou um cara muito sortudo na vida ou se me satisfaço com muita facilidade. Acho que um pouco dos dois. De qualquer forma, esse equilíbrio das good vibes na minha vida colabora com um fato: eu não sei lidar com tristeza.

Eu tô acostumado a me sentir amado, a gostar das coisas que eu mesmo faço, a ver o universo magicamente colaborando comigo. Eu tô acostumado a ver as coisinhas pequenas caminhando, dar um sorriso bestinha e falar NOSSA, A VIDA É TÃO BOA, NÉ?

Mas nem sempre é assim. Eu já estava querendo escrever algo sobre tristeza, daí a Fernanda comentou num dos últimos posts:

"Caraca, se tem uma coisa difícil é imaginar vc se sentindo bostinha. Tu parece sempre tão feliz e tipo tão VAMOS APROVEITAR A VIDA, GALERE!"

Hahahahahah

É porque raramente vocês têm a oportunidade de me ver triste. Quando eu fico pra baixo, é porque alguma coisa saiu do lugar e, ao invés de ficar postando minha tristeza na internet, eu entro num processo intenso de reflexão pra tentar resolver. Sei lá, uma coisa MORRE dentro de mim e eu acho que nenhum ser humano é merecedor de tamanha agrura que é ficar do meu lado quando eu não estou bem. Eu simplesmente me afasto de todo mundo. Sumo do Twitter, não respondo e-mails, não posto no blog e só volto quando recupero a vontade de viver. E, veja bem, eu não estou ditando que você não deve postar seus dramas na internet (às vezes, desabafar até ajuda), eu só estou dizendo que, pra mim, TUDO perde a graça. Ficar triste pra mim é como ficar doente, daquele naipe que tem ficar de cama e não chegar muito perto de ninguém pra não contagiar. Eu me sinto tão não eu na tristeza que tento não lidar com pessoas, senão eu acabo fazendo coisas que jamais faria. Prefiro nem brincar. Se eu estou triste, nem desço pro play.

Posted on quinta-feira, dezembro 03, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, novembro 30, 2015

Daí que, aproveitando a oportunidade, uma vez que já comecei a expor meu despreparo ao comer com outras pessoas, resolvi contar logo outro causo relacionado para fecharmos de vez esse capítulo e voltarmos à normalidade desse blog (oi?).

Mas estava eu no almoço de confraternização da minha antiga Firma™, eu ainda era estagiário se não me engano, tentando agir normalmente numa mesa enorme com 4756484 pessoas ao meu redor. Por incrível que pareça, eu prefiro comer com 4756484 pessoas ao invés de uma única, porque, na minha cabeça, elas podem se preocupar em reparar em outras mastigações além da minha. Pois é. O lance era que aquele era um restaurante desconhecido com umas comidas esquisitas e, meu deus, como eu tenho birra com comidas esquisitas, daquelas que a gente não sabe exatamente o que é ou não sabe como comer. Isso se corta? Vai molho? Enfio tudo na boca? Pego com a mão? Tem cara de frango... Mas e se for, argh, peixe? Enfim. E, gente, se hoje em dia eu não costumo frequentar restaurantes, imagina naquela época que eu ainda estava aprendendo como era ter meu próprio dinheiro. Sempre me pareceu caro demais, um ambiente meio chique. Era como ser o único pobre numa mesa de gente rica, pensem assim.

Um dos meus chefes estava finalmente voltando ao trabalho depois de meses afastado por razões médicas. E ele estava sentado bem na minha frente. Não era nada demais, mas todo mundo estava dando atenção a ele, e eu estava tentando não fazer uma besteira, tipo derrubar o talher ou derramar suco, não colocar o cotovelo sobre a mesa (nunca entendi essa regra).

Mas quando que eu ficando super consciente dos meus movimentos deu certo nessa vida, né, pessoas?

Eu apoiei meu garfo no prato quando alguém passou servindo uma bebida e levantei o copo quando a pessoa estava mais perto. Eu só sei que deixei o copo escorregar da minha mão e, DE ALGUMA FORMA QUE EU NÃO ENTENDI, ele bateu no meu prato e fez uma coisa que eu não conseguiria nem se realmente quisesse. Ele CATAPULTOU o meu garfo. Tipo, o garfo voou. No meu chefe. Parabéns, Física, sua ridícula.

 Sempre do contra

Ok, não foi como se o garfo tivesse, sei lá, furado o olho dele ou cravado na pele do homem, MAS PRA MIM FOI, SIM. Meu chefe ainda levou de boa, "Felipe, eu acabei de sair do hospital e você já quer me mandar de volta? kkkkk". Gente. GENTE.

Anos depois, eu seria demitido por motivo de "corte nos gastos", mas aposto que:

- Então, sócios, temos que decidir entre o Fulano e o Felipe. Quem vai embora?
- PLMDDS, mandem o Felipe pra casa, ele tentou me assassinar uma vez.

Posted on segunda-feira, novembro 30, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, novembro 27, 2015

Daí que eu fui mesmo lá na gravação do novo DVD da Nívea. Eu estava tão no automático procurando passagens, hospedagem, companhia e como me virar sozinho que eu meio que não pensei muito no objetivo principal. Foi só quando eu estava lá dentro da Bola de Neve de Campinas que a minha ficha foi caindo e, gente, A NÍVEA. UM DVD DA NÍVEA.


Querendo registrar o momento, mas incapaz de parar de prestar total atenção no palco, eu voltei para aquele lugar que eu gosto tanto. Se você não é cristão, é capaz de não entender. Se você é cristão, talvez não me compreenda também. Já é uma coisa minha manter uma atitude positiva no que diz respeito às pessoas, mas eu vejo como o mundo está, como o ódio se espalha, como o amor vai ganhando cada vez menos espaço. Daí eu olho pra Igreja e nem sei dizer se está muito melhor. Tem muito mal disfarçado de bem. Eu tenho quase certeza de que, se Jesus aparecesse aqui na Terra mais uma vez, seria crucificado DE NOVO. Porque ele simplesmente não combina com tudo que está aí. Mas não é meu dever ficar apontando meu dedo pra ninguém (Depois de já ter apontado. Ainda estou trabalhando nesse comportamento). O que eu estou querendo dizer é que eu sinto falta. Eu sinto falta de um lugar onde eu posso pisar e ter certeza de que é ali que eu quero estar.


Ouvindo a Nívea cantar, eu me senti novamente parte de algo maior. Foi como se ela me dissesse: Felipe, fica bem, vai dar tudo certo no final. Permeando todas as músicas, o tema do novo álbum (Reino de Justiça) é bem claro: Jesus prevalecerá sobre todas as coisas. E, gente, NÃO VEJO A HORA. Num mundo com atentados terroristas, guerra matando inocentes, crime ambiental, ódio circulando na internet, crise econômica, igrejas mais afastando que acolhendo pessoas, fica difícil acreditar que o amor não vai morrer. É difícil ver que existe, sim, um caminho. E eu não estou tentando descobri-lo sozinho.

Eu não canso de dizer que a Nívea Soares é uma das minhas pessoas favoritas. Pela cadência gostosinha na voz quando fala, pelo ímpeto e todo aquele estilo próprio quando canta, mas principalmente pelas coisas novas que ela sempre me traz. Gente, é certeiro. Quando tudo começa a ficar meio esquisito, eu dou play em qualquer vídeo da Nívea e tá lá ela me apontando a saída, o fim do túnel.

 E quando tudo parecer tão frio e só
Me leve em Teus braços e me faz descansar <3

Não foi diferente dessa vez. Tô pronto pra caminhar mais. Nívea, obrigadão.

Posted on sexta-feira, novembro 27, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, novembro 25, 2015

 
Aí você lê isso e pensa, nossa, que exagero. Quem não sabe como lidar com um refeitório? Que pessoa surtada põe na cabeça que vai passar o mês comendo barras de cereal só pra não ter que interagir? Que bobagem, só em livro YA mesmo, ai, ai.

MAS ENTÃO.

Deixa eu te contar um lance aqui. É uma cena de Fangirl (Rainbow Rowell), mas poderia ser um dia qualquer na minha vida. Às vezes, eu comento umas coisas doidas no Twitter, porque que sei que soam engraçadinhas, e fico meio que pensando que vocês acham um exagero da minha parte, drama demais. Eu também acho, verdade seja dita, mas...

Eu nunca tinha sido confrontado tão de frente, eu acho. Quando a maluquice vem, eu simplesmente faço que nem a Cath, dou meu jeito de contornar. Às vezes, me forço a superar, mas essas são poucas.

Daí que onde eu trabalho tem um refeitório/copa e, obviamente, eu não uso. Quer dizer, eu uso, almoço lá todo dia, mas jamais que vou no mesmo horário que todo mundo. O pessoal almoça em peso às 12h, logo eu só apareço por volta das 14h, 14h30, quando muito raramente tem alguma pessoa ainda zanzando por lá.

Ontem, eu me superei no horário e só fui dar as caras às 15h30. Cheguei, zero pessoas no recinto, nem o pessoal da limpeza. FELICIDADE SUPREMA! O refeitório tem dez mesas, com espaço para quatro pessoas cada uma. Escolhi a mesa mais distante da porta. Coloquei minha marmita no microondas, 3 minutos esperando.

Quando faltava só mais 1 minuto para terminar, me aparece um homem que eu nunca tinha visto, bem vestido, bem mais velho que eu, e pergunta... Quer dizer, não me perguntou nada, ele apenas me disse: "Vou sentar aqui com você ^^"

 Como eu realmente queria agir

Gente, aquele lugar tem DEZ mesas. NOVE mesas livres. TRINTA E SEIS lugares que aquele educado senhor podia escolher para sentar. POR QUÊ, MEU DEUS? POR QUÊ?

Acho que foi o 1 minuto mais longo da minha vida. Porque ele sentou com as coisas dele DE FRENTE para onde eu estava sentado, e eu só conseguia imaginar a cena: Eu tentando lembrar como se usa um garfo, errando a boca, deixando a comida cair, derramando o suco, sem saber o que fazer com as mãos, consciente de cada centímetro do meu corpo, atirando sem querer o garfo nele (já aconteceu), mastigando mil vezes porque não consigo engolir, não sentindo o gosto de nada, imaginando ele olhando pra minha comida...

NÃO DÁ, GENTE. Eu não sei lidar MESMO. Eu me saio melhor comendo com pessoas conhecidas, num lugar conhecido, num encontro premeditado. Mas, assim, TOMA UM DESCONHECIDO NA SUA MESA, a coisa não vai.

Ele já estava sentado, então eu tive que gentilmente dizer:

- Moço... O senhor se importa se eu for para aquela outra mesa ali? Tipo, não é nada pessoal, juro. Só um comportamento esquisito meu.
- ???
- ¯\_(ツ)_/¯

Essas foram as minhas exatas palavras. Eu peguei minha comida, fui para uma mesa bem longe, sentindo alívio imediato e um pouco de culpa, porque, né, coitado do senhor rejeitado. Mas ele ficou bem ok com a situação (eu acho). Se alguém faz isso comigo, eu, no mínimo, vou achar que estou fedendo. Mas, pra começo de conversa, eu nunca teria sentado naquela mesa.

Aí rolou só esse pequeno climão, beleza, porém: E se eu te dissesse que descobri depois que o senhor desconhecido É O FUCKING DONO DAQUELE LUGAR TODO? É O CHEFE DO CHEFE DO CHEFE DO MEU CHEFE.


Alguém vem dá uns tapas na minha cara pra ver se eu aprendo a ser gente, pelo amor do santo deus, seja lá em qual deus você acredita. Eu fico na dúvida se é apenas uma timidez muito atacada ou se já tô de corpo e alma com um pezinho na fobia social. Fica aí o suspense.

Posted on quarta-feira, novembro 25, 2015 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, novembro 19, 2015

Aconteceu exatamente assim: Eu estava me sentindo meio bostinha. Mas só meio bostinha mesmo. Metade naquela vibe queria estar morta e fazendo performances dramáticas no banheiro do trabalho, metade indignado com o estado de espírito da primeira metade. Isso porque eu detesto ficar triste. Quem gosta, né? Eu sei. Mas eu detesto. Acho quase inaceitável, principalmente quando não há um motivo decente pra isso. Eu estava sentindo que a minha vida estava parada, meio que num eterno stand by. Eu não estava sofrendo, mas também não estava me divertindo. Era um limbo esquisito. NADA acontecia, nem feijoada.

Daí que eu estava quase entregando os pontos para a bad mesmo, mas resolvi dar uma olhada na minha lista de experiências para viver antes de morrer. Eu nem estava com vontade de realmente fazer alguma coisa, mas fui teimoso, abri o Random.org, sorteei um número e, juro, caiu "Show da Nívea Soares" na lista.

Minha primeira reação foi: Ai, gente.

Mas a minha segunda foi entrar no site da Nívea para olhar despretensiosamente (eu nem ia ir em show nenhum mesmo) a agenda de shows dela. Daí eu vi: GRAVAÇÃO DO NOVO CD/DVD. Em Campinas, São Paulo.



Gosto de viajar? Nhé. Eu já fui em Campinas? Nunca. Já pisei em São Paulo? Também não. Já viajei sozinho? Única vez que saí do Rio Janeiro foi pra me aventurar em Foz do Iguaçu, mas muito bem acompanhado pelas minhas mães pessoas loucas por controle organizadas. Tenho disposição pra encarar show de mais de 3 horas no meio de uma muvuca de gente? Claro que não. Tenho 87 anos? Em espírito. Gosto da Nívea? AMO DE PAIXÃO.

Lilian disse que lembrou de mim vendo essa tirinha.
Não poderia ter acertado mais >.<

Ou seja, todas essas respostas me levaram à conclusão óbvia: PRECISO IR PRA CAMPINAS VER A NÍVEA AGORAAAA.

Gente, deixa eu contar uma coisa. Existe meio que uma magia na transformação de um fim de semana sem nada planejado em um fim de semana com viagem urgente para Campinas. Sabe, foi tipo TOMAR AS RÉDEAS DO DESTINO! Uma indignação contra a inércia da vida! VOCÊ NÃO VAI ACONTECER, SUA PALHAÇA? VAMOS VER QUEM É QUE NÃO VAI ACONTECER. E tá acontecendo. Eu total passei de bostinha para bestinha com a viagem, uma vogal fazendo toda a diferença.

***

Não satisfeito com a aventura súbita, eu fui na página da Nívea ver se tinha gente do Rio indo também, talvez uma caravana, algo assim. Interagi com algumas pessoas casualmente e, BUM, arrumei um carro de gente desconhecida indo pra lá. Todo um medo dessas pessoas me sequestrarem, toda uma investigação intensa nos perfis do Facebook, toda uma Amanda Palmer dizendo pra eu segurar na mão de Deus e ir na fé. Bom, tô indo. Se eles não roubarem meus órgãos, será ótimo.

***

Então, é isso. EU TÔ INDO PRA CAMPINAS. Amanhã! Num carro desconhecido! Pra dividir quarto com 7 pessoas num hostel! Sozinho! All by myself!

ALGUÉM ME IMPEÇA, PLMDDS.

Morrendo de medo, mas adorando isso tudo. Se pá, faço um diário de viagem contando os perrengues. Vamos acompanhar.

Posted on quinta-feira, novembro 19, 2015 by Felipe Fagundes

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terça-feira, novembro 17, 2015

Ainda aprendendo a manter a política de não odiar, eu estava investigando as causas do ódio. Por que bate aquela vontade de esganar a outra pessoa? De onde a gente tira tanta disposição para xingar, julgar e condenar um desconhecido na internet? Por que o ódio deixa a gente tão empoderado de forma que nosso alvo parece tão desprezível aos nossos olhos? Como eu disse, estou aprendendo. Só ando no caminho, mas não tenho as respostas ainda. O que eu sei é que me faz mal e seria ótimo cortar pela raiz.


Uma das minhas pessoas favoritas, a Nívea Soares, lançou uma música nova no Youtube, que, na verdade, é uma versão de uma música em inglês. Beleza. Ouvi, achei legal, dei meu like lá no vídeo... Só que fui ler os comentários (por que a gente ainda teima, né?) e apareceu uma pessoa dizendo algo como "Música bonita, mas a gente precisa plagiar os gringos? Temos criatividade também! Temos que valorizar nosso país etc etc etc". Daí apareceu uma outra "defendendo" a Nívea, dizendo que "Minha querida, você precisa estudar mais! Não é plágio!", chamou de burra e tudo. E ficou aquele bate boca, as pessoas depreciando as outras a cada novo comentário. Fiquei imaginando a Nívea, que só queria mostrar uma música nova, horrorizada lendo a discussão.

O mesmo com o show de horror que ficou o Facebook no final de semana com as pessoas DISCUTINDO sobre qual tragédia era a CERTA para se compadecer, com as vítimas do terrorismo na França ou com o desastre ambiental em Minas Gerais. Meus queridos amigos do Facebook estavam literalmente chamando pessoas de burras, estúpidas, anti-patriotas, alegando que ninguém no Brasil tinha que sentir nada pelos franceses, porque eles também não se importavam com a gente aqui. Até gente dizendo que eles tinham mesmo que sofrer, eu vi.

Nos dois casos, o ódio foi tanto que chegou até em mim, que estava apenas de observador. A minha vontade foi me meter em todas as tetras com um caps lock ligado para dizer DEIXEM DE SER BESTAS, QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS? COMERAM COCÔ? FORAM CRIADOS POR ANIMAIS? Como se isso fosse resolver alguma coisa. Como se a minha reação não fosse parte do problema.

O ódio simplesmente circula. A gente vê uma pessoa sendo odiosa e imediatamente a odeia também. Daí alguém vê nosso ataque de ódio e passa a nos odiar. O ciclo não termina! Quando alguém tem uma atitude horrível perante nossa opinião, tudo na gente apita alertando que aquela outra pessoa tem que ser humilhada, pisada, cuspida, que ela tem que pagar AGORA por todos os erros dela, que ela é um ser estúpido que precisa aprender uma lição que a gente vai ensinar, que ela precisa ser exposta. A gente lança um ódio sobre os outros que não apenas não causa nenhuma mudança na outra pessoa (só se for pra pior) como também contamina a gente.

Eu já tinha sacado que o certo era responder com amor, mas isso não estava vindo com nenhuma naturalidade. Eu poderia ignorar as tretas, eu poderia não atacar ninguém, mas ainda assim continuava sentindo a raiva. Eu fiquei todo "Mas como se quebra o ódio? Cadê exemplo de uma pessoa que explica isso?".

Foi conversando muito com os amigos, observando as timelines, terminando de ler o Alma Sobrevivente (<3) e tentando achar um ciclo de ódio quebrado que eu cheguei num momento específico da vida de Jesus. Ele foi humilhado, açoitado, pisado, cuspido, pregado numa cruz e uma série de outras torturas que eu não gosto de lembrar. Inclusive, só de pensar na cena, já me sobe um ódio dos presentes porque ele não merecia. Daí que a atitude de Jesus perante aquele povo, ao invés de ser um ódio mortal, é um "Perdoa-lhes, Pai, porque eles não sabem o que fazem". Jesus pediu perdão porque sabia que aquelas atitudes grotescas não eram boas, mas não quis condenar as pessoas pela falta de conhecimento delas.

ISSO É TÃO PODEROSO. É o mesmo caso daquela pessoa que te critica sem te conhecer direito. É o caso da pessoa que tem preconceito contra uma classe sem enxergar nela os indivíduos. É o que acontece quando a gente vê uma pessoa falando uma besteira tão grande, muitas vezes fora de contexto, e acha que já sabe tudo da vida dela a ponto de tachá-la como burra e merecedora da morte. A GENTE NÃO SABE O QUE FAZ. Gandhi fazia questão de dar o mesmo tratamento a todos os tipos de pessoas, fosse rei, fosse mendigo, fosse celebridade... Os melhores médicos são aqueles que tratam os pacientes como pessoas individuais e não como uma lista de sintomas. Amanda Palmer descobriu que, olhando realmente para o público dela, ela pode se relacionar melhor com eles. Existe uma preciosidade em cada pessoa que pouca gente enxerga. As pessoas são cheias de traumas, motivos e vontades que explicam muito as ações. Em qualquer ficção bem escrita, a gente consegue ver o lado do protagonista, seja ele mocinho ou vilão. Existe um laço forte que a empatia cria que nos impede de olhar mal para uma pessoa, porque a gente sabe que, talvez, faria o mesmo que ela em determinada situação.


Se a humanidade inteira tivesse esse laço atando a todos, o ódio morreria. Porque não se odeia o que é igual. E somos todos humanos. Aquele alvo que recebe todo nosso ódio, veja só, é apenas uma pessoa como nós. Que teve criação diferente, passou por lugares diferentes, foi tratada de formas diferentes, recebeu amor em doses diferentes e teve uma vivência completamente diferente da nossa. Mas ainda é uma pessoa, com sentimentos, contradições e dúvidas. Pode parecer um monstro, mas juro que é gente.

Quando Jesus estava sofrendo na mão dos agressores, ele sabia que aquelas pessoas não tinham total noção de quem ele era, não enxergavam nele um ser humano. Enxergavam só um alvo de ódio. Ah, então você está dizendo que todo mundo é inocente? Não, todo ato tem consequência, ainda mais um ato de ódio. O ódio sempre volta pra cobrar da pessoa alguma hora. O que eu estou dizendo é que eu não preciso odiar, porque eu sei que ali está uma pessoa, que merece ser tratada como gente.

Aquelas pessoas discutindo no vídeo da Nívea? Era como se não soubessem que atrás daquele perfil do Youtube estava uma pessoa de carne e osso, sentindo todas aquelas palavras. As pessoas do Facebook? Era como se não sentissem a empatia, não sentissem a mesma dor que muitos sentiram, como se não soubessem que a pessoa do outro lado da tela pode ser muito parecida com eles mesmos. É um bando de não saber.

O caminho é muito longo, ainda mais longo que esse texto, mas eu quero parar de odiar. Eu quero é enxergar pessoas por trás de todas as ações. Ah, Felipe, mas agora você tá virando o quê? Hippie? Quer ser o Dalai Lama? Não, gente, só quero parar de fazer um mal a mim mesmo. É tão absurdo assim?

Posted on terça-feira, novembro 17, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, novembro 13, 2015

Eu comentei aqui um trecho do A Arte de Pedir que diz que as pessoas mais poderosas e admiradas chegaram onde chegaram pedindo, contando com a ajuda de outras pessoas pelo caminho. E que isso é muito normal! Eu contei como o livro me ajudou a ultrapassar alguns obstáculos, e algumas pessoas comentaram sobre as dificuldades que ainda tinham. Nenhuma novidade: vergonha, medo da humilhação, sentir que pedir é sinal de fraqueza, não querer depender de ninguém, o fato do orgulho falar mais alto etc. Mas aí a Ana comentou sobre um receio que nem é citado no livro, mas que, de todos os medos, é o meu maior empecilho na hora de pedir:

"eu me sinto como um fardo e que as pessoas só fazem por obrigação e pena, e não porque querem. Isso que me desgraça a cabeça também"

Eu tenho horror de colocar alguém numa situação de obrigação. Sabe, mesmo o "fazer por educação" me deixa muito constrangido. Um dos lemas da minha vida é "NÃO SOU OBRIGADO", tá até na tela do meu celular. Se pá, é o que eu tatuaria no corpo. Quanto mais o tempo passa, menos eu me sinto obrigado a lidar com convenções sociais bobas, com situações que as pessoas JURAM que você tem que suportar, que a vida é assim mesmo etc. Me dói ver tanta gente aceitando engolir sapo sem saber que, ei, elas podem recusar! Eu já estou lidando bem com isso. Não quero? Não preciso fazer. Claro que há consequências, mas recusar às vezes faz mais bem do que mal.

 É sério

Mas aí as pessoas não sabem que podem dizer NÃO. Não é só porque você é meu colega de trabalho, meu amigo, meu parente ou minha mãe que você tem que fazer TUDO que eu peço ou ir pra todo lugar que eu te convido. Não é só porque eu te fiz um favor em 1998 que você tem que se sujeitar a todas as minhas vontades. Eu entendo quando você simplesmente não quer fazer. E essa compreensão vem justamente do fato de eu também me dar o direito de recusar. Daí que pra tudo eu tenho que:

- Oi, fulano, você pode fazer tal coisa pra mim?
- Posso, claro.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Mas, tipo, mesmo? Você sabe que pode dizer não, né?
- Felipe, eu sei.
- Assim, nenhum clima ruim vai ficar entre a gente, você não é obrigado a fazer, entende?
- Mas eu já disse que
- Eu vou te amar do mesmo jeito.
- Jesus.

Acho que terei que ouvir o SIM umas cinco vezes no dia do meu casamento, mas é isso ou deixar uma pessoa ser trouxa pelo resto da vida só porque não quis me magoar. Eu peço, inclusive estou pedindo cada vez mais, mas preciso me certificar de que aquela pessoa realmente pode e quer me ajudar. Eu prefiro um NÃO sincero do que um SIM forçado.

Relações interpessoais são tão complexas, gente.

Posted on sexta-feira, novembro 13, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, novembro 11, 2015

Eu acredito muito na evolução do ser humano. Sabe, o crápula de hoje é o gente boníssima de amanhã. Eu sei, eu sei, tem gente que parece que não tem mais jeito, mas, mesmo nesses piores casos, eu acredito que há uma luz no fim do túnel. Ser cristão, inclusive, é em boa parte saber que ninguém é perfeito, mas que todo mundo pode caminhar nessa direção caso se permita. Eu sinto isso todos os dias. O meu eu de hoje ainda é cheio de defeitos, mas vence de 7 a 1 o meu eu de muitos anos atrás.

"Me recuso a ter nostalgia de uma época em que fui menos feliz que hoje"
 
Faz um tempinho que encontrei essa frase no blog da Alice e foi a primeira vez que eu vi um argumento tão bom para justificar a minha falta quase completa de nostalgia. A minha felicidade está toda em ser uma pessoa melhor e, quanto mais para trás eu olho, pior eu me vejo. Eu sempre sinto que estou vivendo meu melhor momento, independentemente do que está acontecendo na minha vida. Talvez, seja uma felicidade que vem de dentro, não sei. Eu definitivamente não sei lidar bem com pessoas nostálgicas, porque, se junta um grupo delas, eu não consigo me encaixar no raciocínio.



Fui no blog da Lisa catar essa imagem que tá sempre ali na sidebar, porque, se existe uma boa definição para o conceito, ela tinha que estar no Inútil Nostalgia. Toda vez que eu bato o olho nessa imagem, eu fico MAS, MEU SENHOR, DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO? Que presente doloroso? Sinta as good vibes! Vamos aplaudir o sol! Bota um sorriso nessa cara! etc.

Sempre que alguém vem cheio daquela vontade de voltar no tempo para reviver uma época específica, me dá uma coceira, uma agonia, e eu nunca reajo da forma que sei que a pessoa espera. Confesso que sou MUITO RUIM em lembrar das coisas, mas, até do que eu lembro, eu não sinto tanto falta. AI, QUERIA TANTO VOLTAR PRA LÁ. Mas Deus me livre! Vai sozinho. Não volto, não. Tô feliz aqui mesmo.

O Felipe daqueeeeele tempo provavelmente era sério demais. Eu confundia grosseria com sinceridade e achava que estava tudo bem. Eu tinha uma vergonha imensa de fazer uma série de coisas triviais, tanto que, se eu pudesse voltar no tempo, eu voltava, mas só se fosse pra fazer tudo diferente mesmo. Não é que eu ignore ou odeie o passado. Eu só me sinto mais completo agora, menos fechado, menos sisudo. Eu tenho um leque de opções incríveis que eu não tinha em épocas passadas. O amanhã parece tão, mas tão promissor que eu me recuso, me recuso totalmente a ficar sonhando com o que passou.

Posted on quarta-feira, novembro 11, 2015 by Felipe Fagundes

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