Daí que eu terminei de assistir Faking It, uma série da TV em que duas garotas, melhores amigas, fingem um relacionamento para serem populares na escola. Mais ou menos isso. Vocês já devem ter sacado que, duh, tem uma escola como cenário, e com isso eu já pensaria "Mais um high school da vida" e não estaria errado, porque Faking It é realmente um high school, mas um high school muito doido. A premissa básica da escola da série é: inversão social. Os personagens brincam com isso o tempo todo. A patricinha loira e rica que sempre está presente nessas histórias é desprezada, os excluídos são os populares, etc. Essa escola é a internet em forma de instituição de ensino.

Gente, pera, esse não é um post sobre Faking It (Mas esse é, recomendo)




Por que as pessoas na internet são tão legais? Todo mundo consciente, respeitador, gente boa. Racistas, homofóbicos e machistas ainda não descobriram como se cadastrar nas redes sociais ou pegar emprestado o wifi do vizinho.

Ok, eu sei que a internet não é um reino mágico de paz e amor, tem gente doidona, tem gente ruim, mas, aparentemente, a maioria das pessoas são legais. Tanto que, às vezes, você olha ao seu redor e zZzZZzZzZ, mas, quando você entra no Tumblr ou no Twitter, parece ter descoberto a felicidade. O engraçado é que pessoas fazem a internet e pessoas fazem o nosso dia-a-dia.

Será que é uma maneira diferente de se comportar? É uma liberdade maior para expressar coisas boas? Eu leio tantas opiniões sensatas sobre tudo, a caixa de comentários lota de pessoas concordando, "Disse tudo!", "Faço minhas as suas palavras", "Concordo 100%". A gente até acredita que, opa, o mundo não é ruim, olha esse pessoal todo do bem, com princípios válidos, torcendo pelas causas que agregam valor para a sociedade.

Mas, nem assistindo o Globo Repórter toda sexta, eu descubro onde essas pessoas se escondem vivem.

Me pergunto se a gente faz mesmo isso. Se a gente deixa para protestar e apontar os absurdos só na internet, se a gente escreve ou compartilha um post sobre ceder o lugar aos idosos, mas não oferece quando tem que oferecer. Me pergunto quantos tweets, textos e postagens indignadas no Facebook o meu Eu Online digitaria sobre as ações e inércias do meu Eu Offline.



Talvez todos sejamos pessoas legais fingindo sermos pessoas chatas, mas ainda não descobri o motivo. As meninas de Faking It, pelo menos, seguem uma lógica aceitável e rendem uma série de Tv legalzinha.