terça-feira, abril 22, 2014

Ainda pensando na Susana Vieira, o X da questão é que a gente se importa demais com a opinião alheia. Somos, de certa forma, dependentes dos outros. Se a gente não deve opinar negativamente sobre a aparência alheia para não abalar a pessoa, é porque a pessoa é quem dá importância para o que a gente diz. Faz sentido? Um caminhão de insegurança na porta de cada um.

Já li mil textos em que os autores afirmam que se vestem para si mesmos, não é pra ganhar a aprovação de ninguém, nem pra fazer inveja, é porque sentem-se bem daquela forma e pronto. Acho que esse é o certo, mesmo, só que esse vago "sentem-se bem" me faz suspeitar de que há aprovações alheias embutidas. Você se sente bem porque está sendo aprovado por algum padrão de beleza. E nem precisa ser o padrão de beleza dominante. Quando você vê uma pessoa com um corte de cabelo esquisito ou uma roupa estranha, pode ter certeza de que em algum lugar, para algum grupo de pessoas, aquilo é legal.

Ou isso ou a pessoa é dessas desapegadas que não liga para nada (curto muito como entretenimento). Nem todo mundo sai de casa com a mente de quem vai pisar numa passarela. Às vezes, eu sou praticante do desapego. Quando alguém comenta da minha barba, por exemplo, eu nem ligo.

- Gente, e essa sua barba, vai fazer quando? Está grande demais! Tem que ficar bonitinho, com a barba feita.
- Não estou aceitando esse tipo de crítica no momento.
- Mas tem que fazer!
- ¯\_(ツ)_/¯

Acho que, sei lá, 1 em cada 100 pessoas não liga para a opinião dos outros. Eu nem conheço pessoalmente uma dessas pessoas. Isso nos deixa no mesmo lugar em que estávamos quando esse texto começou: Quanto mais você critica alguém, mais insegura a pessoa fica. E quanto mais insegura a pessoa fica, mais inoportuno você é.

Posted on terça-feira, abril 22, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 14, 2014

Além de me interrogar, meus colegas de trabalho, obviamente, possuem outras tarefas como, por exemplo, ler notícias aleatórias do EGO e compartilhar suas opiniões com as paredes ou qualquer pessoa que eventualmente possa estar ouvindo.

- Que mulher escrota.
- ...
- Tem idade pra ser avó, tem que fazer coisa de avó.
- Quem, gente?



- ...
- Vai fazer um tricô! Pra quê esse top?
- Acho que com 71 anos a gente já pode fazer tudo o que a Lei permite, né?

A questão é: Por que a vida das outras pessoas importa tanto? Eu quero ser mais específico: Por que a aparência das pessoas realmente importa?

A Susana Vieira não tem que fazer tricô. Ela não tem que fazer coisa de avó. Ela não tem que se vestir como uma avó.  Nem avó tem que se vestir como uma avó. Ninguém tem que fazer coisa nenhuma.

Não sei se vocês percebem o quanto a gente emite opinião sobre a aparência de uma pessoa. E nem é só o emitir. A gente praticamente se incomoda com o que a pessoa veste e dá o veredicto de que a pessoa tem que mudar. O jeito dela se vestir é inaceitável.

E. isso. é. uma. bobagem.

Porque, pensa bem, a aparência alheia não nos afeta em nada. Aquele seu amigo cortou o cabelo de um jeito esquisito? Aquela sua vizinha fica exibindo o piercing na barriga? A garota no ponto de ônibus está com uma tonelada de pó na cara? O cara fez uma tatuagem bizarra? Ninguém se importa. Ou não deveria se importar.

A gente pode ter opinião. Eu continuo achando calça saruel uma roupa patética (jamais usaria), e essa moda de raspar metade da cabeça é, no mínimo, cafona. Mas se a galera quer usar, QUEM SOU EU PRA ME METER? Eu é que não gosto, os outros não tem nada a ver com isso. Eu acho feio, outros acham bonito, então quem usa são eles. As pessoas são inseguras por natureza. Aí você vira pra menina meio careca e diz que o cabelo dela está horrível, que ela não deveria ter feito aquilo? Pra quê? Pra quê fazer a garota se sentir feia? Quer que ela corra pra uma loja de peruca? O que a gente ganha com isso?

Todo mundo deveria se sentir bem com o penteado que escolher, com a roupa que está usando, com o calçado que mais lhe agradou usar naquele dia. Estar feio/bonito é uma coisa tão relativa! Se as calças saruel continuam sendo vendidas é porque alguém está comprado, né?

Se você acha que a pessoa está feia/esquisita/cafona, a menos que ela te peça alguma opinião, guarde pra você. Ela não ganha nada mudando a aparência pra te agradar. Se a gente parar para pensar, nem existem consequências negativas do "estar feio" além das opiniões alheias totalmente desnecessárias.

Isso tudo porque eu quero dizer que é um saco ter que ganhar a aprovação das pessoas o tempo todo, mesmo quando a gente tem 71 anos.

Posted on segunda-feira, abril 14, 2014 by Felipe Fagundes

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