Não é que eu não goste de roupa social, ela é que não gosta de mim. Eu nem discuto, sabe, só vivo minha vida aqui, ela vive a dela pra lá e fica tudo certo. Quase tudo, né, porque, às vezes, ela resolve cruzar meu caminho, e eu me vejo obrigado a fazer uma parceria que, de antemão, já sei que tende ao desastre.

Quer dizer, eu meio que já perdi as contas de quantos cintos eu colei com durex, porque eles simplesmente não fechavam.

Meu pé não é exatamente pequeno, então eu posso surfar em Copacabana com os meus sapatos sociais.

Já senti o ódio de uma camisa social sobre mim, me enforcando no provador de uma loja.

As gravatas seriam mais interessantes se pudessem ser usadas na cintura, eu acho, uma coisa meio cinto do Aladdin. Meio que elas não têm utilidade nenhuma no pescoço, não é verdade? Que elas não leiam esse blog, mas me sinto ridículo, com uma coleira no pescoço.

Eu tive que comprar um blazer para o casamento que aconteceu em Foz e, obviamente, não sabia que blazer, terno e paletó eram coisas diferentes (MAS SÃO!). Isso porque eu tenho mais de 20 anos e sou homem. O que eu precisava: Um blazer preto. O que eu comprei: Um terno cinza. O que eu não deveria ter comprado: Um terno cinza. Gafe cometida, leite derramado, cartão debitado, levei o trabuco para casa. Odiei tanto que o nome ficou esse, mesmo: Trabuco. Sabe canhão? De guerra? Então.

Foi todo um trabalho psicológico intenso pra eu aceitar Trabuco em minha vida. Mentira, foi só um "Filho, cê tá lindo". Mas claro que deu trabalho levar Trabuco no avião. Claro que o cinto dava duzentas voltas no meu corpo e eu estava sem durex em Foz. Claro que o nó da gravata estava mal feito. Claro que minha camisa branca emburrou e decidiu ficar torta. Claro que eu me confundi fechando Trabuco pra sentar e abrindo Trabuco pra levantar.

Mas claro que eu adorei entrabucar e ser um businessman por um dia. Só por um. É que nem aquela alegria que o pessoal sente em vestir fantasia de carnaval: você se acaba na apoteose, mas jamais iria para o trabalho vestido assim.