Quando um amigo vira para mim e diz "Estou namorando", eu reajo automaticamente com empolgação, mas, segundos depois, me vem o pensamento: "Ai, não, perdemos mais um...". Pelo menos, não foi para as drogas ou para o tráfico, mas acho dramático ainda assim. Porque, querendo ou não, aquele amigo vai mudar.

Ou ele vai ter menos tempo ou terá mais restrições ou vai sumir de vez.  Ou a metade da laranja dele vai te odiar e intimá-lo a se separar de você, caso vocês, tecnicamente, possam formar um casal. Acontece nas melhores histórias.


Perdi uma amiga para o namoro dias atrás. O namorado dela era o cúmulo do ciúme, ela mal podia sentar ao meu lado. A loucura foi tanta que ele começou a apagar as mensagens que eu mandava para ela. Quando ele aparecia, ela saía desesperadamente do meu lado. E voltava assim que ele sumia de vista. O cara chegou a, risos, me mandar mensagem escondido dela dizendo para eu me afastar...

Eu entendo que sou um Brad Pitt garanhão, que meto medo nos machos alfa, que as mulheres suspiram por mim e tal, mas, gente: HAVIA NECESSIDADE? Eu sei dividir. Tô brincando.

Decidi romper com a amizade. Não nasci para viver historinha de Malhação. Fiz drama do naipe "Olha, quando você puder manter uma amizade decente comigo, a gente se fala". Não estamos nos falando. A decisão cabe a quem namora, não a mim. Eu é que não vou ficar empatando namoro alheio. Se a situação me incomoda, eu pego meu banquinho e saio de mansinho, mesmo sem o Raul ter me perguntado nada.

Eu gosto dos amigos que não mudam. Quer dizer, daqueles que não mudam radicalmente. É compreensível que haja menos tempo e até algumas proibições. Sobe no meu conceito quem faz valer a amizade. Olho para os amigos solteiros que tenho no momento, torcendo para que eles sejam desse tipo, embora eu torça com mais fervor que esse seja o meu tipo.