sexta-feira, dezembro 26, 2014

Minha mãe ganhou um rack e precisou tirar TV, dvd e todos os enfeites milenares do rack antigo para por no novo, e, assim, durarem mais mil anos. Ficou tudo muito bom, muito bonito, porém: a TV a cabo ficou sem sinal. Minha mãe e minha irmã, meio desesperadas porque interferiram na harmonia do Universo, me chamaram para ver, porque, risos, "entendo de computadores".

A gente ganha um diploma em Ciência da Computação, e galera acha que a gente sabe programar TV, consertar impressora, máquina de lavar, exorcizar notebooks e fazer café sem ler o manual, mas beleza.

Ligávamos a TV e ficávamos olhando para a triste mensagem: "Sinal não encontrado". Eu mal vejo TV, mas família estava se comportando como se um ente querido tivesse passado dessa para melhor. "Ela era tão boa!", "Não posso ficar em casa hoje porque me lembro dela", "Lembra quando a gente sentava junto no sofá e...". Tentei mexer nos cabos e tal, mas sem sucesso. Liguei para o suporte técnico uns dias depois.



- Para falar sobre promoções, tecle 1. Para falar sobre problemas no aparelho, tecle 2...

*vai com o dedo no 2*

... Para falar sobre problemas técnicos, tecle 3...

*ué* *vai com o dedo no 3*

... Problemas com o controle remoto, tecle 4...

Sem sinal é problema no aparelho, no controle ou apenas técnico?

... Para ouvir uma piada sem graça, tecle 9. Para apenas ouvir a voz de uma pessoa para te dar força nos momentos de carência, tecle 10. Para ouvir uma prévia do novo single da Taylor Swift, tecle 11. Para falar com um de nossos atendentes, tecle 12. Para...

MUITAS OPÇÕES. Mas, depois de divagar sobre a lista, escolhi falar com uma atendente. Me pareceu mais coerente, até porque já cansei de Blank Space.

- Bom dia, senhor, essa ligação está sendo gravada, o número do protocolo é: 93767356752523983434...
- Mas, gente.
- 57471238456182345058347589273503784543273095648768...
- Mas como...?
- 3492386482356984510293489237409237487XZYT-$#@***##. Caso seja necessário, enviaremos para seu e-mail.
- Imagina, anotei tudo Ah, tá bom.

Esse e-mail nunca chegou. O dia em que o mundo precisar de um número de protocolo de atendimento para ser salvo, estaremos perdidos.

- Então, senhor, darei algumas instruções para tentarmos resolver o seu problema.

Eu gosto dessa parte da resolucão dos infortúnios, apesar de me sentir muito subestimado pela pessoa do outro lado.

- O aparelho está ligado?
- ...
- Senhor?
- Não, moça, eu achei que funcionava sem ligar. Não funciona? ESPERAVA MAIS DA TECNOLOGIA DESSA EMPRESA Está.
- Tire da tomada, espere 10 segundos e ligue novamente.
- Hahahahah A senhora acredita nisso? Grande suporte técnico Tá bom.

Apenas fingi que fiz, até porque já tinha feito mesmo. Desligar e religar é, tipo, a regra número um da Informática.

- Não funcionou.
- Humn... Retire o cabo branco da entrada XYZ do aparelho e reconecte.
- Moça, chega, só funciona uma vez. ME DIZ LOGO SE NÃO SABE COMO CONSERTAR Pera aí.

Estava rindo do atendimento patético, do alto da minha grande sabedoria universitária, porém fui dar uma olhada na tal entrada XYZ apenas para fingir mais um procedimento e:

O cabo branco. Não estava. Lá.

Não havia cabo.

No meio do caminho não havia um cabo.

No hay cabo.

Habemus cabo. Só que não.

Com minha cara queimando, dei uma olhada geral, porque deveria haver um cabo branco ali, não? Estava ligado na TV. O cabo do aparelho estava na TV, e a gente querendo que a coitada sozinha encontrasse o sinal. Coloquei no lugar certo e... funcionou.

- Funcionou, senhor?

Não tive coragem de me humilhar na frente da minha nova guru espiritual, apenas respondi:

- Opa, o problema foi resolvido :DDD TCHAU.

Desliguei. Zapeei pelos canais enquanto imaginava a atendente, agora com ar de superioridade, falando com a amiga: "Aposto que o cabo estava no lugar errado MUAHAHAHAH". Rasguei meu diploma.

Posted on sexta-feira, dezembro 26, 2014 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, dezembro 19, 2014

Quando a Anna pediu como presente de aniversário que as pessoas fossem doar sangue, eu pensei: PRECISO FAZER ISSO. Experiências! Etc. Quer dizer, pessoas precisam de sangue o tempo todo. Temos sangue. Me pareceu muito lógico doar algo que não me fará falta alguma. Ilógico é banco de sangue passando aperto. Não sei como essa galera não avança na gente para tirar o sangue a força, nem julgaria.

Mas confesso que não foi o espírito cristão do Natal que me arrastou até o Hemorio, fui mais pela curiosidade de fazer uma coisa que nunca fiz.

Eu poderia fazer um relato cheio de informações importantes sobre a doação de sangue, mas, gente, usem o Google. Os sites dos pontos de doação explicam (quase) tudo. Vamos nos focar no (quase).



***

A gente chega, faz um cadastro bem rápido e simples, responde um questionário do naipe SIM ou NÃO e espera até ser chamado para uma ~entrevista~ com um médico. No meu caso, médica.

De início, a pessoa querida FUROU meu dedo. Achei indelicado, de onde eu venho as pessoas dizem seus nomes antes de começar com essas intimidades, mas, beleza, era o trabalho dela. Apenas fingi que não doeu e resolvi dar uma segunda chance para nossa amizade. Claro, teve a balança antes. Quem tem problema com esse aparelho tão temido no século 21 não deve se intimidar, é tudo profissional e você não precisa tirar a roupa (verifiquei). Eu fiquei feliz por não ter menos de 50kg e ser impedido de doar, era uma possibilidade.

O interrogatório A entrevista em si foi interessante, não estou acostumado a pessoas querendo saber de mim nesse nível. A médica apenas repetiu o questionário do SIM ou NÃO, me olhando nos olhos, esperando cada resposta, como se elas não estivessem marcadas no papel sobre a mesa dela. "Minha senhora, está tudo escrito aí", eu quis dizer, mas apenas respondi novamente. Cada vez que eu respondia que NÃO tinha tal doença, eu imaginava ela pensando SIM, VOCÊ TEM. Estava quase confessado OK, EU TENHO AIDS, mesmo não tendo. É um pouco diferente responder num papel e falando com uma pessoa.

- Já fez sexo com homem que teve hepatite, aids, sífilis peste negra ou tenha feito transfusão de sangue?
- Não.
- Já fez sexo com homem que tenha feito sexo com outro homem?
- Não...
- Já fez sexo com homens?
- MINHA SENHORA, ONDE VOCÊ QUER CHEGAR? Não.
- Já fez sexo com prostitutas?
- TEM ESSA PERGUNTA AÍ? Não.
- Já recebeu dinheiro ou alguma outra coisa em troca de sexo?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAH Moça... não.

Na pergunta do sexo por dinheiro, eu realmente dei um risinho de "kkkk essas perguntas", mas a mulher foi impassível. Perguntou tudo muito séria. Se eu fosse ela, apenas me divertiria inventando perguntas:

Eu: Já fez sexo com animais?
Pessoa: Não... oO
Eu: Nem com ovelhas?
Pessoa: Claro que não!
Eu: Jura, amigo? Com essa cara aí?
Pessoa: WTF?!

Eu: Já soltou flatulências em público?
Pessoa: Er... Não...
Eu: Olha, isso aqui é confidencial. A senhora não precisa mentir pra mim. Em elevadores, pelo menos?
Pessoa: Ok, umas duas vezes. .

Eu: Já fez sexo com homem que tenha feito sexo com mulher que fez sexo com outro homem que, na verdade, era irmão gêmeo do primeiro homem, porém malvado e com sífilis?
Pessoa: Talvez...?

Fora esses pequenos constrangimentos, a parte mais difícil para mim foi: COMER. Tinham me dito "Faça uma refeição leve antes de ir", e eu fiz, porém deveriam ter me dito: "Vá morto de fome, descubra seu mendigo interior". Antes de doar, você precisa comer umas coisas que eles dão. No meu caso, foram 3 pacotes de biscoito (naipe Club Social) mais umas balas mais QUATRO copos de suco. Para mim, foi muito (50kg etc). Mas sobrevivi.

***  

A agulha pode ser um pouco assustadora, é a picadinha de um mosquito africano. Você fica meio sentado, meio deitado numa cadeira confortável, abrindo e fechando a mão, sentindo um pouco de incômodo no braço, mas nada demais. Eu perguntei quanto demorava o processo, e me disseram "cerca de 12 minutos". Daí eu, opa, posso começar a ver um episódio de Parks and Recreation, mas, ué, acabou. Foram, sei lá, uns seis minutos.

Levantei da cadeira bem devagar, como se minha cabeça pudesse explodir caso eu fizesse movimentos bruscos. Caminhei lentamente para a saída pensando "Se eu desmaiar aqui... Pera, que cueca eu estou usando? Por que olhariam minha cueca em caso de desmaio? Iam abusar de mim? Por que as pessoas se importam com isso? Digo, com usarem roupa íntima velha, não com abuso..." até que cheguei num refeitório - meu deus, mais comida - onde todas as serventes me amavam como se fossem minha mãe. Tipo um harém sem sexo, sabe?

"Pode sentar, Doador, nós vamos trazer seu lanche."
"Não, Doador, fica sentado, não precisa levantar"
"Parabéns, Doador, aproveite seu lanche"
"Está se sentindo bem, Doador? Pode deixar tudo aí na mesa, nós vamos buscar"

O lanche foi muito melhor dessa vez. Croissant de queijo, bolo de chocolate, uma caixinha de suco, barra de cereal... Nunca que eu ia conseguir comer tudo, mas comi o máximo que deu, pra não cair na rua e tal.

***

Não passei mal. Não senti nada. Andei até a Central do Brasil, passei quase duas horas num ônibus e cheguei em casa sem notar que estava com menos sangue. Eu sei que tem gente que doou e sentiu efeitos colaterais (fraqueza, tontura...), porém a dica que eu não segui é ir acompanhado. No fim das contas, você ainda ganha um dia livre no trabalho e um exame de sangue completo.

A experiência pra mim foi muito positiva, recomendo a todos. Vá para ajudar alguém, vá por diversão, vá pelo lanche, apenas vá. Eu pretendo continuar e, da próxima vez, levar mais gente.


Posted on sexta-feira, dezembro 19, 2014 by Felipe Fagundes

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terça-feira, dezembro 16, 2014

Viajar não entra nem no top 100 das minhas atividades favoritas. Está mais para o bottom, na verdade. Não tenho nada contra a experiência em si, até aprecio quem gosta, porém não tenho motivação. Isso porque, geralmente, as pessoas viajam para conhecer 1) novos lugares e/ou 2) novas comidas. E, quem me conhece sabe, eu não poderia me importar menos com "vistas deslumbrantes", "tardes tranquilas" e "pratos deliciosos".

E são tantas as pessoas viciadas nisso! Gente postando foto do céu de um país, gente fazendo declaração de amor para uma cidade, gente padecendo em casa, clamando pela libertação que é fazer as malas e voar para um destino promissor... Fiquei em crise um dia desses porque eu simplesmente não tenho vontade alguma (Quer dizer, gente, o que o céu de Paris tem de diferente do céu de Nova Iguaçu? É de outra cor?) de me deslocar para conhecer lugares inanimados, logo, onde estava minha motivação para viver?

 Quando eu penso em visitar "lugares maravilhosos"...

O que eu descobri foi que o que eu mais gosto NA VIDA são: Pessoas. Pessoas e experiências vividas com outras pessoas.

(Parece que foi num passe de mágica, né? De um parágrafo para o outro. Mas demorou uns 200 e-mails trocados com pessoas que lidam com as minhas crises gratuitamente) (E não possuem graduação em Psicologia) (Eu chamo de amigos)

Eu até iria para Paris se lá tivesse alguma coisa exclusiva e espetacular que eu pudesse fazer. Não só ver, tirar umas fotos e marcar na checklist como "visitado".

Escalar uma parede! Se pendurar numa tirolesa! Passar por baixo de uma cachoeira! Doar sangue! Usar um capacete Viking! Foram algumas das experiências pelas quais passei em 2014 e que quase me fizeram vestir uma camiseta com a estampa Amo/Sou. E eu lembro de como me senti EXTASIADO passando por cada uma delas, de como fiquei relembrando-as com um sorrisão no rosto e de como eu quis que esses momentos durassem para sempre. E todos eles só aconteceram porque as melhores pessoas estavam envolvidas.

 Se você é uma pessoa legal,
favor receber esse abraço

***

Por mais que eu seja fã do estilo Deixa A Vida Me Levar™, a vida é curta e um pouco preguiçosa demais para fazer as coisas acontecerem. Eu estava naquele momento meio deprê com as fotos de vocês em Miami ou, sei lá, Aracaju (tudo praia) e DECIDI que eu mesmo preciso caçar as minhas experiências.

Não sei se vocês já perceberam que existe um mundo de experiências que a gente sonha em viver, mas meio que esperamos que elas aconteçam. Eu quero ir atrás delas. Quero viver situações e ver se consigo compensar os anos que a vergonha me tirou.

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Conhecer uma tirolesa desse naipe! Cinema 4D! Passar por uma sessão de massagem! Andar a cavalo! Patinar no gelo! Apadrinhar uma criança! Coisas que nunca fiz, quero fazer e, sejamos francos, não são difíceis de encontrar. Já tenho uma lista modesta com uma dúzia de itens.

Vocês já pararam para pensar em coisas que vocês poderiam fazer, mas nunca fizeram simplesmente por não focarem nelas?

Eu quero a ajuda de vocês para preencher minha lista. Que coisas legais vocês já fizeram? Alguma experiência daquele tipo TODO MUNDO TEM QUE? O que seria engraçado de fazer, ainda mais eu sendo todo atrapalhado e abençoado com roteiristas criativos? Tô considerando qualquer coisa exceto as ilegais, as imorais e sauna, que, pelo amor, que coisa sem graça esse lance de sauna. E aceito companhia, hein.

Posted on terça-feira, dezembro 16, 2014 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, dezembro 10, 2014

Não achei que seria tão puxado manter o ritmo que emplaquei em julho, mas, agora, de posse de uma história com início, meio e fim, eu posso garantir que valeu a pena. Quer dizer, eu adoro imaginar novas histórias. Eu sou uma máquina criadora de ficções que ficam só na minha cabeça. Eu deveria contratar um exército de ghost writers e dominar o mundo com uma dúzia de livros publicados por mês. Mas, né, não há dinheiro para tal façanha, o que significa que eu mesmo tenho que colocar a mão na massa.



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Eu olho para alguns livros e vejo algo de sagrado neles. Parece que não foram escritos por pessoas. O próprio Deus talhou em pedra e apenas passou discretamente para o homem publicar em papel. Eu leio as frases e fico MEU DEUS... COMO? MAS... MAS... O QUE ACONTECE NA CABEÇA DESSA PESSOA? Genialidade pura*. Esses são os autores com lugar já reservado no céu.

Porém, há uma segunda categoria de escritores, que consiste basicamente em: todo o resto. Esses não recebem muitas visitas das divindades inspiradoras. Não, esses precisam talhar suas próprias pedras e montar seu caminho sinuoso para algum lugar indefinido que pode ou não levar ao sucesso. Eles são as pedras. O pessoal da segunda categoria são aqueles que simplesmente fazem as coisas. Vão com o que têm, arriscam a fazer o que sabem e torcem para dar certo no final.

Acabei de dar um abraço na galera do segundo grupo e de dizer "Calma, vai ficar tudo bem".

Livro não é magia. Não são escritos numa única tarde de sol e brisa, nem imediatamente depois de, opa, tive um sonho legal, acho que termino de escrever um romance antes da Sessão da Tarde. Não é mesmo magia. Livro é esforço, disciplina, alguma renúncia, um pouco de desespero, reclusão, luta contra a procrastinação e outros demônios menores. Livro é fazer surgir tempo e força de vontade que não existem, é seguir em frente sem inspiração.

Livro é esperança e diversão também. AINDA BEM.

Estou pagando por todos os meus pecados cometidos contra escritores nesses anos de internet, blogs e redes sociais. Contra todos aqueles que eu jurei que tinham fumado um baseado durante a escrita, contra as escritas as quais chamei de porcas, contra os plots que eu chamei de ridículos e contra todos os autores que gonguei menos John Grisham. Não há perdão para você, John. Você me gongou, eu te gongo agora EU NÃO SABIA DO CAOS. Gente, é uma luta desenvolver personagens coerentes. Você quase chora quando chega no capítulo 10 e vê que tudo ainda faz sentido, embora você não saiba exatamente como. Levar um plot do início ao fim é como puxar um cachorro teimoso pela coleira por um caminho no qual ele não quer andar. Nós esquecemos coisas, escrevemos besteiras, ficamos com vontade de apagar tudo e começar outra história. Apenas preciso aplaudir de pé essa galera que chega até o fim e consegue fazer um leitor - nem que seja só UM mesmo - realmente gostar do que foi escrito. E ainda pagar por isso.

Aplaudindo Stephenie Meyer, E. L. James, 
Elizabeth Chandler, John Green, Dan Brown, seus guilty pleasures...

Longe de mim criticar quem chega lá, com base no argumento "Ah, isso até eu faço". Não, amigo, você não faz. E, se faz, está perdendo teu tempo urubuzando, deveria estar fazendo e ganhando dinheiro também. Vai lá, boa sorte.

Escrevendo, eu pude ver que todo livro, mesmo aqueles que parecem terem sido feitos nas coxas, são frutos de trabalho duro, porque simplesmente não dá para cuspir tudo no papel. Mesmo quando a publicação parece toda errada, eu tenho certeza que o autor começou porque acreditou ter tido uma boa ideia, que ele revisitou parágrafos, que ele teve insights durante a escrita e que ele achou o trabalho final, pelo menos, aceitável. Ou seja, ele deu o melhor dele naquele momento. Se a crítica geral não apreciou o resultado, apenas me resta torcer para que o autor aprimore suas habilidades e comece outra história do zero.

E não é como se eu não fosse criticar livros nunca mais. PORQUE EU VOU. Vou discordar das ideias, vou pensar em frases melhores, vou notar as incoerências e olhar feio para as saídas fáceis. Mas vou ler com empatia, de preferência aprendendo com os deslizes alheios.

* Só quis colocar o primeiro grupo no pedestal, sei que os gênios trabalham pesado também. Mas não consigo abandonar a impressão de quem tem um dedo de Deus naquelas palavras.

***

Então, eu tenho um original para odiar, pôr fogo, jogar no lixo, pegar de volta, revisar, editar, cortar e, finalmente, me dar por satisfeito. O que vem depois da satisfação, eu realmente não sei. Por hora, vou seguir a dica que me deram de deixar a história descansando por um tempo antes de começar a revisar. Até porque, honestamente, quem precisa de descanso sou eu.

Deixa eu tirar a poeira desse blog.

Posted on quarta-feira, dezembro 10, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 15, 2014

Caí nesse texto sabe Deus como. Eu sou o louco dos blogs pessoais, saio clicando em tudo que é indicação, em tudo que é blogroll, em tudo que é link com promessa de me fazer feliz com coisas do cotidiano. Daí que eu topei com o tal texto, que achei hilário, mas gigante, e ninguém é obrigado, onde a mulher passa por um perrengue que faz os meus serem fichinha e pensa em pedir ajuda para alguém. Mas daí ela pensa em quem viria imediatamente nessa emergência e desiste de ligar. É, é hilário, mas triste.



Quem sou eu pra saber do futuro? Mas, amigos, fiquem tranquilos. No dia que eu precisar esconder um corpo, vou fazer sozinho, quero complicar vocês não. E nunca exigiria que vocês largassem tudo para me ajudar num crime, imagina.

Só que junta o texto do Milarga com essa cena clássica de Grey's Anatomy, e eu te pergunto: Quem é a MINHA pessoa? Daí eu acabo esse texto com esse questionamento deprimente e com o sentimento QUERIA ESTAR MORTA no meu coração.

BRINCADEIRA!


Na triste época em que receber um salário deixou de fazer parte da minha vida, eu participei de um processo seletivo num lugar que, meu deus, nunca me senti tão deslocado. Sabe aquela sensação de entrar numa sala para concorrer com umas 50 pessoas de terninho, calça e sapato social, quando você está de tênis e calça jeans? Eu sei. Era muito intimidador. Acho que roupa social deixa as pessoas uns 20 anos mais experientes. A primeira fase foi uma prova escrita pelo capeta, que eliminou mais da metade dos participantes. Eu sambei fiquei. Deveriam ter dito que a etapa mais desafiadora seria o coffee break.

Montaram várias mesas com doces, salgados, pães, sucos, café, refrigerante, uma infinidade de opções. Nem consigo comer nada nessas ocasiões, meu estômago embrulha, mas, beleza, encostei numa pilastra. Eu vi o pessoal conversando, batendo papo com a maior facilidade, comendo, rindo... Do nada, o lugar ficou super claustrofóbico pra mim. Eu não conseguia entrar nas conversas, não conseguia participar, nem comer. Ficar parado fora de uma rodinha estava me matando de vergonha (Não sei se vocês já sentiram isso, certamente tem uma palavra em alemão ou francês que descreva esse sentimento). Eu meio que pirei.

Pensei por 2 segundos em fingir que estava falando no celular, mas, gente, sensatez. Liguei pra Jéssica, e acho que nem disse oi:

- Felipe??? *sintam a perplexidade porque eu muuuuito raramente ligo pra alguém*
- FALA QUALQUER COISA.
- Oi?
- QUALQUER COISA. Tô morrendo aqui no processo seletivo.

E falamos aleatoriedades por tempo suficiente para eu me acalmar, o break até já estava acabando. Nossa, aquilo valeu TANTO pra mim. Eu nem fiquei sabendo onde ela estava, com quem estava (Só depois. Risos. Desculpa.), o que estava fazendo. Só sei que meu dia foi salvo.

Eu nem consegui a vaga de emprego. Mas o que marcou meu dia foi uma coisa boa. Foi saber que My Person existia, e estava ali. Faz a gente sentir que fez alguma coisa certa na vida, né? Talvez não sempre, mas My Person é uma via de mão dupla. Amizade de verdade se faz com duas pessoas.

Daí que, mais importante que ficar deprimido porque nenhum nome surgiu na sua mente, é notar se você foi a My Person de alguém, se você já socorreu alguém quando esse alguém precisou. 

Pensa aí e me conta aqui nos comentários ;)

Posted on segunda-feira, setembro 15, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 08, 2014

Se eu mentisse para vocês e inventasse situações que nunca aconteceram, vocês teriam causos novos toda semana, mas nenhum seria tão surreal quanto esse que, de fato, ocorreu. Não comigo, verdade, mas com minha mãe, o que é tão bom quanto. Minha mãe estava trabalhando quando recebeu uma ligação de número desconhecido:

- Alô?
- OI, DONA, A GENTE ASSALTOU UM BANCO, SUA FILHA ESTAVA NO LUGAR, ELA FICOU NERVOSA E REAGIU, PEGAMOS ELA.
- OI???
- MEU COLEGA FOI BALEADO, QUEREMOS 3 MIL REAIS. É A SUA FILHA! 

*uma menina chorando no fundo*

- CAROLINE, MINHA FILHA, CAROLINE.

[Pausa para uma dica especial para quando sequestrarem alguém da família de vocês: Não digam o nome da pessoa se o bandido não disse antes.]

- QUEREMOS 3 MIL REAIS, DONA. 3 MIL.
- ....
- ..........
- ..............
- .........................
- Moço, eu não tenho esse dinheiro. Onde vou arrumar 3 mil reais?
- É A SUA FILHA, DONA.
- OLHA AQUI, MEU SENHOR, eu vim trabalhar hoje porque estou devendo x reais e não tenho como pagar! [Devendo pra mim, inclusive] Tô aqui me matando pra conseguir esse dinheiro! TRABALHANDO. EU NÃO TENHO 3 MIL REAIS.
- ....
- ...............
- Moça, a senhora é doméstica?
- SOU.

[Pausa para minha reação: "Mãe, por que você disse que era empregada doméstica se nem é?", "Eu senti que era o certo"]

- Ô, dona, desculpa, isso aqui é um golpe. Não é sua filha não, é um golpe, pode ficar tranquila. Liga pra sua filha, vê se ela está bem. Desculpa aí.

*desliga*

Bandido bom é bandido que respeita nóis pobre.

Posted on segunda-feira, setembro 08, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, agosto 25, 2014

Em 90% dos casos que me dão vergonha extrema, eu sei que o que sinto é irracional, ilógico. Saber disso não diminui em nada a vergonha, não é algo que eu escolho sentir ou não. O pior é que, quem me conhece pessoalmente sabe, eu fico visivelmente vermelho, nem dá para disfarçar. Mas, enfim, eu comentei no último texto como esse meu medo de passar vergonha me tira um monte de coisas.

Daí que meu aniversário chegou (e já passou faz mais de um mês, gente, não precisa me parabenizar!), e eu queria dar a mim mesmo um presente especial. Eu sempre faço isso. Um presente marcante, útil, revolucionário e satisfatório. Entendam que minha definição de especial é uma coisa muito pessoal. Então, inspirado pelo meu livro favorito, eu descobri o que eu queria.



Aí comprei uma vela perfumada.

Brincadeira. 

Dei a mim mesmo uma Semana sem Vergonha. Uma semana de ousadia (UEPA!), de confiança e de autoestima alta. A vergonha não iria embora da noite para o dia, né? Não, continuei com vergonha, mas, nessa semana, eu me proibi de deixar de fazer coisas que queria só por sentir vergonha. Não era uma semana de proibição, na verdade. Era uma semana de permissão. Tudo estava permitido, mesmo que meu psicológico dissesse que, ei, você não vê como está ridículo? 

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Foram muitas emoções? FORAM.

Uma coisa que eu tinha que presenciar toda semana era a ginástica laboral que tem lá no trabalho. Gente, que troço constrangedor. Basicamente, é um alongamento. Chega lá o profissional da ginástica, convida todo o pessoal da sala (Você, seus colegas de trabalho, os velhos, os novos, a secretária, o pessoal do cafezinho, seu chefe) e faz coisas que você vê na academia ou numa aula de Educação Física. "Estica o braço, mão direita nas costas, desce até o chão, bunda pro alto, segura o  pé esquerdo". Tipo, ali. Na sala. Você em posições antinaturais na frente dos seus colegas de trabalho. Eu morria só de olhar. A maioria do pessoal participava, eu não. Mas queria. É um benefício, se alongar faz bem, um clima de descontração e tal, a menina que aplica a ginástica é super legal etc.

EU FIZ. Ninguém acreditou quando eu fui o primeiro a levantar (nem eu). Minha cara queimou? SIM. Me bateu um cagaço? SIM. Cheguei a cagar nas calças de verdade? TALVEZ. Mas fiz tudo. Ainda ri, fiz piada (Fazer piada é minha defesa automática), gostei. Resultado: Faço sempre agora. A vergonha diminui a cada vez.

***

Outro momento grandioso pra mim foi quando eu fui num casamento, que é a festa onde gosto de me esconder e ficar sentado no meu lugar do início ao fim. Eu quis me desafiar naquela brincadeira da gravata, quando os padrinhos passam de mesa em mesa pedindo dinheiro para os noivos. O cara passando com o microfone, fazendo piadas (ruins), galera colocando 2, 5, 10 e 20 reais no chapéu, chega na minha mesa.

- O QUE QUE ESSA MESA TEM DE BOM? ACEITAMOS TUDO.

Só gente nova na mesa, todo mundo duro. Eu só me movimentei pra chegar no microfone e:

- ACEITA DENTE DE OURO?

Ah, lavei minha alma. A comoção geral da festa foi eu colocando uma oncinha no chapéu discretamente.

- UMA ONCINHAAAAAA. MEU DEUS DO CÉU, ALGUÉM FILMA ISSO AQUI. TOMA, JOGA A ONCINHA DE NOVO.

E eu tive que encenar o lance, pessoas batendo palma, flashes, todos rindo, eu rindo com um pedaço enorme da gravata... Festa de pobre, sempre as melhores. Gente rica não sabe viver.

Sei que vou morrer quando ver as fotos e assistir a filmagem. Mas, ó, foi bom.

***

Conversei com pessoas no ônibus, no metrô, no refeitório. Usei capuz para não deixar minhas orelhas congelarem no Metrô, coisa que sempre quis fazer. Pedi informação, apareci em fotos, usei um mictório, entrei num carro, SUBI NUMA MOTO.

***

Falhei terrivelmente numa festa que me chamaram para dançar quadrilha. Eu queria muito, mas não deu. Só pra ficar registrado que todo mundo tem limites e não é fácil encarar todos os seus medos assim logo de cara. Não deve ser saudável. Mas juro que fica para uma próxima oportunidade porque, caramba, aquela dança estava muito boa.

***

Jogando os sete dias da Semana Sem Vergonha na ponta do lápis, o saldo foi positivo. Nossa, que semana. Eu adorando tudo, mas torcendo que, pelo amor de Deus, acabasse logo. E acabou. Não morri, não sofri bullying algum, ninguém riu de mim, só deu em coisa boa. O bom é que, depois desse desafio, eu levei o que deu certo comigo. Estou fazendo a laboral todo dia. E me convidem para o casamento de vocês porque eu estou planejando causar comoção com uma truta dessa vez :P

Foi o melhor presente, recomendo a todos, daqui a pouco eu apareço com mais história.

Posted on segunda-feira, agosto 25, 2014 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, agosto 14, 2014

Teve uma época em que existia, entre outras tantas, uma pergunta que eu não sabia responder: "Qual é o seu maior medo?". Tem gente que responde na lata. Medo de altura, de escuro, medo de ser enterrado vivo, da morte. Nem era por que eu não tinha resposta, eu tinha várias na verdade. E, por várias, eu quero dizer muitas. Não conseguia escolher um dos meus muitos medos paralisantes. E acho normal a pessoa ter algum medo de altura, medo de morrer, a gente nunca sabe se pode ter um serial killer no escuro... Existe instinto de sobrevivência, né? Mas eu não via como dançar ou posar para uma foto poderia me matar. Mas de alguma forma me matava por dentro.

Daí que eu fiz uma lista com todos os meus medos para saber qual deles era o maior dos maiores. Fui escrevendo sem pensar muito, lembrando de todas as vezes que senti aquele pavor sem explicação, que deixava minha cara quente, minhas mãos suando, tudo girando... Parei no medo nº 30 porque, gente, medo de TRINTA coisas? Não é normal, né? E eu podia continuar enchendo a lista com muito mais itens. Parei para analisar e constatei que, na verdade, os trinta medos (e contando) eram variações muito específicas de um só: Humilhação Pública.


Demorei um pouco para absorver, mas, putz, total era isso. Eu tenho medo de Academia porque não sei lidar com os aparelhos, me imagino sentando do lado errado ou usando para alguma coisa que eles não servem, todos rindo de mim, tirando fotos. Mesma coisa de pedir bebida no almoço. Não sei as opções, detesto me embolar na frente das pessoas, fazer o garçom esperar, não saber os valores, correr o risco de atirar o garfo em alguém (já fiz). Morro quando tenho que passar perto de crianças jogando bola, vejo a bola me acertando na cabeça ou alguém pedindo pra eu chutar, e eu chutar de um jeito desengonçado ou tropeçar na bola e cair...

Loucura, né? Já perdi muitos momentos na vida por causa desses medos. Quantas caronas pra casa eu já perdi com vergonha de entrar em carros ou subir numa moto! Quantas vezes eu quis dançar, mas fiquei sentado vendo o povo se divertir pra caramba! Já perdi a conta das fotos das quais não participei e me arrependi depois de vê-las no Facebook. Se você der uma stalkeada básica nos meus álbuns, vai ver que apareço em poucas fotos (E com certeza reclamei "Foto nãaaooo" em todas que apareci antes de serem tiradas). Vai notar que troco a foto do perfil uma vez na vida e outra na morte. Vergonha por não ser fotogênico, sair todo troncho, pessoas comentando, piadas de mau gosto...

Vocês devem achar tudo isso meio idiota e exagerado, eu sei como é ver a coisa de fora, mas é por isso que aceito todo tipo de medo que os outros tenham. Tem medo de palhaço? Tem medo de pente fino? Tem medo de sentar num balanço? Beleza. Respeito. Fica na tua que eu fico na minha.

Posted on quinta-feira, agosto 14, 2014 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, julho 31, 2014

Eu deveria criar uma tag Igreja para este humilde blog, porque, meu deus, todo dia surge um causo épico. Eu deveria criar um blog só disso, na verdade.

Minha prima saiu um dia desses com uns amigos da igreja, foram numa pizzaria. Daí rolou aquele momento de "Fulana, vamos no banheiro comigo?" e, claro, não fugiram do padrão do século XXI e foram usar o banheiro para o que ele realmente serve: tirar uma selfie. Ou meia dúzia delas.

A amiga chorou quando viu a foto, os demais amigos ficaram assustados, eu ri. Gente, sério. Se eu visse a selfie na internet, juraria que era uma daquelas montagens óbvias de tão perfeito que o trem estava.

Booo!

Convenhamos, não é tipo aqueles vultos e borrões que galera jura que é fantasma, demônio ou o espírito do Mc Daleste. É bem nítido que tem um rosto ali. E, né, hilário, o intruso ainda parece estar rindo. Quando ela me mostrou a foto, eu: "GENTE??? Deve ser um cartaz oO". Mas falei só para não cair no senso comum do espírito maligno fotogênico, porque que cartaz horroroso seria esse no banheiro da pizzaria? Filme de terror? Evento para emos?

Só sei que a selfie rodou a igreja toda. TODA. T-O-D-A. Do cara que fica na porta até o pastor. Teve gente passando mal de medo (juro), nego dizendo que o diabo estava seguindo uma delas, nego falando que era uma pessoa cagando. Toda uma corrente de oração ativada e tal. Confesso que fiquei com um pouco de medo também, porque, né.

Daí que eu pedi a foto para minha prima, queria ver de perto, queria jogar no Google e ver se achava alguma coisa. Ou só queria ter para meter medo nos outros e tal. Vi que elas tinham tirado várias selfies parecidas e, opa, volta aquela ali.

Não tô creno no que tô veno

Olha, francamente. Um monte de gente orando para exorcizar um cartaz. Eu estava quase mandando para a Band, daria um programa sensacionalista e maravilhoso de 3 horas. Não sei se rio ou se choro. O diabo tá rindo, com certeza.

PS: Tô dando casa, comida e roupa lavada pra quem descobrir que cartaz tenso é esse.

Posted on quinta-feira, julho 31, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, julho 21, 2014

Existe aquela falácia de que fofoca é coisa de mulher. Quando surge um homem que aprecia o compartilhamento de informações, as pessoas se sentem obrigadas a comentar "Noooossa, pior que mulher". Até porque os seres mais fofoqueiros do universo são as mulheres. Não me darei ao trabalho de procurar por estatísticas, mas, honestamente, apenas acho que fofoca nada tem a ver com o gênero da pessoa. Inclusive, acho que há mais homens fofoqueiros Vide aquela famosa série de TV. Vocês sabem qual. Esqueça aquela imagem da fulana comentando no ouvido da outra, da dona na janela querendo saber da vida dos outros. Qualquer comentário que você faz sobre uma coisa que você ouviu, principalmente quando você altera a informação, é fofoca. É muito difícil você ouvir um homem falar "Vamos fofocar", mas quando você percebe o que acontece na prática...

Mas, enfim.

Estava eu assistindo a aula de domingo na igreja (que, ironicamente, não é exatamente o lugar menos propício para fofocas), fazendo parte de um círculo de cadeiras, o professor falando alguma coisa da qual já me esqueci. Estávamos ao ar livre, porque os demais lugares estavam ocupados com outras turmas, é melhor para ficar longe do barulho. Juro para vocês que eu estava prestando atenção, até uma conversa atraiu minha atenção. Uma mulher parada perto do círculo estava contando em voz baixa para um homem que:

- Pastor foi para o hospital... É, passou muito mal... Quase não conseguia dirigir... Está internado.


Gente, eu só ouvi isso. Quer dizer, nem era da minha conta. Nem estavam falando comigo. Ouvi casualmente e jurava que não tinha absorvido aquilo por osmose. A aula rolou por mais alguns minutos, até que o professor, que é carne e unha com o pastor, diz:

- Que estranho. Pastor não apareceu até agora. Não sei o que houve, ele não me disse nada.
- Ele não tá no hospital?

Eu falei automaticamente. Sem pensar. Silêncio no recinto.

- PASTOR ESTÁ NO HOSPITAL?

Sabe aquele desespero que bate quando você sabe que fez besteira? Mas tentei minimizar.

- Esquece o que eu disse, continua a aula, sei de nada.

E a aula continuou. No final, todas as classes se reuniram para fazer a oração final para todo mundo ir feliz para casa. Meu professor ficou encarregado de fazer essa oração, todos se colocaram de pé, ele pegou no microfone e:

- Então, pessoal, vamos orar. Mas, antes disso, uma pessoa comentou que o Pastor...

Gelei. 

- ... está INTERNADO no HOSPITAL, o FELIPE me disse, eu não estou sabendo de nada direito, VAMOS ORAR PELO NOSSO PASTOR.

Gente. Eu não sabia onde enfiar minha cara. A igreja toda virou pra mim como se eu tivesse informações valiosas sobre o estado gravíssimo do pastor morrendo no hospital, meu professor com os olhos cheios d'água. A mulher que tinha me "passado" a informação olhou para mim com cara de "COMO VOCÊ SABE???". Gente, podia ser qualquer outro pastor. Podia ser qualquer coisa. E nada da terra se abrir pra me engolir.

- Er...

Mas a mulher falou por mim e explicou o caso. Pastor passou mal e estava no soro. Só. Mas quem disse que a minha cara vermelha sumia?

Olha. NUNCA MAIS. Meu deus, nunca mais. Fofoca é coisa de mulher? NÃO. Homem faz fofoca? FAZ. Depois desse momento embaraçoso, eu vou tomar cuidado com as coisas que eu ouço e falo? TALVEZ. Não existe nenhum nível de fofoca aceitável, né? Existe fofoca do bem? Acho que não, uma pena, vou ter que trabalhar mais nisso.

Posted on segunda-feira, julho 21, 2014 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, julho 11, 2014

Já faz um tempinho que eu saí da fase em que meu único objetivo na vida era tirar uma nota boa na prova da semana que vem. Aquela fase sofrida em que nem nosso próprio dinheiro a gente tinha. Nós ainda acreditávamos ter algum tipo de super poder, que éramos invencíveis, que sabíamos de tudo ou quase tudo mesmo conhecendo nada ou quase nada. É, faz um tempinho.



Mas também não é como se eu já estivesse pensando qual é a melhor escola para as minhas crianças. Eu nem tenho crianças. Meu deus, eu nem estou planejando crianças. Também nunca pensei com que tipo de móvel eu quero decorar a minha casa, não pensei em que cor de tinta quero por nas paredes. Eu nem saí da casa da minha mãe e nem pensei em sair, para vocês entenderem. Parece que eu ainda não comecei a minha própria vida, apesar de ter me formado e estar trabalhando 8h por dia.

Qual é a ação corriqueira que transforma um young adult num new adult? Seria receber correspondências com meu nome? Seria aprender a enviar coisas pelos Correios? Seria convidar amigos para um jantar caseiro? Seria ir no supermercado por vontade própria para comprar papel higiênico, pasta de dente e detergente porque o que tinha em casa acabou?

Eu me sinto com um pé em cada mundo ao mesmo tempo que não estou em mundo nenhum. Eu não me encaixo com a galera falando do último livro adolescente que virou filme, mas também não sento no bar com os amigos para fazer sei lá o que os adultos fazem nos bares. Às vezes, acho pessoas com menos de 18 anos um porre total. Meu deus, vocês não percebem que Harry Potter foi bom, mas que existem outras histórias ainda mais marcantes? Às vezes, adultos são um porre total. Acham que Harry Potter é uma coisinha idiota e blábláblá vamos trocar piadinhas sujas? Eu nem terminei de ler Harry Potter.

- Vocês assistiram a finale de Faking It??????
- Não
- ...

Sei que meu clube está espalhado e escondido por aí. Sei que vocês estão disputando para conseguir um espacinho no high school ou na happy hour. Bom, enquanto a magia da adultescência não acontece comigo, eu vou ficar aqui sentado esperando vocês.

Posted on sexta-feira, julho 11, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, julho 07, 2014

Uma coisa que a humanidade custa em acreditar é que os seres humanos não são os seres mais iluminados do universo. Eu votaria nos golfinhos ou nos coalas.  A gente não consegue se importar com tudo o que deveria, precisamos de empatia ou outros sentimentos menos nobres para fazer as coisas certas acontecerem. A Empatia, que é uma palavra que gosto tanto, acaba sendo uma faca de dois gumes, porque ela simplesmente dribla a lógica e nos faz tender mais para o lado daquele caso que nos toca, daquela história com a qual nos identificamos, daquela situação que nós conseguimos acompanhar de perto. No fim das contas, tem tudo a ver com a gente. Somos o centro do universo.

Daí que estou assistindo vocês postando textão mimizento contra a Copa, contra a reação de apoio das pessoas ao Neymar, que perdeu o sonho de participar da final desse campeonato e tal. Mas tem gente passando fome! Mas tem gente sem casa! Mas pessoas morreram no viaduto que caiu em BH e ninguém foi canonizado no Twitter, vocês dizem, que absurdo!

Gente, é a Empatia. Pode ser ainda pior do que a Consideração. Levanta a mão quem já ouviu falar das crianças desnutridas na África. Agora, levanta a mão quem já conheceu, mesmo que de longe, uma dessas crianças. Por fim, levanta a mão quem já fez alguma coisa efetiva para ajudá-las. Contaram as mãos levantadas em cada caso? Então.


Neymar foi onipresente nas propagandas, quase foi o artilheiro da Copa, salvou o Brasil diversas vezes em campo... Até o sósia do Neymar é querido pelas pessoas. O Neymar é aquele seu conhecido gente boa. Longe de mim querer canonizar o jogador, só estou dizendo que é a Empatia aparecendo de novo. Eu mesmo não derramei uma lágrima pelo pessoal literalmente morrendo de fome na Etiópia, mas fiquei na maior deprê com a notícia de que um ex-Survivor morreu, só por ser apaixonado pelo programa.

Tem viaduto caindo, acidentes trágicos acontecendo, gente vivendo em condições precárias, nego morrendo todo dia. Todo santo dia. Imagina você sofrendo por todo mundo. Imagina você querendo salvar o mundo. Acaba que a Empatia limita a nossa ação, mas também a nossa dor. A gente sofre por quem a gente conhece ou, pelo menos, por quem a gente compreende e se identifica. E não é pouca coisa não.

Concordo que soa patético o hype da hashtag #ForçaNeymar se você for parar para pensar em outros dramas e tragédias da vida. Mas, repito, a empatia dribla a lógica. Não dá para forçar empatia nas pessoas, total perda de tempo, e você ainda paga de chato. Porque é realmente chato forçar as pessoas. Triste, mas é a realidade.

Não acredito que vocês me obrigaram a escrever um textão mimizento.

Posted on segunda-feira, julho 07, 2014 by Felipe Fagundes

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terça-feira, julho 01, 2014

Então, né, ainda estamos naquela de "Quero escrever um livro", e acho que a vontade não vai passar. Eu não poderia ser hipocritazinho, dar uns tapas na cara da galera e obrigar todo mundo a correr atrás dos sonhos sendo que eu mesmo não me mexo para alcançar os meus. Logo, estou correndo. Digo, escrevendo.

O problema de um dos seus sonhos ser escrever um livro decente é que não há muita coisa a ser feita a não ser simplesmente escrever. Então, estou tentando fazer alguma coisa de verdade e atacando em duas frentes:

1) Construir: Que é escrever. Mas escrever com vontade de terminar. Arrumar tempo para escrever. Eu estou chegando 1 hora mais cedo no trabalho para usar esse tempo extra na história. Sem contar que estou acordando 2 horas mais cedo no fim de semana para escrever mais. Parece meio louco, às vezes, mas, se eu quero terminar, preciso de tempo. Era isso ou ficar mimimi não tenho tempo pra ser feliz mimimi.

2) Aperfeiçoar: Que é, risos, escrever. Porque quanto mais se escreve, melhor você fica (teoricamente). Mas é uma coisa que você até consegue perceber analisando livros de autores famosos. A escrita tende a melhorar com o tempo. Eu até vejo isso lendo os textos VERGONHOSOS que eu postei no começo do meu 1º blog.

O difícil é praticar querendo terminar uma história e querer que ela fique a melhor possível. A solução que eu achei foi a de escrever mini contos avulsos. Separei uns dias para isso, e tem funcionado para mim. O legal é que os mini contos fazem parte do universo da história principal, então, além de praticar a escrita, eu trabalho com os personagens, vou testando coisas que funcionam ou não. Fica aí a dica.

Acabei de postar Minha Amiga Ressaca no WattPad, aliás, e, para não perder o costume, estou implorando que vocês apareçam lá para me dar uma força. Sério, gente, me animem aí. Se vocês gostarem do conto, cliquem na estrela do "vote". Deixem seus comentários, nem que seja um "HAHAHAHAH" ou um "kkkkkkkk" ou um "Posso te falar uma coisa complicada?". Porque esse tipo de coisa impulsiona o conto no ranking de histórias do site, quanto mais para cima na lista, mais visibilidade. Bebê Interessante ficou em 2º lugar nos primeiros dias após a publicação! :)

Mas, falando do mini conto (4 páginas) propriamente dito:

"Sabe aquele livro perfeito, que mexe com você de tal forma que, se você pudesse, casaria com ele? Então, esse livro ACABA. Melodee já passou por esse término traumático várias vezes e sabe que sempre é difícil começar um relacionamento com um livro novo. Ainda mais quando sua famosa amiga resolve dar um "Oi". Sei que ela é sua conhecida também".

É uma comediazinha beeem sutil. Se for realmente legal, compartilhe! Tô de olho em vocês compartilhando links chatos no Facebook e retendo as coisas boas [/fim do momento pedinte]

(Eu também escrevi um conto para a coletânea FUTURA, mas já pedi tudo o que tinha que pedir no post dela)

Então, é isso. Estou vivo. Estou escrevendo. Estou feliz. Estou correndo atrás de um dos meus sonhos da forma que sei, da forma que posso. E é o que tem para hoje.

Posted on terça-feira, julho 01, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 23, 2014

Daí que eu terminei de assistir Faking It, uma série da TV em que duas garotas, melhores amigas, fingem um relacionamento para serem populares na escola. Mais ou menos isso. Vocês já devem ter sacado que, duh, tem uma escola como cenário, e com isso eu já pensaria "Mais um high school da vida" e não estaria errado, porque Faking It é realmente um high school, mas um high school muito doido. A premissa básica da escola da série é: inversão social. Os personagens brincam com isso o tempo todo. A patricinha loira e rica que sempre está presente nessas histórias é desprezada, os excluídos são os populares, etc. Essa escola é a internet em forma de instituição de ensino.

Gente, pera, esse não é um post sobre Faking It (Mas esse é, recomendo)




Por que as pessoas na internet são tão legais? Todo mundo consciente, respeitador, gente boa. Racistas, homofóbicos e machistas ainda não descobriram como se cadastrar nas redes sociais ou pegar emprestado o wifi do vizinho.

Ok, eu sei que a internet não é um reino mágico de paz e amor, tem gente doidona, tem gente ruim, mas, aparentemente, a maioria das pessoas são legais. Tanto que, às vezes, você olha ao seu redor e zZzZZzZzZ, mas, quando você entra no Tumblr ou no Twitter, parece ter descoberto a felicidade. O engraçado é que pessoas fazem a internet e pessoas fazem o nosso dia-a-dia.

Será que é uma maneira diferente de se comportar? É uma liberdade maior para expressar coisas boas? Eu leio tantas opiniões sensatas sobre tudo, a caixa de comentários lota de pessoas concordando, "Disse tudo!", "Faço minhas as suas palavras", "Concordo 100%". A gente até acredita que, opa, o mundo não é ruim, olha esse pessoal todo do bem, com princípios válidos, torcendo pelas causas que agregam valor para a sociedade.

Mas, nem assistindo o Globo Repórter toda sexta, eu descubro onde essas pessoas se escondem vivem.

Me pergunto se a gente faz mesmo isso. Se a gente deixa para protestar e apontar os absurdos só na internet, se a gente escreve ou compartilha um post sobre ceder o lugar aos idosos, mas não oferece quando tem que oferecer. Me pergunto quantos tweets, textos e postagens indignadas no Facebook o meu Eu Online digitaria sobre as ações e inércias do meu Eu Offline.



Talvez todos sejamos pessoas legais fingindo sermos pessoas chatas, mas ainda não descobri o motivo. As meninas de Faking It, pelo menos, seguem uma lógica aceitável e rendem uma série de Tv legalzinha.

Posted on segunda-feira, junho 23, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 16, 2014

Num ranking de mensagens cafonas e batidas, acho que "Corra atrás dos seus sonhos" só perde para "Siga o seu coração". Logo abaixo vêm todas as que envolvem o poder do amor ou da amizade. Mas, aparentemente, Verdade e Breguice andam juntas, e essas mensagens estão aí, desde sempre salvando a galera nos romances, nas aventuras e em todos os filmes da Disney. Mas vamos nos ater ao "Corra atrás dos seus sonhos".

Amigo, se o sonho é seu, quem tem que fazer acontecer é você, porque ninguém mais se importa.

Outros podem te ajudar, claro, mas tudo tem que começar com você. Pode pedir a ajuda de Deus, do diabo, da Dilma ou do Luciano Huck, mas alguma ação você tem que fazer. Ou você fica aí de braços cruzados se apoiando no 0,0005% de pessoas que ganharam coisas de mão beijada.

Corra atrás dos seus sonhos. Corra MESMO atrás dos seus sonhos. Com isso eu quero dizer que muita gente tem o sonho de ser ou fazer um monte de coisa, mas você já reparou que poucos são os que, de fato, correm atrás? Pra tudo tem que ter um caminho, tem que ter um início. Parece óbvio, né?

Nego quer entrar na faculdade, mas não vejo estudando. Nego quer ganhar uma promoção, mas não vejo agregando nenhum valor. Pessoa quer ser modelo, ator/atriz, cantor, whatever, mas nunca correu atrás de um curso, de contatos, NADA. Pessoa quer escrever um livro, mas nunca organizou a vida seriamente para tentar finalizar o bendito. Tenho um amigo que pira com tudo relacionado a dublagens de filme, talvez seja um sonho dele, não sei. Mas um dia eu fiquei pensando: Como será que se faz pra virar um dublador profissional? Qualquer um pode dublar? Tem que ser ator? Alguém tem alguma ideia? Porque eu também não tenho. Mas, amigo (você que está lendo, não o meu amigo, porque ele parece saber), se esse é o seu sonho, você já deveria ter a resposta, né?

Tem muita coisa legal que a gente nem faz ideia que existe. Às vezes, o caminho das pedras está todo marcado. Joga no Google, entra em contato com quem já chegou onde você quer chegar, procure cursos, procure dicas, junte dinheiro. Depois volte aqui e me conte como foi.



PS: Eu queria um daqueles gifs bem bregas do Orkut, com brilhos e gatinhos, mas preferi não apelar.

Posted on segunda-feira, junho 16, 2014 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 29, 2014

1) Gente que cobra consideração: Acredito piamente que existe mesmo essa força cósmica que ulula entre as pessoas chamada consideração. É aquela coisa que ninguém escreveu sobre, não é determinada por lei, não veio dos versos das músicas pop, mas todo mundo sabe que está ali. Sendo que, ao mesmo tempo, ninguém é obrigado a ter consideração (Sério, pensa direito aí). E acho cobrar consideração uma das coisas mais embaraçosas.

- VOCÊ NEM LIGOU PRA MIM PRA SABER COMO EU ESTAVA DESDE A ÚLTIMA VEZ QUE NOS VIMOS.
- Eu te vi de manhã. Ainda é meio-dia.
- MAS VOCÊ É MEU MELHOR AMIGO.
- ...

Assim, se você acha que a pessoa deveria ter consideração e não tem, você simplesmente desapega dela. Vamos buscar consideração em outro fulano. 
 
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2) Sapatos que machucam o pé: Um tópico polêmico. Apenas discuto toda vez que vejo uma amiga usar um sapato dementador, mas que "awn é tão bonito". Longe de mim querer determinar suas prioridades, mas mais longe ainda compactuar com procedimentos de tortura capitalista. Se está machucando seu pé, jogue fora. Existe um leque de possibilidades confortáveis entre o salto agulha e as botinhas ortopédicas.

(Nada contra saltos, até tenho amigos que são, mas eles parecem ser os principais causadores de dor nos pés)
 
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3) Meias molhadas: É meio triste, né? Deveriam existir mais dramatizações cinematográficas sobre essa situação, todo drama de hollywood poderia começar assim, com o protagonista sentindo as meias molhadas e sem a possibilidade de trocá-las num futuro próximo. Já causaria um impacto de partir o coração no público. Obviamente, hoje é um dia de chuva e estou tentando passar meus sentimentos por esse texto, embora eu sinta que possa me faltar o glamour dos mocinhos do cinema.

Posted on quinta-feira, maio 29, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 19, 2014

Se leva quase 3 horas para se chegar em um lugar, já conto como viagem. Então, viajo muito, todos os dias, da casa para o trabalho e do trabalho pra casa. Eu sou meio que fã de ônibus porque, né, imagina se eu odiasse. Dá pra se fazer de um tudo dentro deles (coisas permitidas pela lei, veja bem). Eu leio, estudo, ouço música, escrevo, faço minhas contas, troco mensagens, preparo os pacotes que tenho que enviar pelo correio... E olha que eu nem tenho internet móvel. Sobra tempo também pra se fazer todo uma crítica social e descompromissada que ninguém está afim de ler, mas, opa, eu tenho um blog.


 Tenho pra mim que a pessoa que teve a ideia de por assentos preferenciais/prioritários nos transportes públicos estava genuinamente bem intencionada. Assim, até comove. Surge o senhorzinho com as pernas bambas, a dor na coluna e/ou no corpo todo, entra a moça grávida carregando mil bolsas, sobe no busão o camarada de muletas, e as pessoas imediatamente se levantam com um sorriso no rosto e cedem seu lugar. Quem ganhou o lugar sente a felicidade instantânea que só quem já ganhou lugar numa lata de sardinha consegue sentir, e a pessoa de bem que levantou fica com os benefícios do altruísmo na alma. Todos felizes. Todos ganham. A humanidade é linda.

Mas ninguém gosta de dar o lugar.

Sejamos francos, quem quer saber dos benefícios do altruísmo? Amigo, eu quero é roncar bastante no assento. Eu quero é terminar As Crônicas de Gelo e Fogo antes de chegar em casa. 

Mas eu dou meu lugar. Sabe, é um lugar que precisa ser dado. Pouco importa se a gente gosta ou não, dane-se o altruísmo, faça por fazer mesmo, já vai servir. Ninguém vai morrer por ficar em pé, tem gente que trabalha assim, só que sempre será mais difícil para as pessoas contempladas pelo assento prioritário. Custar custa, mas...

A lógica do assento prioritário é que ele garante que uma meia dúzia de pessoas que precisam (menos que isso) vai conseguir lugar. Porque, se depender das outras pessoas, elas ficam em pé. Ainda tem gente que senta nos assentos marcados e fazem a egípcia, mas beleza. Só que, como as pessoas são muito caridosas e sensatas, ao invés do assento garantir lugar, ele restringe lugar. Se o IPEA fizesse uma pesquisa, daria que 90% dos passageiros concordam que idoso só deve sentar no "lugar dele".

"QUE ABSURDO! Eles não ficam na fila, entram na nossa frente e ainda pegam nosso lugar!"

"Cheio de banco amarelo pra sentar e eles sentam nos nossos. Depois acham ruim a gente sentar no deles e fingir que está dormindo" 

"MAS QUE P*RRA. A gente voltando do trabalho e esses velhos passeando"

"Por que essa mulher não pegou no ponto final?"

Apenas mandaria todo mundo para os Jogos Vorazes. Um dia desses, ainda comprarei briga, anotem aí.

Galera, não existe "lugar deles" e "nosso lugar". Na real, TODOS os assentos deveriam ser prioritários. O certo é todo mundo ter que levantar mesmo. O assento prioritário chega a ser patético, porque é um instrumento da lei pra forçar uma coisa que deveria ser natural. E, gente, idoso senta onde quiser. Grávida senta onde quiser. E, se eles querem passear, ninguém tem nada a ver com isso. Isso aqui é Brasil, galera, com 80 anos nego ainda está querendo trabalhar porque aposentadoria não é grande coisa. Existe aquela frase de que o trabalho dignifica o homem, e isso até pode ser verdade, mas a volta para casa certamente caga com toda a dignidade que o trabalho deu.

Eu sei, eu sei, lugar em transporte público vale quase mais que barras de ouro, mas aguenta só mais um pouquinho. Daqui a pouco (com sorte), você estará velho e certamente cobrará seu assento, então vamos manter a coerência desde já.

Fim do desabafo. Uma pena eu não ficar grávido, mas me aguardem quando eu estiver na terceira idade.

PS: O título desse texto foi totalmente sequestrado do So Contagious, mas juro que sou só uma pessoa de bem que ficou sem criatividade num momento crucial.

Posted on segunda-feira, maio 19, 2014 by Felipe Fagundes

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terça-feira, abril 22, 2014

Ainda pensando na Susana Vieira, o X da questão é que a gente se importa demais com a opinião alheia. Somos, de certa forma, dependentes dos outros. Se a gente não deve opinar negativamente sobre a aparência alheia para não abalar a pessoa, é porque a pessoa é quem dá importância para o que a gente diz. Faz sentido? Um caminhão de insegurança na porta de cada um.

Já li mil textos em que os autores afirmam que se vestem para si mesmos, não é pra ganhar a aprovação de ninguém, nem pra fazer inveja, é porque sentem-se bem daquela forma e pronto. Acho que esse é o certo, mesmo, só que esse vago "sentem-se bem" me faz suspeitar de que há aprovações alheias embutidas. Você se sente bem porque está sendo aprovado por algum padrão de beleza. E nem precisa ser o padrão de beleza dominante. Quando você vê uma pessoa com um corte de cabelo esquisito ou uma roupa estranha, pode ter certeza de que em algum lugar, para algum grupo de pessoas, aquilo é legal.

Ou isso ou a pessoa é dessas desapegadas que não liga para nada (curto muito como entretenimento). Nem todo mundo sai de casa com a mente de quem vai pisar numa passarela. Às vezes, eu sou praticante do desapego. Quando alguém comenta da minha barba, por exemplo, eu nem ligo.

- Gente, e essa sua barba, vai fazer quando? Está grande demais! Tem que ficar bonitinho, com a barba feita.
- Não estou aceitando esse tipo de crítica no momento.
- Mas tem que fazer!
- ¯\_(ツ)_/¯

Acho que, sei lá, 1 em cada 100 pessoas não liga para a opinião dos outros. Eu nem conheço pessoalmente uma dessas pessoas. Isso nos deixa no mesmo lugar em que estávamos quando esse texto começou: Quanto mais você critica alguém, mais insegura a pessoa fica. E quanto mais insegura a pessoa fica, mais inoportuno você é.

Posted on terça-feira, abril 22, 2014 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 14, 2014

Além de me interrogar, meus colegas de trabalho, obviamente, possuem outras tarefas como, por exemplo, ler notícias aleatórias do EGO e compartilhar suas opiniões com as paredes ou qualquer pessoa que eventualmente possa estar ouvindo.

- Que mulher escrota.
- ...
- Tem idade pra ser avó, tem que fazer coisa de avó.
- Quem, gente?



- ...
- Vai fazer um tricô! Pra quê esse top?
- Acho que com 71 anos a gente já pode fazer tudo o que a Lei permite, né?

A questão é: Por que a vida das outras pessoas importa tanto? Eu quero ser mais específico: Por que a aparência das pessoas realmente importa?

A Susana Vieira não tem que fazer tricô. Ela não tem que fazer coisa de avó. Ela não tem que se vestir como uma avó.  Nem avó tem que se vestir como uma avó. Ninguém tem que fazer coisa nenhuma.

Não sei se vocês percebem o quanto a gente emite opinião sobre a aparência de uma pessoa. E nem é só o emitir. A gente praticamente se incomoda com o que a pessoa veste e dá o veredicto de que a pessoa tem que mudar. O jeito dela se vestir é inaceitável.

E. isso. é. uma. bobagem.

Porque, pensa bem, a aparência alheia não nos afeta em nada. Aquele seu amigo cortou o cabelo de um jeito esquisito? Aquela sua vizinha fica exibindo o piercing na barriga? A garota no ponto de ônibus está com uma tonelada de pó na cara? O cara fez uma tatuagem bizarra? Ninguém se importa. Ou não deveria se importar.

A gente pode ter opinião. Eu continuo achando calça saruel uma roupa patética (jamais usaria), e essa moda de raspar metade da cabeça é, no mínimo, cafona. Mas se a galera quer usar, QUEM SOU EU PRA ME METER? Eu é que não gosto, os outros não tem nada a ver com isso. Eu acho feio, outros acham bonito, então quem usa são eles. As pessoas são inseguras por natureza. Aí você vira pra menina meio careca e diz que o cabelo dela está horrível, que ela não deveria ter feito aquilo? Pra quê? Pra quê fazer a garota se sentir feia? Quer que ela corra pra uma loja de peruca? O que a gente ganha com isso?

Todo mundo deveria se sentir bem com o penteado que escolher, com a roupa que está usando, com o calçado que mais lhe agradou usar naquele dia. Estar feio/bonito é uma coisa tão relativa! Se as calças saruel continuam sendo vendidas é porque alguém está comprado, né?

Se você acha que a pessoa está feia/esquisita/cafona, a menos que ela te peça alguma opinião, guarde pra você. Ela não ganha nada mudando a aparência pra te agradar. Se a gente parar para pensar, nem existem consequências negativas do "estar feio" além das opiniões alheias totalmente desnecessárias.

Isso tudo porque eu quero dizer que é um saco ter que ganhar a aprovação das pessoas o tempo todo, mesmo quando a gente tem 71 anos.

Posted on segunda-feira, abril 14, 2014 by Felipe Fagundes

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terça-feira, março 18, 2014

A propaganda já está quase velha, mas só fui prestar atenção há uns dias atrás:



Reparou? Achou estranho? Ficou um pouco indignado?

Não???

Pois é.

A teoria do EFMN (Esquema Falta Mulher Negra) veio de Tão Ontem, livro que já indiquei mil vezes no Fechei. É bem básica. É só reparar, principalmente em comerciais e nessas fotos de banco de imagens, em como a mulher negra é pouco representada. Está lá o homem branco, sempre presente. A mulher branca também. E aí, claro, precisando preencher a cota para negros, escalam o homem negro. Na maioria das vezes, quando há apenas 3 pessoas, essa é a formação. A mulher negra sempre falta. Quando são só dois papéis então, a mulher negra nem deve ser cogitada.



Foi viciante depois que comecei a testar o EFMN em toda propaganda e, meu deus, ele é verdade. O livro é de 2004, mas ainda é verdade. A gente é tão cego com essa, humn, maioria branca que nem repara nesse tipo de coisa. Daí que fui rodar o EFMN nesse comercial da Volkswagen e: A mulher negra não está, apesar de ter uma meia dúzia de mulheres no vídeo. Ok, já estou acostumado com isso, beleza. Só que...

SÓ TEM GENTE BRANCA NESSA PROPAGANDA.

Cara, tem vários homens, várias mulheres, várias oportunidades! Até um RUIVO (2% da população mundial) arrumaram para o comercial, mas um negro... Só se for o cara invisível ou a galera de capacete.

Veja bem, não acho que os criadores se reuniram em seu covil e: "Vamos criar um comercial só com gente branca MUAHAHAHAHAH". Espero que não, quer dizer. Mas o perigo é justamente esse. É um racismo que a gente não percebe. Eu procurei no Google pra ver se já havia uma discussão sobre isso e não achei nada. Se o comercial fosse composto apenas por negros, certamente uma quantidade maior de pessoas notaria esse fato, entende? De alguma forma bizarra, essa coisa da maioria branca está muito intrincada na sociedade. Muita gente nem liga, mas não é estranho? Eu acredito que negros sejam a maioria (No Brasil, pelo menos), mas, ainda assim, são os menos representados. Vide os personagens da Disney. Vide os atores dos comerciais de cerveja. Vide os protagonistas de Malhação. Quando aparece, o negro sempre é a exceção.

E, cara, que esquema é esse? Falta a mulher negra, falta o homem negro, a criança negra, falta todo mundo, só tem gente branca. Jogue "pessoas" no Google Imagens que você vê que é bastante proporcional (Dá pra contar no dedo as mulheres negras)

Se você é negro, claro que você já reparou. Não precisou de um texto num blog e nem de um livro YA pra descobrir isso. Mas eu, que não sou excluído do Esquema STGB, passo batido, porque não me afeta, não me diz nada. É quase certo afirmar que os produtores desse comercial são todos brancos.

Agora, pare, repare, pense. O Esquema STGB ainda acontece pra caramba. O racismo ainda existe, ok? Você pode até não ver gente chamando qualquer um de macaco, mas isso é porque o racismo está por dentro das nossas cabeças.

Li uma frase em algum lugar da internet, nem faço ideia da autoria (Não encontrei), mas diz algo como: "A mulher negra olha no espelho e vê uma mulher negra. A mulher branca olha no espelho e vê uma mulher. O homem branco olha no espelho e vê um ser humano". Acho que esse é o motor do Esquema Só Tem Gente Branca.

Posted on terça-feira, março 18, 2014 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, março 13, 2014



Ok, não é do criador da Wikipedia, mas ainda é um apelo pessoal. É que eu não tenho essa cara bonita, então achei que seria mais impactante assim.

ASSISTA SURVIVOR, POR FAVOR. ME DÊ SUA MÃO, VAMOS SER AMIGOS, VAMOS CRIAR UM CLUBE. ASSISTA SURVIVOR.

Eu adoro reality shows, desses de eliminação, que em cada rodada um participante sai da competição. Já assisti muitos, acho viciante. Tem gente que surta por futebol, por livro, por Justin Bieber, eu surto por realities. Vocês não tem ideia.
Bobinho eu quando achava que BBB era o suprassumo da coisa.

Daí eu descobri Survivor. O melhor reality que já assisti na vida. O-Me-lhor. Se você não curte esse tipo de programa, azar. Mas se você curte e não vê Survivor, VAI POR MIM, ASSISTA. DÊ UMA CHANCE. Sinto que é um desperdício de vida gostar de reality e nunca ter assistido um ep de Survivor. Se você não gostar, beleza, não te julgo, a amizade continua e etc.

Do que se trata?

Pessoas são divididas em tribos e jogadas num paraíso tropical (Tipo, os lugares mais lindos da TV. Globo Repórter perde). A cada 3 dias, as tribos se enfrentam em desafios de lógica, resistência e/ou agilidade. A tribo que perde deve eliminar um de seus integrantes. Quem sobrar no final leva 1 milhão de dólares para casa.

Não parece grandes coisas, né?

POIS É. E você deve conhecer uns 3423876 realities desse naipe, mas Survivor tem um fator que faz toda a diferença:

O PÚBLICO NÃO SE METE.

O público não vota, não se intromete, não salva, não queima, não faz nada. Só fica em casa eufórico com as jogadas excelentes de Survivor. Os participantes dependem única e exclusivamente de sua sagacidade para com seus concorrentes.

E por que isso é tão bom?

Nem sei se consigo explicar. Os participantes JOGAM pra valer. Não tem nego formando casalzinho "porque o público gosta", nem nega se fazendo de santa "pra ganhar a simpatia do público", nem galera fazendo drama pra "conquistar a audiência". Não tem essas jogadas cafonas. As pessoas são sinceras com o público (mentem pra caramba para os outros, mas são sinceras com o público). Está todo mundo ali pra ganhar um milhão de dólares. E isso rende as MELHORES CENAS, coisas impossíveis de acontecerem em outros realities!

 Hahahahah

Os gays mais barraqueiros, esse programa tem
Isso é um MEGA ponto a favor


 Justificativa que nunca vem no BBB

Depois que a tribo perde a prova, e todos sabem que terão de enfrentar o Tribal Council (quem tiver mais votos, rala), as pessoas surtam. Tentam convencer, trocam de aliança, fazem jogo duplo, apelam pra sedução, CHUTAM O BALDE E JOGAM TODA A COMIDA DA TRIBO FORA... E, tipo, uma coisa que nunca vi: a gente assiste o Tribal Council sem saber o que vai rolar. A gente NUNCA SABE. NUNCA acontece o óbvio. NUNCA. Eu sempre termino o episódio assim:



Os próprios participantes ficam chocados com as famosas blindsides (essas jogadas que pegam todo mundo de surpresa). Chega na hora de votar, a galera se ataca abertamente, usando argumentos pra se defender e tentar persuadir os outros. E o apresentador não é um banana, ele faz as perguntas certas, só pra por mais lenha na fogueira!

Gente, é o paraíso de todo fã desse tipo de jogo!

Ídolos de imunidade

Causadores de grandes blindsides. São objetos escondidos na ilha. Quem usar um desses durante um Tribal Council, anula todos os votos que recebeu. Imagina, galera junta votos numa pessoa só, e, RÁ, pessoa usa o ídolo. Aí sai o segundo mais votado, que provavelmente é um coitado que recebeu um voto aleatório e tal.
O lance do ídolo de imunidade é que ele deve ser usado ANTES dos votos serem lidos. Ou seja, a pessoa usa sem saber se precisa usar. Pode usar à toa. Risos. Ou não usar e sair. RISOS.

O final

Mesmo depois da temporada maravilhosa, Survivor ainda tem um grande trunfo: O final. Apenas 3 participantes chegam até a final. E aí eles jogam no dado? NÃO. É o público que escolhe quem vence? NÃO (Deus me livre). Os participantes eliminados é que decidem quem leva o prêmio por meio de votação! E aí a gente vê aquelas pessoas que foram enganadas pelos 3 finalistas com o poder de dar 1 milhão pra um deles Hahahahahah Elas fazem perguntas, máscaras caem, os finalistas tentam se defender, muita coisa constrangedora para nossa alegria e etc etc etc.

OMG, E ISSO NEM É TUDO.


(Para mais informações, tem esse texto aqui que, meu deus, muito melhor que esse)

ASSISTA SURVIVOR. Pelo bem da nação e tal.




~FIM DO APELO~


PS: Atualmente, Survivor está em sua 33ª temporada.

Posted on quinta-feira, março 13, 2014 by Felipe Fagundes

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