segunda-feira, outubro 21, 2013

Teve uma época em que minha mãe estava usando um aparelhinho que media a pressão 24h por dia (ou algo assim, não sou médico). Obviamente, ela andava com ele o tempo todo, um troço preso no braço, com uns cabos aparentemente necessários e o aparelho em si na cintura. Não podia nem tomar banho, veja que degradante. O mais incrível era que minha mãe não podia se exceder. Se ela gritasse ou fizesse um esforço físico muito grande o aparelho começava a apitar e apertar o braço dela. Nesses casos, ela parava imediatamente o que estivesse fazendo, deitava no sofá, colocava os pés pra cima e esperava o bip bip passar.

- FELIPE! OLHA COMO TÁ ESSA SUA...
*bip bip bip*
*deita no sofá*

- QUEM FOI QUE DEIXOU ESSA LOUÇA AQUI NA...
*bip bip bip*
*deita no sofá*

- OLHA ESSE QUINTAL COMO ESTÁ SUJO E...
- Mãe, tá apitando!
*deita no sofá*
*silêncio*
- kkkkkkkkkkkkkkk
- PALHAÇO!
*bip bip bip*

Bons tempos.

Se eu usasse esse aparelho, acho que não apitaria nenhuma vez. Eu não me esforço fisicamente, não grito, não me excedo. Um aparelho útil pra mim seria o inverso desse: Um que apitasse quando eu me refreasse, um que gritasse toda vez que eu optasse por ficar no meu cantinho botando pra quebrar só que não ao invés de participar. Não sou um cara de ousadias. Na maior parte das vezes, eu não me arrependo, mas, de vez em quando, eu gostaria que existisse alguma coisa que me enviasse a mensagem "Cara, SE JOGA". Ou, pelo menos, que fizesse bip bip.

Posted on segunda-feira, outubro 21, 2013 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, outubro 14, 2013

Não sei se vocês conhecem a Meredith. Meredith é uma pessoa complexada. Não, Meredith é uma pessoa muito, muito ferrada. Psicologicamente ferrada. Tão ferrada que fizeram um seriado com 10 temporadas só pra tentarmos entendê-la e nem posso dizer que tiveram 100% de sucesso.

Na vida da Meredith, acontecem um monte de coisas, assim como acontece na vida de todo mundo, mas ela tem o azar de existir apenas num seriado médico, então os problemas dela são um pouco mais interessantes que os nossos. Mas Meredith até tira de letra. Só que, às vezes, tudo fica bem, as coisas estão dando certo, os pássaros cantam e etc, mas Meredith trava. Fica mal. Surta. E ninguém entende bem o porquê. Você fica com vontade de sacudi-la e berrar um VAI SER FELIZ, MULHER. Mas ela não nos ouve (já tentei).

Três ou quatro episódios depois a gente acaba descobrindo que Meredith tem um trauma de infância ou passou por uma situação de choque ou se decepcionou com um milhão de pessoas ou qualquer coisa horrível e inimaginável que fez com que ela ficasse do jeito que é.

Fiquei pensando nas Merediths espalhadas pelo mundo, aquelas com quem a gente não tem três ou quatro episódios para conhecê-las. Eu mesmo já tacho de louca e instável. Vocês já repararam no tanto de gente estranha/babaca/seca/forçada/ruim que cruzou o caminho da sua vida? Aposto que com três ou quatro episódios de convivência a gente entenderia a história sofrida e ficaria até com pena.

O chato é que a gente realmente não tem esse tempo todo. Então, eu só desejo sorte na vida para as Merediths do mundo e minhas sinceras desculpas.

Posted on segunda-feira, outubro 14, 2013 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, outubro 11, 2013

Existem aquelas pessoas que possuem um dom. Pessoas que são excelentes em alguma coisa. Gente que tem habilidade, gente que tem o poder. Todo mundo pode fazer aquela mesma coisa, mas, geralmente, sempre tem um que se sobressai, sempre tem aquele que faz melhor, que faz diferente. E é natural que a pessoa saiba que é boa. Se eu desenho super bem (não é o caso), é normal desenhar com confiança. Se eu cozinho como ninguém (não é o caso) é natural que eu exiba meus dotes culinários para outros apreciarem. Se eu sou o melhor jogador de futebol entre os presentes (Definitivamente não é o caso), é óbvio que serei o primeiro a ser escolhido na formação dos times da partida.

E essas pessoas iluminadas podem ser humildes, falsamente modestas ou não. Elas podem ser arrogantes, metidas, cheias de si e etc. Nem julgo porque tecnicamente elas podem. Com ressalvas, claro, mas, olha, elas podem.

Mas elas já são admiradas o suficiente, então nem queria falar delas. Queria falar das outras. Existem as outras que não tem o talento e sabem seu lugar (é o caso), mas tem aquelas que não tem o talento e, risos, acham que tem. Pior coisa, não desejo pra ninguém. Você saber seu lugar no mundo (E, pelo amor de Deus, não estou falando de não sonhar, nem de preconceitos, estou falando de limitações reais)  é uma benção com a qual nem todos foram abençoados.

Esse tipo de pessoa me mata de vergonha. Gente que se acha sem ter o porquê. Porque a pessoa manda soltarem o som e parar o baile pra que todos possam a ver dançando, e isso chama a maior atenção, todos realmente param pra olhar e... A pessoa está babando. Gente. Que. Vergonha.



Será que não tem um amigo pra dizer "Colega, menos"? Eu canso de enfiar minha cara no chão por causa de gente que super acha que canta e desafina horrores. Gente que acha que dança que nem a Beyoncé, mas erra o dois-pra-cá-dois-pra-lá. Gente que se acha porque fala inglês fluente, mas troca are/is e canta iarnuou iarno silver. Gente como o Viserys de A Guerra dos Tronos, que acha que é O Dragão, mas só racha a cara. Parem.

Ou melhor, não parem. Se for pra parar o baile, tenha certeza de que está realmente dan-çan-do. Ouça os amigos, a família, quem te conhece, profissionais da área. Se for pra ficar babando, por favor, fica na sua que o resto do baile nem vai reparar e nem vai te julgar por estar pisando no pé de todo mundo.  

PS: Só pra deixar claro que esse post não é uma crítica para Anitta. POR FAVOR. Acho óbvio, mas sempre é bom avisar, tem uns fãs perdidos que aparecem... Mas até que funks em geral são um ótimo exemplo de gente que se acha, mas só racha a cara. Até gargalho com alguns.

Posted on sexta-feira, outubro 11, 2013 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, outubro 04, 2013

Atenção: Texto sem spoilers de Guerra dos Tronos! POR FAVOR, deixe assim, não apareça aqui com um spoiler.

O inverno está para chegar...

Nem está, né, porque acabou de acabar, mas eu comecei a ler A Guerra dos Tronos esses dias e queria usar o lema dos Starks em algum lugar. Nem é meu tipo de livro favorito nem nada, mas estou gostando muito, recomendo a todos (Eu só quero alguém mais atrasado do que eu, pra poder surtar comigo).

Tem como não amar a Arya mesmo sabendo que ela pode morrer tragicamente no capítulo seguinte? Filha do Rei do Norte, Arya foi educada pra ser uma dama, uma futura esposa de um nobre, assim como sua irmã e 100% das meninas filhas da nobreza. Mas Arya quer isso? Nada, a menina gosta de aventura, gosta de correr com os lobos, lutas de espadas, descobrir lugares novos.

Morro de rir da forma que ela simplesmente caga e anda pra essas coisas de realeza. Ela foi criada pra ser uma coisa que, risos, ela despreza, ela não quer ser. Acho que todo mundo se identifica com a Arya de alguma forma. Sabe quando querem que você aja de uma forma que você não quer agir ou quando esperam algo de você sem nem te consultar se aquilo condiz com sua personalidade? Eu sei, acontece todo dia.

Eu queria seguir o exemplo da Arya mais vezes e dizer: Não sou obrigado. Vai desagradar um ou dois, mas a vida é de quem, afinal? Como disse um grande filósofo grego: Se não tá mais à vontade, sai por onde entrei.

Só que a Arya tem menos de 10 anos. As pessoas acham que ela ainda tem alguma salvação. Que é só uma fase, que ela vai crescer e entender como as coisas devem funcionar. Arya é rica. A gente tem 16, 22, 30, 40+ e querer ser diferente nos tacha como caso perdido para o resto da vida. E nem na fantasia isso dá certo sempre.

Posted on sexta-feira, outubro 04, 2013 by Felipe Fagundes

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