segunda-feira, setembro 30, 2013

Antes de contar o causo, é necessário que vocês saibam: eu tenho um histórico com lacraias. Odeio tanto quanto elas me odeiam. Honestamente, a lacraia é um bicho vil, peçonhento e desnecessário (Onde elas entram na cadeia alimentar?).

Acho que tenho todo um ressentimento sobre esse bicho, porque foi uma das maiores desilusões da minha infância. Quando a gente é pequeno, as lacraias são apresentadas com o codinome "centopeia" e aparecem como sendo aquele personagem simpático com o corpo cheio de bolinhas e vários sapatos nos pés e etc. 

Pura. Enganação.


Nem nos melhores dias lacraias são assim


Argh...Gente.

GENTE!!!

Como realmente são:
Quando Deus te desenhou, ele tava de zueira ♫


Mas Ok. Se até moça (ex) virgem tomando chicotada de milionário vira romance best-seller, quem sou eu pra dizer que as lacraias não podem ser... romantizadas?
Elas me infernizam. Já perdi a conta de quantas lacraias quiseram meu corpo nu durante meu banho (Sério. Acho que tem um ninho no ralo do banheiro), quando uma não aparece até sinto falta. Já acordei com uma lacraia passeando no meu rosto (!), já achei uma dentro da minha calça (!!!) e etc etc. E então...


***

Sabe aquelas coisas que mães vivem dizendo, mas a gente ignora porque não fazem sentido nenhum? Numa noite de extremo cansaço eu deixei minha mochila no chão e fui dormir, coisa que minha mãe me alertou mil vezes pra não fazer. No dia seguinte, acordo, saio de casa para os compromissos da vida, pego o trem.

Sério, estava super bem na viagem, sentado, com mochila no colo, lendo meu livro e tal. Aí cansei de ler e fui escutar música. Nisso eu já estava uma meia hora no trem. Fui pegar meu mp4 que guardo no bolso da frente da minha mochila, um bolso que nunca fecha de verdade porque só tem um velcro vagabundo e etc.

Só tive tempo de abrir o bolso, ver a enviada de Satã e... fechar de novo. Eu prezo muito pela minha dignidade em público. Olhei para os lados beirando o pânico pra ver se alguém mais tinha visto. Trem cheio, mas ninguém se manifestou.

Agora eu pergunto, amigos. A família nos prepara pra isso? A escola nos ensina como agir numa situação dessas? Os filmes, os livros, as séries de TV te dão alguma dica do que fazer QUANDO UMA LACRAIA ESTÁ NO BOLSO QUE NÃO FECHA DA MOCHILA NO SEU COLO NO TREM CHEIO????

Resposta: Não. 

(  ) Sair gritando histericamente pelos vagões e jogar a mochila para o alto
(  ) Tentar mandar a lacraia discretamente pra bolsa do vizinho
(X) Fingir que nada está acontecendo e pedir a Deus perdão por todos seus pecados

Claro que não tinha mais leitura, mais música, mais NADA. Se a lacraia ficasse quieta no bolso por mais uns 10 minutos, eu poderia me livrar dela sem chamar a atenção e sem parecer ESTRANHO aos olhos de todo mundo (Não que eu não seja, mas ninguém precisa comprovar isso). Mas a lacraia ficou quieta?

Spoiler: Não.

Foi rápido: Ela saiu do bolso, eu dei um tapa, ela caiu no meio do vagão, levantei, pisei, sentei e senti minha cara em chamas na mira laser de todo mundo.

Silêncio. No. Vagão.

Alguém abriu a boca: Olha, já vi até barata nessa porcaria, mas lacraia é a primeira vez. Esse pessoal do trem está se superando! Heheheheh

Nunca mais ignorarei minha mãe. Nunca mais ignorarei minha mãe. Nunca mais ignorarei minha mãe. Nunca mais ignorarei minha mãe. Nunca mais ignorarei minha mãe. Nunca mais...

Posted on segunda-feira, setembro 30, 2013 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 23, 2013

- Então, Felipe, diagnosticamos você como portador da Síndrome de Dsjkfhsejifh.
- Oi?
- Síndrome de Dsjkfhsejifh.
- Isso faz todo sentido!
- Né? Não sei como você não descobriu isso antes jogando os sintomas no Google.

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Mas eu já joguei e não descobri nada (ainda). Sério. Às vezes, eu meio que sonho com o diálogo hipotético acima, imaginando o quanto seria revelador. A pecinha que falta pra esse grande quebra-cabeça da minha vida fazer sentido. É a minha cara ter uma síndrome doida dessas com características psicológicas. Tipo, eu tinha que ser portador de uma delas. Porque aí eu me encaixaria num padrão e tudo seria mais fácil de entender.

Todo mundo já se sentiu deslocado na vida perante um grupo de pessoas, talvez na faculdade, trabalho, igreja, sei lá. Ok. Eu me sinto deslocado entre humanos. Meu jeito de pensar é diferente, meu jeito de andar, de me expressar, de me emocionar... E isso cansa, um pouco. Como se eu tivesse sido criado por lobos (Ou gatos, o que é ainda pior). Acham lindo ser diferente, mas há momentos em que eu só queria ser igual a todo mundo. Com o passar do tempo fui me adaptando melhor, corrigindo alguns comportamentos entre outras coisas, mas, ainda assim, causo estranheza vez ou outra.

Nesses casos alguém poderia dizer "Ele tem a Síndrome de Dsjkfhsejifh" "Ah". E aí todo mundo compreenderia e as coisas voltariam ao normal.

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Não tenho Asperguer. Fui ler sobre os sintomas. Não chego a tanto.

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Falando sério, eu sei que a vida de quem é autista, por exemplo, é super complicada. Veja bem, eu não quero adquirir uma síndrome de comportamento (?). Já sou do jeito que sou, só queria uma explicação.

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Passando na cabeça de vocês:  "Encomendar camisa de força"

Posted on segunda-feira, setembro 23, 2013 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 18, 2013

Não consigo conceber o vazio que uma pessoa que tira sua própria vida sente dentro de si mesma. Suicídio é meio que um desapego quase total. Você está indo embora porque viver está inviável, nada nem ninguém te prende aqui, a vida pode simplesmente continuar sem você. Veja bem, estou só supondo. Como eu disse, não consigo conceber. Conheci três pessoas que suicidaram. A última delas mais profundamente. O que vi foi uma série de sonhos frustrados. Em questão de qualidade de vida (emprego, casa, renda...), a pessoa estava muito melhor que eu, mas a mente muito cauterizada.

Estou tocando nesse assunto por causa de um livro que li faz pouco tempo, Os 13 Porquês (Jay Asher). O livro trata de suicídio, mostrando o passo a passo de uma menina que caminhou de uma vida feliz para esse fim trágico (não é spoiler, é a premissa do livro). Eu achei o livro um tantinho exagerado, apelativo, como me disseram, mas chamou a minha atenção o fato de que os motivos da menina são, humn, comuns. Corriqueiros. Nem todos, verdade, mas a maioria não chega perto de ser um estupro ou algo assim. Não estou dizendo que os motivos sejam menos significativos, mas não é o que passava pela minha cabeça quando peguei o livro nas mãos.

Uma palavra mal dita (ou maldita), um erro de julgamento, a falta de elogios e acusações constantes, boatos... Esse tipo de coisa que levou a menina a tirar a própria vida. É um livro, eu sei, mas eu fico pensando nas tantas pessoas planejando suicidar que toparam comigo e se sentiram com um pouquinho mais de vontade de morrer.

Posted on quarta-feira, setembro 18, 2013 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 11, 2013

Eu tinha uma imagem mental fortíssima do que seria uma demissão. Ok, culpa das noites em que fiquei com a cara em chamas vendo O Aprendiz, ouvindo o João Dória acabar com a dignidade da pessoa e dizer "Você está demitido" daquele jeito tenso que poucos sabem imitar.



Bom, a minha não foi assim. Só ouvi um hesitante "Olha, não poderemos mais continuar com você" seguido de muitas desculpas e etc. Eu meio que não estava preparado pra algo assim, então reagi da única forma que sei: segurei uma vontade louca de gargalhar. Mas passou. Nem teve aquela cena constrangedora de carregar uma caixa de papelão cheia de objetos pessoais pelo corredor do escritório com todo mundo olhando sem saber o que dizer. Nem sempre a vida imita uma sitcom (o que é uma pena, viver numa sitcom é essencial).

Não foi ruim. Eu já queria sair. No final do aviso prévio ainda me ofereceram uma proposta pra continuar na empresa, mas, risos, eu não quis. Por n motivos não dava pra eu aceitar, mesmo se eu quisesse. Ou talvez foi o orgulho ou a vontade de conhecer coisas novas ou de receber uma bolada pela rescisão do contrato de trabalho de uns quatro anos (recomendo a todos). Não vou dizer que foi bom-uhull-vou-dar-uma-festa. Também não é assim. Eu queria ter um plano B em mente. E ninguém gosta de ser dispensado de nada, verdade seja dita. Nunca é bom ouvir "Você não é mais necessário. Um abraço".

Já faz mais de uma semana que eu estou em casa sem ter um emprego. Olha, é um saco. Quem acha que ficar em casa é uma colônia de férias, deveria passar uns dias na minha. O descanso/ócio não compensa. Efeitos colaterais do desemprego:

1) Eu não pego mais ônibus, logo (isso é óbvio, gente) não estou terminando de ler nem um panfleto de 200 palavras por semana. Eu PRECISO dos transportes públicos pra movimentarem minha vida de leitura. Eu sei que isso não faz o menor sentido, mas quem sou eu pra mandar no meu cérebro?

2) Parece que perdi o contato com a civilização: Não tenho mais Correios por perto, nem meu banco, nem papelarias, nem fast-foods, nem o senhor que todos os dias me vendia um bombom.

3) Agora eu tenho tempo pra tudo: Tempo pra trabalhar no TCC, tempo pra escrever todos os textos que eu quiser, tempo pra dormir e isso parece ótimo. Mas também tenho tempo pra morrer de tédio, tempo pra me estressar no Facebook, tempo pra entrar em discussãozinha besta de internet, tempo de ver que nossa família não é perfeita e, às vezes, um tanto disfuncional. Tempo pra surtar.

Resumindo: Me abrace, me dê um beijo, faça um filho comigo, mas não me deixe desempregado por mais de um domingo.

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Quero agradecer a todo mundo que está caçando emprego pra mim. Vocês são melhores do que eu nisso oO

Posted on quarta-feira, setembro 11, 2013 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 09, 2013

Eu e uns amigos marcamos de ir juntos para um curso no fim do mundo que começaria às 14h. A ideia era sairmos de casa ao meio-dia, mas, risos, se existe uma coisa que o ser humano não consegue fazer é cumprir horários. 13h estávamos berrando com nego que mora perto e é o último a chegar, rindo da cara de nega que pela primeira vez tinha chegado antes e estava brigando com os outros e, principalmente, perplexos com fulana que deixou pra fazer a compra do mês no horário marcado.

Mas, ok, estávamos juntos e só precisávamos ir para o ponto do ônibus (que nem era longe). Só que existe um fato muito curioso sobre esses meus amigos: eles adoram estar dentro de um carro. ADORAM. Se desse pra ir de carro do quarto para o banheiro, eles iriam, certeza. Daí surgiu um amigo do amigo do primo da tia do conhecido de alguém com um carro (Realmente não importa quem a pessoa seja. Se tem carro, vira melhor amigo) pra nos levar até o PONTO. Só sei que todo mundo saiu correndo pra dentro do carro como se não houvesse amanhã (Um fenômeno. Tipo quando alguém joga pão para um grupo de pombos).

Fomos mais educados do que os pombos, verdade.
Mas, embora neguem, alguns ficaram com vontade de detonar o carro, sim.

Eu não quis ser o cara chato que fica pra trás e atrasa todo mundo porque prefere ir a pé. Mentira, eu quis sim, mas, né, o horário. Todo mundo se amontoou no carro do conhecido, vários corpos ocupando o mesmo lugar no espaço, um milagre maior que aqueles bichos todos na arca de Noé. Minha cara rachando de vergonha, mas a gente supera certas coisas em nome da amizade.

O carro começou a ir pelo caminho mais longo para chegar ao ponto de ônibus. Nem 5 minutos tinham se passado e:

- Er... pessoal, chegamos.
- QUÊ?

A. Gasolina. Acabou.

- Vocês vão ter que empurrar.

Risos. Minha cara em chamas por ter que descer do carro da Mãe Joana no meio da rua e ir a pé para o ponto de ônibus. Quis apontar o dedo na cara de todo mundo e "Vão ter que andar mais ainda kkkkkkk", mas, né, maturidade sempre.

Vida (de pobre), essa sádica.

Posted on segunda-feira, setembro 09, 2013 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, setembro 05, 2013

Primeiro foi a garganta inflamada. No dia seguinte, eu estava com febre e dores no corpo. Minha garganta ficou queimando como fogo. Não demorou para eu ficar com dor de cabeça, espirrando e catarrando como nunca.



Me considero um cara muito abençoado (apesar de) com anticorpos sempre alertas e uma sorte 5 estrelas no quesito Quebra de Ossos. A única doença séria que peguei foi aquela piada do Mal de Fagundes, que, graças a Deus e uma boa dose de corticoides, passou. Mas essas viroses acabam comigo. Só não fico de cama, porque sou teimoso (mas deveria). Já sou meio atrapalhado quando estou são, mas, gente, esse combo de febre-dor-de-cabeça-espirro me deixa alucinado. Ando como se não houvesse amanhã, querendo só desabar no primeiro lugar onde a sociedade não me julgaria. Dormir ou morrer, o que for mais rápido.

Os mais inconvenientes são os espirros e o nariz transformado em bica. Tenho quase pavor de ser o centro das atenções de alguma coisa. Imagina um lugar silencioso e eu sendo o autor de espirros catastróficos. E aquele escorre, passo o lenço, escorre, passa o lenço, escorre, passa a manga do casaco, escorre, passa a mão, escorre, passa o que estiver por perto, meu deus, cadê meu lenço? O tal pedacinho de pano deveria ser isolado atrás de uma porta com uma placa de "Risco Biológico" no fim do dia.

- ATCHIM!
- Saúde!
- ...
- ...
- ATCHIM!
- Saúde!
- Não é saúde, não, é doença, mesmo.

Pra quê perder um dia indo no médico só pra ouvi-lo dizer que é virose? Pelo menos, todas as minhas viroses se curam com o melhor remédio: (dessa vez não é Rir) Tempo. Tempo e um paracetamol da vida, do qual tenho um estoque ilimitado.Queria sair distribuindo por aí nos meus dias virulentos junto com um "Desculpa aí qualquer coisa".

Posted on quinta-feira, setembro 05, 2013 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 02, 2013

Você está entediado em casa, como num domingo que parece não ter fim. De repente você repara numa porta misteriosa que sempre esteve ali, embora você nunca tenha se perguntado para onde ela leva. Daí você dá seu jeito de passar por ela e descobre um mundo novo, cheio de excelentes possibilidades. Só que o mundo não é tão novo assim. É o seu mundo, só que do jeito que você sempre quis que ele fosse. Foi mais ou menos isso que li em Coraline (Neil Gaiman), um livro encantador, aliás (Falo mais sobre ele num outro blog numa outra oportunidade).



Do outro lado da porta, Coraline encontra uma Outra Mãe sempre sorridente, um Outro Pai que sempre tem tempo para brincar com ela, Outros Vizinhos muito mais interessantes do que os que ela tinha e coisas legais assim. Eu fiquei pensando o que aconteceria se eu atravessasse uma porta dessa...

Minha Outra Casa seria espaçosa, do tipo que me permitiria dar um duplo mortal carpado do quarto pra cozinha, da cozinha para o banheiro, dali pra sala e etc. 

Minha Outra Mãe não se acharia uma especialista em fitoterapia e nem acharia que todos os problemas do universo são causados pelo computador ou por eu não comer banana, nem maçã ou outra fruta qualquer. Meu Outro Pai seria desses que largam tudo pra viajar ao redor do mundo, mas sempre entraria em contato comigo, seja enviando cartões-postais, presentes surreais ou ligando para contar que a Índia é fantástica ou que a Estátua da Liberdade é mais bonita por fotos do que pessoalmente. Assim como Angelina Jolie, minha Outra Irmã seria, não necessariamente, uma celebridade, mas uma dessas pessoas que parecem ter um bom coração e, por isso, adotam crianças do mundo todo e montam uma versão dos líderes da ONU na própria sala de estar.

Eu teria um livro publicado. O Outro Livro seria o começo de uma nova era na literatura, seria o carro-chefe de uma nova febre assim como foi Harry Potter, Crepúsculo, Cinquenta Tons de Cinza... Muito diferente da história cheia de clichês, água e açúcar que estou tentando escrever no momento.

Meus Outros Amigos morariam na minha Outra Rua e eu não precisaria demorar meses para ouvir as vozes calorosas novamente. Talvez, eu salvaria o mundo de mil maneiras diferentes, diariamente, no meu Outro Emprego.

Seria o mundo perfeito. Ou não. Tem uma cena no livro em que viram pra Coraline e dizem que se ela escolher ficar de vez no Outro Mundo, ela terá tudo o que quiser. Ao que ela responde (mais ou menos assim):

"Eu não quero tudo o que eu quero. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria eu ter tudo que sempre quis? Assim, ter tudo não significaria nada"

Concordei com ela. Porque se tudo já está do jeito que você quer, então você não quer. Eu não saberia dar valor pra coisa alguma. Talvez eu não daria valor aos meus amigos se eles estivessem aos montes por perto, sempre disponíveis pra mim. É esquisito, porque ambição é uma coisa boa (com ressalvas), só que nunca teremos tudo. Nada será perfeito. Caso um dia isso aconteça, de eu topar com meu Outro Mundo, eu me estragaria. Absorveria as maravilhas do mundo novo, porém, elas se tornariam banais em pouco tempo. Aí o Felipe não iria existir mais e eu teria que me transformar no seboso, metido e vazio Outro Felipe.

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E o seu Outro Mundo? Como seria?

Posted on segunda-feira, setembro 02, 2013 by Felipe Fagundes

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