segunda-feira, janeiro 21, 2019

2018 foi o ano em que eu escolhi ser vilão. Isso mesmo, eu escolhi ser. Essa coisa de ser muito bonzinho não estava me levando a lugar algum. Quer dizer, até estava, mas para o fundo do poço. Apesar de ser muito desapegado de algumas coisas, eu sou muito coração mole com outras, então eu não tinha certeza se ia conseguir cumprir minha jornada da vilania.


Pois venho aqui dizer que estou satisfeito com meu desempenho. 

Falei palavras duras quando achei que precisava falar, disse um monte de não, neguei ajuda pra gente folgada, desviei daquele pessoal que fica pedindo contribuição pra caridade na rua, me segurei muito pra não dar esmola e não dei, não fiz o trabalho de outras pessoas, não tentei puxar ninguém do buraco que a pessoa não quer sair e encerrei alguns relacionamentos que precisavam ser encerrados. Inclusive, encerrei relacionamentos que eu nem imaginava começar algum dia. Foi difícil, mas, se era pra ter pena de alguém, eu tinha que ter pena de mim primeiro. Isso provavelmente é antibíblico ou sei lá, mas acredito que não cometi nenhum crime perante a lei e minha consciência está 99% em paz.

Eu tive essa fase de me doar 100% para as pessoas. Familiares, amigos, conhecidos e até desconhecidos. Eu fazia de TUDO, dava TUDO o que pudesse pra evitar causar o mínimo de sofrimento ou desconforto pra qualquer um. Todo mundo ficava feliz, menos eu. Não era mesmo um bom negócio pra mim.

Já estava num processo de me distanciar disso acho que desde 2017, mas foi em 2018 que eu CANSEI e corri pra bem longe. Nossa, nem olhei pra trás.

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Não vou dizer que me incomoda, mas fiquei meio surpreso com esse "nem olhei para trás". Se alguém me perguntasse antes, eu diria que sou o tipo de pessoa que olharia para trás. Não me arrependi de nada, mas tem umas coisas que te vez quando BATE e eu fico "Rapaz...".

Eu corri de pessoas. Pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes pra mim, mas que, puf, eu decidi que não eram mais. E não foi só uma ou duas vezes. Acho que 2018 foi o ano em que eu mais substituí amigos. É meio assustador.

Esses dias eu estava pensando se isso é uma fraqueza minha, não aguentar mais. Talvez a vida me calejou nesse sentido e eu não tenho mais forças para sustentar uma relação em que eu tenha que me esforçar demais. Ai, gente, eu só gosto de gente fácil. Eu vejo muitas pessoas ao meu redor, mas muitas mesmo, mantendo relações que podem até não serem tóxicas, mas que eu já teria dado no pé em dois tempos. Uns namoros estranhos, relações com familiares que não deveriam ser do jeito que são, amizades doidas... Eu geralmente me pergunto por que as pessoas aturam. As respostas: Ah, é que ela é minha irmã. Poxa, ele é meu namorado, né, fazer o quê? Eu sou o único amigo dele, não tenho como abandonar... Todo mundo ali PRESO, sustentando com força. Acho que essa foi minha maior vilania de 2018: Dar no pé. Não ando sustentando mais nada. Quando percebem, já estou lá na esquina.

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Por outro lado, eu vejo isso como um sentido-aranha ou sei lá e fujo do perigo. Se esse seu amigo toda hora te irrita, se sempre sai briga quando vocês estão juntos, se ele sempre te decepciona, TALVEZ ele não seja mais seu amigo, já parou pra pensar? Mesmo que vocês tenham 20 anos de amizade. Aí vai lá vocês ficar aguentando desaforo "em nome da amizade". Quando eu começo a notar os sinais de que a coisa não vai caminhar bem, agora eu estou deixando pra lá. Viro as costas, corto o laço, fico vendo de uma distância segura até, mas, ficar me esforçando e correndo atrás "em nome" de sei lá o quê que nem existe mais, isso não quero não. Quem quiser ir embora pode ir, mas quem quiser ficar que fique direitinho, sem bagunçar.

Será que isso já é sinal de velhice, gente? Eu não tenho nem 30 anos.



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Posted on segunda-feira, janeiro 21, 2019 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, dezembro 03, 2018

Um tempinho atrás eu comentei aqui no blog que eu não sabia namorar. Parece que o mundo gira, né, menina? Talvez eu continue não sabendo, mas agora tô no mínimo me esforçando pra aprender.


Ainda acho estranho quando abro a boca e solto casualmente no meio de uma conversa com amigos "Ah, outro dia eu tava com o meu namorado e...". Ainda não fizemos aparições públicas pra eu ter que apresentar "Esse daqui é o meu namorado", mas eu já estou ansioso por este momento. Acho que preciso de prática.

Eu sei que namoros, namoradas e namorados fazem parte da vida de todo mundo desde a adolescência, mas, pra mim, com 27 anos, é uma coisa completamente nova. Às vezes eu tô com ele e me dá um estalo. AI, MEU DEUS, você é meu namorado??? Sim, Felipe. E eu sou o seu??? Sim também.

Quando ele me pediu em namoro, eu hesitei muito. Pedi tempo pra pensar. Dias. Entrei numa espiral de desespero. Chorei ao telefone, e é impressionante como em 2018 eu chorei exclusivamente por causa de homem. Não era porque eu não queria me relacionar com ele. Eu AMO este homem e já estávamos juntos há um tempo razoável. Cinco meses de conversas maravilhosas, de encontros divertidos, de carinho, de abraços, de sinceridade, de DRs deliciosas. Cinco meses desse trem cafona de bom dia bb que é uma coisa que descobri que amo. Nada contra Arthur, tudo contra namorar.

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Cresci rodeado por uma comunidade cristã, digamos assim. Todo meu círculo social mais próximo vinha de lá. Eu acompanhei mais de uma dúzia de relacionamentos e, gente, até hoje não me parecem bons. Casais que brigam TODO DIA, mulheres implorando migalhas de carinho, homens sendo obrigados a fazerem coisas que não querem, gente ciumenta do naipe o fulano não poder sair com amigas e a fulana ter que excluir todos os homens do Facebook. O tanto de discussão ridícula entre namorados que já presenciei não está no gibi. Os dois lados tristes, mas ninguém largando o osso. Só fotão e declaração romântica no Facebook. Deus me livre DEMAIS.

Falei tudo isso pro Arthur, porque esse é meu jeitinho. Derramar tudo na conversa. A resposta dele me faz rir até hoje.

- Felipe, você só conhece relacionamentos héteros. Somos GAYS. Não fazemos assim.

BERRO.

Então resolvi pagar pra ver.

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Arthur ama Pokémon e, num dia qualquer aí, eu e ele fizemos um teste no Buzzfeed: Qual Pokémon te representa? Um clássico. O dele deu Pikachu, o meu deu Machamp. Quando eu já estava SEM IDEIAS do que dar de presente de aniversário a ele, recorri a isso. Foi mesmo uma medida desesperada, porque eu não sei dar qualquer presente assim. Estava quase não dando nada, mas ele tinha me dado o melhor presente que alguém poderia me dar (meias felpudas de bichinho), então eu tive que me ESFORÇAR. Fui até o INFERNO buscar um ilustrador de pokémons e pela primeira vez na vida contratei um. Achei chiquérrimo.

Arte do Luve! Recomendo demais!

Nosso primeiro encontro foi numa roda gigante. Valeu cada centavo pelo brilho no olho do Arthur. Ele agora acha que sou atencioso e romântico.

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Pra história ficar mais fofinha, eu geralmente omito que o teste na verdade era qual Pokémon te representa na cama. Com que cara eu ia contar isso pro ilustrador?

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Achei que eu fosse ser um expert em namoro, que faria tudo certo logo de cara pelo tanto que já observei dos meus amigos. Ledo engano. Mas vou me dar algum crédito porque acho que eu e Arthur desviamos dos erros mais comuns, tipo tratar o outro como se fosse uma propriedade e não saber conversar. Fora isso, já cometi uns deslizes, mas conversamos e nos resolvemos (Arthur, favor não me desmentir em público). Namorar também desencadeou em mim umas coisas que eu nem sabia que eram questões pra mim e que com certeza vou levar pra terapia. E olha que eu nem faço terapia, gente.

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Eu ponderei tudo e aceitei. No fim das contas, é tão legal! Eu amo a intimidade que se cria em tão pouco tempo. Não sei explicar. Não estou falando de sexo e afins, mas tem coisas que eu só tenho coragem de fazer e dizer em voz alta na frente do Arthur. Acho que nos respeitamos muito bem. Não sei o que ele está aprendendo comigo, mas aprendi com ele a comer cebola e assistir Netflix. Às vezes é simplesmente necessário ter alguém por perto a quem você pode abraçar.

Estamos há quase 7 meses juntos e não sei mesmo o que o futuro nos reserva. Dá um frio na barriga, gente. Tenho medo de estragar tudo. Ele diz que eu penso demais no futuro e que é bom vivermos o presente. É claro que eu penso DEMAIS, essa talvez seja minha característica principal.

Me desejem sorte no amor. Nunca fui de ligar pra jogo mesmo.



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Posted on segunda-feira, dezembro 03, 2018 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, novembro 16, 2018

1) A sensação é que eu só fico com vontade de fazer sexo quando já estou fazendo. Gosto muito de abraçar, de dar um beijinho aqui e outro ali, mas só me ocorre "Humn... Sexo seria uma boa" quando já está todo mundo pelado. Sem querer descobri que até tem nome pra essa minha sensação, "desejo responsivo". Pelo que entendi, pois agora sou um estudioso do sexo e aluno aplicado, tem gente que sente um "desejo natural" ou sei lá. A pessoa já chega montada no fogo. Eu sou uma chaleira no fogão, só esquento devagar.


2) Tava conversando com a Clara sobre pessoas que confundem amizade com romance e eu tenho essa teoria de que, com alguns assexuais, as pessoas confundem bastante. Nossa sociedade meio que coloca romance acima de amizade, vocês não acham? As pessoas fazem planos de com quem, quando, onde vão casar e tal. Mas ninguém faz plano de amizade, por exemplo. Amizades só acontecem. Amigos até são legais, MAS O AMOR DA NOSSA VIDA... Nesse sentido, amizades sempre ficam em segundo plano. Só que eu nunca mirei em romance por ser assexual, então meus amigos sempre estiveram em primeiro plano. Eu modéstia à parte sou um amigo muito bom. Me recomendo. E isso confunde um pouco as pessoas. Acho que elas ficam "Como assim o Felipe está me colocando em primeiro plano se não estamos namorando??? Será que ele está me dando mole? Segundas intenções???". Mas não tô. É só meu jeitinho.

3) É muito curioso que eu curta coisas eróticas, mas só até o ponto em que existe alguma sutileza. Dois rostos muito próximos, um rapaz sem camisa, aquelas cenas que mostram mas não mostram... Eu adoro as cenas mais quentes de séries e filmes (Oi, suruba de Sense8), mas não posso dizer o mesmo de nudes e pornô. Eu não entendo o fascínio. Acho feio. Da última vez (que também foi a primeira) que me mandaram uma nude, eu fiquei MY EYES! MY EYES! Apaguei na hora. Pornô é simplesmente algo que NÃO DÁ. Toda aquela fixação da câmera em filmar diretamente orifícios, o tchaca-tchaca-na-butchaca sendo esfregado na nossa cara, eu acho que não precisava. Veste umas roupinhas, gente. Filmem os olhos, a boca, vamos focar na cintura pra cima.

4) Eu sinto vergonha de sensualização. Chego a achar engraçado como gays saem de boca aberta nas fotos para dar algum efeito sensual. Acho que mulheres se saem um pouco melhor. De qualquer forma, não consigo me imaginar na mesma situação. Gente, eu MORRO de vergonha. Não consigo me ver como pessoa sensual e Deus me livre tentar ser. A minha sensualidade está nos olhos de quem vê, eu acho.

5) Ando fazendo um esforço para entender bem o que é atração sexual e qual é a diferença do que eu, como assexual, sinto para o que as outras pessoas sentem. É confuso porque eu acho algumas pessoas atraentes, bonitas e tal. Sinto até um FOGO de querer ficar olhando, estar perto, tocar... Mas para por aí. Agora que já andei tendo algumas experiências com o que eu defini como sexo, até posso dizer que gosto e vez ou outra sinto vontade, mas eu poderia totalmente viver o resto da minha vida sem isso.

6) Quando eu pergunto para as pessoas se elas viveriam de boas sem sexo para sempre, elas me respondem "Você está louco, querido". Acho que isso já traça uma linha entre quem é assexual e quem não é.



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Posted on sexta-feira, novembro 16, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, outubro 18, 2018

Oi, gente! Viajei. E dessa vez eu quase não fiz um diário de viagem, mas me senti obrigado a manter a tradição. Vamos? Vamos.

Pra quem não sabe como funcionam os meus diários: São diários físicos que vou escrevendo durante as viagens, depois eu chego em casa, edito e posto no blog. Então aqui estamos.

Destino: Penedo!


1) Dia desses me bateu um fogo no rabo incrível e eu cismei que ia aproveitar os feriadões pra viajar. Pra onde eu iria? Não sabia. Com quem? Também não sabia. Só sabia o quando e que eu iria de qualquer jeito. Tenta daqui, tenta dali, gente topa, gente desiste, escolhe lugar, troca lugar, mas, com muita força de vontade, agarrei na mão de Taiany e FOMOS. Não sem antes pegar Kelly, que é doida o suficiente pra viajar com gente que ela mal conhece, e Arthur, o menino que eu gosto, que estavam dando bobeira e caíram nessa cilada do bem.


2) PENEDO!!! Confesso que essa cidade no RJ foi escolhida em matérias naipe "dicas de viagens para gente sem muito dinheiro" e "viagens curtas demais que cabem em um final de semana". Eu só sabia que tinha um monte de papai noel e sei lá o quê da Finlândia (???). O fato é que eu pouco me importo com o destino, gosto é da experiência de me mover até outra cidade, dormir em lugares chiques demais para serem a minha casa e a companhia dos meus amigos.

3) Estou fingindo que estou ótimo, mas, ok, não vou só jogar o nome do Arthur aqui como se não fosse nada demais. ESTOU VIAJANDO COM O MENINO QUE EU GOSTO!!! Pois é, quem diria. Praticamente nenhum amigo meu teve a oportunidade de conhecer meu consagrado e claro que meu jeitinho foi meter ele numa VIAGEM DE TRÊS DIAS pra forçar uma convivência direta com as amigas. Tô apostando que vai dar tudo certo.

4) Isso de ainda não ter apresentado o menino que eu gosto aos meus amigos gera uma outra questão: Não sei como me comporto em grupo tendo um interesse romântico ali segurando minha mão. Será que sou daquelas pessoas que abandonam os amigos quando namoram? PIOR, que ficam se pegando em público constrangendo todo o grupo? Taiany me mata se eu deixar ela e Kelly largadas pra dar beijos no Arthur, então estou consciente de ser um amigo decente. Também não posso deixar Arthur de lado pra ficar com as meninas. OU SEJA. Preciso de clones.


5) Não há Uber em Penedo. As pessoas são ricas o suficiente pra andarem de carro o tempo todo ou se hospedarem bem no centro mesmo pra poderem passear pela cidade a pé. Tem, sei lá, 1 carro rodando pela região que deve ser do Seu Zé da Esquina (Na verdade, depois descobrimos motoristas particulares que não atendem pelo nome de Uber, mas sim como "transporte privado especial". Ok)

6) Assim que descemos do ônibus, eu esperava já encontrar uma cidade toda trabalhada em detalhes com madeira, neve, renas, talvez um papai noel cruzando a rua num trenó, coisas básicas de uma cidade com temática de Natal. Talvez finlandeses nativos querendo trocar experiências culturais com a gente, uma dança típica, sei lá. De cara, não é tão Tumblr assim. Sinceramente, não vi ninguém com cara de finlandês, todos poderiam ser meus ex-vizinhos lá de Nova Iguaçu. Não vi trenós.

7) Andamos como condenados (quarenta minutos) pra chegar até nossa pousada e, meu deus do céu, eu tenho que me ligar mais nessas coisas. A gente fez praticamente uma trilha com subidas e descidas, morrendo de fome na cidade gastronômica. Eu só queria BANHO e COMER, o que viesse primeiro, mas o que tinha era caminhar.


8) Graças a Deus a Pousada Bela Vista é um amor. Não vou mentir, de cara assim parece uma grande casa de vó católica, mas olhando mais de perto você vê que essa vó católica é rica, tem bom gosto e tem sauna em casa. Recomendo! Principalmente se você gosta da sua vó católica (eu gosto).


9) Tava todo mundo meio desanimado com a loooonga caminhada até a pousada e tenho que admitir que eu já estava quase pedindo desculpas pra todo mundo. Uma coisa sobre as ciladas do bem é que elas são um sucesso em 99% das vezes. Eu achava que estava diante de um 1%. Só faltava todo mundo se odiar e o quarto ser um cocô mole. PLOT TWIST: O quarto era ótimo! Era um chalé, na verdade. Amo que eu pago pelas coisas sem saber. Quarto grande, banheiro gostoso, tinha até cozinha! Com geladeira, fogão, panelas, tudo que tinha direito. Ficou todo mundo feliz. Taiany ficou gritando PANELAAAAAAS na cozinha e jurou que vamos cozinhar [Vim do futuro pra dizer que não cozinhamos nenhum dia]


10) Era de se esperar que uma cidade conhecida por sua gastronomia fosse rica em opções de lugares para comer, né? Ok, há muitos restaurantes até, mas onde se paga 50 reais numa pizza de mussarela. Não tem condições, gente. Mussarela é só a massa!!! Alguns lugares chiquérrimos, que dariam fotos ótimas, mas só dando na cara de quem escreveu o "dicas de viagens para gente sem muito dinheiro". VOU FALAR A VERDADE NESSE DIÁRIO: Se puder, não coma. Brincadeira, mas, sério, gente, caro demais pra uma comida que não parece justificar o preço. 

11) Foi uma BENÇÃO encontrar o "Crepes e Sabores", que vendiam almoço completo por 16 reais. Repetindo: DEZESSEIS REAIS!!! É menos do que se paga no Rio de Janeiro. E não fomos almoçar crepes! Comi um bife ENORME, com arroz, feijão, salada de alface, tomate e pepino, farofa e batata frita. E tudo muito gostoso! A gente estava até na dúvida se a comida era muito boa de verdade ou se a gente que estava passando muita fome e comendo até pedra, mas chegamos à conclusão de que "Crepes e Sabores" é O MELHOR RESTAURANTE DE PENEDO (segundo o blog Não Sei Lidar & amigos).

16 reais!!!


12) Já com a paz no coração que só um bucho cheio dá, fomos passear! Achei a cidade mais bonitinha à noite. De fato, a rua principal é toda tumblrzinha, tem muita loja de doce e lembrancinhas diversas. Penedo também é destino de lua-de-mel, então tem muita coisa com corações pros casais tirarem foto. Acho meio cafona, mas tudo bem. Pode ser meio ofensivo pra quem está sozinho (pedindo perdão às minhas amigas pessoais e solteiras Kelly e Taiany)

Amor próprio é tudo

13) Não resisti e fiquei um NOJO grudado com Arthur pra cima e pra baixo. Eu até me controlei bastante, mas, gente, vocês precisam me dar uma colher de chá. Eu nunca tive isso! NUNCA. Andar em público de mãos dadas, poder abraçar a hora que quiser, chamar de bb... Eu não sei explicar. E ver todos aqueles casais héteros ali como se demonstrar afeto em público fosse algo natural... Seria uma injustiça a gente se privar disso.



14) Arthur no começo tava meio "Ain, talvez finlandeses votam no Bolsoniron" e eu tentei respeitar, mantendo uma distância segura. Fiquei ATENTO ao redor pra sondar qual era a das pessoas. Minha primeira impressão foi que não havia gays em Penedo. Nem umzinho. Me senti LEVANDO A CULTURA GAY para aquele lugar, tipo um REPRESENTANTE OFICIAL. Mas aí comecei a notar as bermudas curtas, as brusinhas floridas, as mangas de camisa dobradas e amigos que andavam colados demais. Eu e Arthur não estávamos só.



15) Fui pra outra cidade cometer esse crime. Achei fofíssimo que todas as taças tinham nome de princesas Disney. Esse aí é o cadáver da Jasmine.



16) Tinha um Papai Noel em tamanho real que tocava uma musiquinha chatérrima 24h por dia. Sentamos perto dele por meia hora e eu já estava prestes a agredir um idoso de mentirinha. A dona do Papai Noel veio conversar com a gente quando ouviu a gente comentando sobre o dito cujo. "Ah, AQUELA MERDA ALI foi eu que coloquei. Minha loja é muito escondidinha e é ESTA MERDA que atrai as pessoas até aqui. Também não aguento mais ESTA MERDA". Feliz Natal, gente.

17) Uma coisa curiosa é que a audição das pessoas de Penedo é MUITO BOA. Não importa quão baixo você fala, não adianta sussurrar longe dos vendedores, ELES VÃO TE OUVIR. Se você vira pra sua amiga e fala baixinho "Só coisa feia nessa loja", com certeza algum vendedor vai surgir de trás da parede pra dizer "MAS TEM MUITA GENTE QUE GOSTA". Passamos por isso uma dúzia de vezes, pode confiar. Cale a boca quando entrar numa loja.

18) Achamos uma lojinha de enfeites muito Tumblr e ficamos fascinados, dessas que vendem coisinhas fofas e lindas que só fazem sentido na loja mesmo, mas, se você levar pra casa, perde o encanto pois sua casa é feia. De qualquer forma, dava vontade de ficar tirando foto com TUDO de lá, eu encheria meu Instagram de fotos se tivesse um. Minha foto favorita seria com o aviso passivo-agressivo "QUEBROU, PAGOU", que eu li e imediatamente fiquei imóvel com minha mochila enorme, me senti num campo minado. Todos nós compramos ímãs de geladeira de 10 reais. [Aparentemente, decorei o nome da loja e agora trago para vocês a página no Facebook da Pasevida!!!] 





19) Na hora de dormir, eu e Arthur já estávamos sem vergonha nenhuma, certamente que dobraríamos bolsomilhos no braço, ÉRAMOS UM CASAL, SIM, O MUNDO PODE SABER. Até tínhamos uma cama de casal no quarto com as meninas. Eu particularmente acho que me comportei ou pelo menos aparentei me comportar. Que difícil essa coisa de viajar com homem pra uma cidade romântica e não ficar se pegando em tudo que é canto. Sou um vencedor.

20) O plano do dia seguinte é ANDAR A CAVALO. Gente, nunca andei! Muito bobinho você que pensou que eu vim pra Penedo só passear. Vim pela aventura. Cilada do bem!

Continua...





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Posted on quinta-feira, outubro 18, 2018 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 05, 2018

Parece que só agora estou tendo que aprender a namorar. Chega a ser engraçado dizer isso, porque a impressão que há é que é aquele tipo de coisa que todo mundo sabe ou, se não sabe, aprende naturalmente. Deixa acontecer na-tu-ral-men-te. É um conselho que talvez eu nunca tenha seguido na vida.


Fui um adolescente que não pensava em relacionamentos. Assim, é meio impossível não ser afetado pela nossa sociedade, que o tempo todo joga casais e casamentos na nossa cara, é fácil se sentir sozinho e rejeitado e talvez vez ou outra eu tenha me sentido assim. Porém, era raro. Não que eu desprezasse romances, mas eu simplesmente me interessava mais por outras coisas e lá no fundo eu sentia que comigo era diferente.

Só fui conhecer a assexualidade um pouco mais tarde e aí fiquei Ah, agora tudo faz sentido. Eu já tinha percebido observando os relacionamentos dos amigos que se relacionar com outras pessoas não é tão fácil e legal como pregam. Às vezes, é melhor ficar sozinho, gente. Eu não entendia por que as pessoas beijavam na boca e nem como elas tinham coragem de tirar a roupa e se enfiar uma dentro da outra. Eram coisas tão íntimas. Eu me achava incapaz. Aí abri mão.

Meu pensamento era bem simples: Eu estou de boas sozinho + não sinto muita vontade de me relacionar com ninguém + todo mundo gosta de coisas que acho intrigantes + Deus me livre ter que fazer o que todo mundo faz. Aí deixei essa parte da minha vida pra lá. Isso já faz tanto tempo que a sensação é de que sempre foi assim. Eu não conseguia nem visualizar eu namorando alguém. Planos de casamento? Nunca fiz. Sonhar com família, morar junto, ter bebês? Nunca cogitei.

Lembro de ter ido ao Google várias vezes pesquisar Pessoas que não se casam, como fazem na velhice?, Pessoas solteiras 60+ são felizes?, Estilos de vida na terceira idade sem casamento envolvido. Achei algumas histórias e depoimentos que me deixaram mais em paz. Realmente não é obrigatório se envolver com pessoas e é possível ser feliz sem um interesse romântico. Então tava bom. Resolvi focar no meu trabalho, nos meus amigos, um pouco na minha família, nos meus mil projetos pessoais...

Enquanto as pessoas estavam aprendendo como beijar na boca, como se comportar durante um namoro, como lidar com mais de um contatinho entre outras coisas, eu estava matando essas aulas todas. Não estava prestando atenção. Como eu achava que pra mim não ia rolar mesmo, não fazia sentido perder meu tempo com algo que eu nunca ia viver.

Mas aí rolou.


Não sei direito como namorar, gente. Nunca me identifiquei com aquela música dos Tribalistas, até porque antes nem beijar de língua eu sabia também. Não tem como deixar acontecer na-tu-ral-men-te porque não tem nada de natural. Cada dia mais eu percebo que o molde de relacionamento que a gente tem é uma construção social, porque eu não consigo ainda absorver por osmose. Existem regras que as pessoas não me contaram. Eu fico o tempo todo perguntando para os amigos "Num namoro, pode isso? E aquilo? Se acontecer X, eu posso fazer Y? É obrigatório fazer A? E B? Dá pra ter A, B e C ao mesmo tempo?". E olha que eu nem estou falando de sexo (mesmo também tendo muitas questões).

Sinto que não tenho muito espaço para um namorado porque preenchi cada pedacinho da minha vida com outras coisas. Como assim abrir todo um espaço livre na minha agenda para atender uma pessoa? E meus amigos? E minha família? E os livros todos que quero ler? Quem vai colocar minhas séries em dia? E as ciladas do bem que adoro criar? Quem vai escrever meus livros? Vocês sabiam que manter um blog ativo consome tempo pra caramba? Essa é uma questão.

A outra é que, gente, eu quero namorar? Geralmente gente que já namorou muito ou sonhou demais com comédias românticas tem um resposta pronta, mas eu não sei... Será que funciona comigo? Já vi tanto namoro dando super errado... Fico sempre pensando no fator exclusividade, no tempo que a gente precisa ceder, nas diferenças básicas da vida de solteiro pra vida de alguém que namora... Além disso, eu sinto que tô formando minha identidade sexual agora (2018). Antes eu não queria ninguém, agora eu sei que TODOS OS GAYS DO MUNDO são uma possibilidade. Na verdade, TODOS OS RAPAZES QUE GOSTAM DE RAPAZES. É muita gente, são muitas opções. O tanto de realidade de vida disponível. Como escolher só um?

Tava conversando com o menino que eu gosto que eu talvez queira ser que nem a Glória Maria, que tem um namorado em cada país. Ela diz que é fiel a eles, mas só quando está viajando pelos respectivos países. Ela não casa, não mora junto, mas tá aí namorando horrores. O menino que eu gosto prontamente respondeu ENTÃO EU SOU O DO BRASIL. Risos.

Eu tenho vários amigos, por exemplo, e gosto de todos. Eles não ficam o tempo todo comigo e nem ocupam o mesmo espaço na minha vida. Alguns são mais próximos, outros aparecem com menos frequência. Além disso, nem todo amigo eu vou, sei lá, chamar pra fazer uma trilha. Tem amigo que é de trilha, mas tem outros que são de ir ao cinema, de ficar conversando muito, de passeios de aventura, de contar segredos, de desabafar, de pedir conselho, de viajar... Não faço tudo com todos e alguns são melhores do que outros nessa ou naquela atividade. Não é um problema. Todos continuam sendo meus amigos e amo todos. Será que dá pra namorar assim?

É como se o modelo de namoro mais pregado por aí não encaixasse muito com minha rotina. Acho que pessoas em geral não refletem muito sobre isso, pois com 14 anos ou até menos já estão namorando e comprando esse esquema pra si, mas eu tive muuuuuuuito tempo pra pensar. Estou até dando uma olhada em coisas como relacionamento aberto, poliamor, mas até esses formatos que parecem mais moderninhos não me deram ainda a certeza de que são o que estou procurando pra mim.

Eu sei que gosto das pessoas que eu gosto. Gosto de carinho, de atenção, de companheirismo. Descobri que também gosto de beijar na boca e otras cositas más. Amo gente que se interessa pelas minhas coisas. Amo ser amado e poder amar de volta.

Preciso pra ontem aprender a namorar de um jeito que funcione.



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Posted on quarta-feira, setembro 05, 2018 by Felipe Fagundes

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