segunda-feira, junho 18, 2018

E pensar que esse match quase não aconteceu. 

Nossa, sério, sei que eu não paro de repetir isso, mas é que aconteceu por tão pouquinho que ainda hoje a possibilidade de eu viver num mundo em que ele não tenha acontecido me causa desconforto. Sabe essas coisas pequenas que causam um grande impacto? Eu não sabia na hora, claro, a gente nunca sabe, mas aquele meu like hesitante foi uma dessas coisas.

Não hesitei por sua causa, muito pelo contrário. Eu não queria usar o Tinder. Ai, gente, eu deveria estar no Tinder? Eu sei usar o Tinder? Seria Tinder o lugar adequado para o jovem assexual carente estar quase à meia-noite procurando romance? Fui e voltei umas três vezes. O dedo do like coçando pra ir lá e clicar no coração. Você acertava em todos os lugares que tinha pra acertar.

Eu tenho muito orgulho da minha força de vontade, mas graças a Deus fui fraco naquela noite.


Lembro das duas primeiras coisas que pensei quando te vi: Humn, mais bonito que nas fotos e Ah, 9 cm a menos não é tão mais baixo assim.

Claro que eu tinha que te chamar pra uma Cilada do Bem no nosso primeiro encontro. Estava com essa ideia na cabeça fazia um tempo e acho que o conselho mais valioso que me deram sobre encontros é que eu devo focar em me divertir neles. Então, bom, se você fosse uma perda de tempo, eu pelo menos estaria riscando a montanha-russa da minha Lista

(Desculpa)

Hoje que eu te conheço um pouco melhor, fico pensando coitado. Você tem tudo pra ter medo de montanha-russa. Acho até que você estava um pouco nervoso enquanto a gente esperava na fila. Eu estava de boas. Uma vida de ciladas do bem me fez maluco corajoso pra esse tipo de situação. Daí sentamos no carrinho, que não parecia nada seguro, e o troço começou a andar devagarzinho, subindo, dava para eu ver a queda livre e o loop que viriam depois e logo tratei de oferecer minha mão. Acho que você achou romântico, mas, meu anjo, eu tava me cagando de medo. Eu fiquei apavorado de verdade e naquela subidinha em câmera lenta eu já tava falando EU QUERO DESCEEEEEER. Logo eu, que vergonha. Não durou 1 minuto a aventura, mas eu desci do carrinho com as pernas bambas. Foi legal, gostei! Foi o que você me disse e francamente. Mas eu super repetiria se fosse pra segurar sua mão de novo.

***

Na roda gigante, eu já estava criando mil cenas de beijo na minha cabeça, porque todo mundo sabe que roda gigante foi projetada pra isso. Eu ainda sabia beijar? Eu achava que não. Não é como se eu tivesse uma loooooonga vivência e muitos anos de prática. Você pegou minha mão quando estávamos lá em cima e, gente, que vista, que cenário. A noite, as luzes do parque, os carros passando na pista lá embaixo... Parecia perfeito. Eu sei que eu que te dei uma olhada. A gente reconhece esse tipo de olhar, e você perguntou se eu queria beijar. Eu queria, né, mas na hora eu só ri. E você viu que tinha uma menininha com a mãe bem na nossa frente? A mãe estava tranquilona, mas aquela criança encarava a gente, emburrada. Eu, hein, garota, sai daqui. Fiquei tímido.

***

Nunca tinha pensado em estacionamentos como lugares divertidos, mas, menino, provavelmente foi a melhor parte do encontro. Acho que você concorda. Poder te abraçar e te beijar com alguma privacidade foi maravilhoso, mas você me fez feliz bem antes quando andou de mãos dadas comigo por lá. Eu nunca tinha feito isso. Um mês depois estaríamos fazendo isso totalmente em público, mas naquele primeiro encontro eu senti que estava vivendo numa realidade paralela, em San Junipero, sei lá. Várias pessoas viram a gente e eu nem liguei. Aquele casal de adolescentes que ficou super sem graça quando foi se enfiar no mesmo canto onde estávamos, o segurança do estacionamento que tava fazendo a ronda e jogou uma luz na gente ("BANDIDOS, ah, não, só dois meninos de amorzinho", imagino), sem contar aquele auê do carro parado.

Tinha um carro com os vidros pretos estacionado perto da gente e teve uma hora que do nada ele ligou. Não vimos quem entrou, mas o carro ligou e pensamos que ia sair. Mas não saiu. Ficou lá por vários minutos, com aquele barulho de motor, mas nada de meter o pé. A gente até esqueceu do carro, porque tínhamos coisas mais interessantes pra fazer. Lembro que até brinquei "Já pensou se tem gente dentro vendo a gente dar beijos? kkkk". O final é quase óbvio. Pois depois de uns vinte minutos o carro DESLIGOU, a gente se assustou, A PORTA SE ABRIU, SAIU UM CASAL LÁ DE DENTRO e eu fiquei PASSADO. Você me pegou pela mão e saiu varado Hahahah Na minha cabeça, eu já estava sendo testemunha de cena de adultério de pessoas importantes e logo seria apagado como queima de arquivo. Ai, não resisti e olhei pra ver quem era direito.

ERAM DOIS HOMENS KKKKKKK Que saíram do carro ajeitando o cabelo e fechando o zíper da calça. Eu tive um ataque de riso e jamais vou superar isso.

Versão em gif do episódio do carro

O Brasil que eu quero é esse mesmo.

***

Infelizmente, não posso prever o futuro, mas estou adorando o que a gente tem. Eu costumava apontar esse e aquele casal como casos de sucesso do Tinder, mas agora confesso que penso na gente. Não digo em voz alta com um medo bobo de estragar tudo. Eu já vi situações que mudam do dia pra noite. Mas também não tenho culpa se você parece ser uma pessoa que inventei. Lembro que perguntamos um para o outro o que mudou desde que nos conhecemos, qual a diferença do que achávamos no começo para o que achamos agora. Como falei, você parecia acertar em todos os lugares e, menino, não é que acerta mesmo? Eu te achava fofo, agora te acho mais. Te achava bonito, agora fico maravilhado toda vez que observo seu corpo. Te achava tranquilo, agora é essa confiança e segurança que me deixa com vontade de ficar mais tempo.

Sei que querer não é poder, mas quero continuar andando sem rumo contigo, me perder e descobrir pracinhas reservadas que ninguém sabia que existiam. Quero aprender mais sobre mim ao mesmo tempo que você aprende sobre você. Quero te arrastar pra esse tipo de situação que só acontece comigo, porque daí vai passar a acontecer com a gente, e é tão bom ter com quem morrer de rir ao vivo...

E pensar que esse match quase não aconteceu. Meu Deus.



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Posted on segunda-feira, junho 18, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 04, 2018

Eu amo discursos de empoderamento, sejam eles quais forem. Gosto da boa vibe, gosto da mágica de fazer alguém que antes se sentia um lixo se sentir querido, adoro isso de cultivar amor-próprio e todos os desdobramentos que isso traz. Caramba, a gente precisa. Deus abençoe quem se tocou que empoderar pessoas era mais sadio que fazer chacota delas. A única coisa que eu esbarro nesses discursos é o fato de, no fim das contas, sempre apontarem para o fato de que a pessoa tem que se sentir linda. Óbvio que empoderamento trata de mil outras coisas, mas beleza parece ser fundamental. 

Uma mulher empoderada é uma mulher que se sente bonita. Uma pessoa gorda e empoderada se acha linda. Eu compreendo que a sociedade é horrível em dizer todo dia que só tem beleza quem é do jeito X e daí há uma leva gigantesca de pessoas que fica de fora. Uma vida inteira se sentindo feio e sem valor. Eu entendo. Então vem o empoderamento pra levantar essa autoestima e dizer que, ei, deixa esse povo pra lá, você é bonito, sim! Você é lindo do jeito que você é!

Eu só quero ser feio em paz, gente.


Confesso que não sei bem por que tratamos beleza como algo essencial. Tipo, parece que o amor-próprio é automaticamente relacionado a isso. Se você se ama, você tem que se achar lindo. Eu já acho que tudo bem ser feio. Eu acho que ser e estar bonito cansa, ainda mais pra quem não faz parte do grupinho aí privilegiado. Compreendo que para algumas pessoas seja importante ser bonito, mas para todas?

É engraçado que, com outras características que eu também considero importantes, a roda não gira assim. Por exemplo, ser engraçado. Tem gente que não é. E tá tudo bem. Nunca vi ninguém dizer que não é engraçado e surgir uma pessoa do bueiro pra falar "PARA COM ISSO, VOCÊ É ENGRAÇADO, SIM! APRENDA A SE AMAR". Muita gente diz que é péssima em matemática e também fica tudo bem. Eu sou um pouco desastrado, não ajo bem sob pressão e não sou a pessoa mais eloquente do mundo, mas não me sinto um lixo por causa disso. Tá tudo bem não ser perfeito. Mas aí vem o ser feio.

Não pode ser feio.

É muito mais prático viver num mundo em que é ok ser feio do que em um em que TODO MUNDO tem que ser bonito. O natural geralmente é considerado feio. Se a pessoa não fizer nenhuma firula estética básica, é feia. Pra se sentirem bonitas, as pessoas usam maquiagem, fazem algum penteado diferente, colocam aquela ou essa roupa, essas coisinhas. Até em programas tipo Queer Eye, em que pegam uma pessoa super comum e até fora do padrão e fazem uma transformação básica para a pessoa se enxergar como bonita, há essas alterações mínimas para obter o efeito desejado. Aí eu fico pensando que, quando o programa acaba, a pessoa ainda tem que ficar pelo resto da vida executando aqueles procedimentos para manter a beleza recém-alcançada. Cansa.

Não me acho grandes coisas no quesito beleza e admito que há dias em que quero me sentir bonito. Mas também há os dias em que fico de boas com ser/estar feio. Tipo, ok, eu sou feio, mas também sou engraçado, inteligente, criativo e boa companhia. Não conta? Já expliquei minha teoria do potencial de beleza e, por causa disso, nossa, beleza é algo tão subjetivo! Acho muito complexo querer agradar a todos, ainda que esse todos seja nós mesmos (que na verdade somos influenciados por esse todos).

Realmente entendo que os discursos de empoderamento batem nas teclas que precisam ser batidas. Alguém ouviu que é feio a vida toda e está precisando se achar bonito. Pessoas do tipo Y também podem ser lindas. É uma causa nobre. Apesar da diferença ser um tanto sutil, acho que a pessoa ficar o dia todo lutando contra discursos contrários e tentando se afirmar como bonita é mais penoso do que trabalhar a ideia de que tudo bem ser feio. Porque está tudo bem, ninguém tem nada com isso.


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Posted on segunda-feira, junho 04, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 28, 2018

Acabou do jeito que começou: Comigo tomando uma atitude que mudou tudo. Acho até bem simbólico.


Sim, gente, tô dizendo que a minha história com o @ encerrou. Foram quase três meses de uma montanha-russa de emoções, e eu sei que essa expressão é um clichê batidíssimo, mas aqui eu me sinto obrigado a usá-la. Ainda mais que agora eu já fui numa montanha-russa e sei do que estou falando. Muitos altos, muitos baixos, curvas de acelerar o coração, momentos de desespero e velocidade o tempo todo. O começo da montanha-russa sempre engana, porque ela começa andando devagarzinho até que vem o primeiro precipício e aí não para mais. Também já faz quase três semanas que acabou, eu juro que estou bem. Vocês não precisam me consolar nem me mandar encher a cara de sorvete ou sei lá.

Acho que eu e ele, nós dois, entendemos que agora não dá pra gente. Talvez daqui a um ano ou dois. Talvez nunca. Mas eu tinha um milhão de motivos para não me permitir viver isso, ele também tinha os dele, mas insistimos, arriscamos, fomos bem felizes por uns momentos, até que eu não fui mais. Não me arrependo, faria quase tudo do mesmo jeito de novo e estou muito satisfeito com finalmente ter atravessado essa linha da vida afetiva. Também tenho orgulho de ter identificado que estava na hora de acabar antes que acabasse de uma forma ruim.

Não acabou de uma forma ruim.

Eu chamei para conversar, sentamos um de frente para o outro, eu olhei no fundo daqueles olhos e disse. Ok, não foi bem assim, porque era difícil pra mim encarar aqueles olhos. Eu enrolei pra dizer, eu desviei o assunto, eu tentei dizer aquelas palavras finais umas três vezes. Eu comecei a chorar antes de conseguir dizer e, meu Deus, gente, eu nunca choro. Acho que foi a primeira vez que chorei nesse ano. Eu nem lembro qual foi a última vez que chorei antes dessa, porque eu realmente nunca choro. Mas eu chorei e continuei chorando e, nossa, que experiência. Eu nem sabia que esse negócio de voz embargada era real. A gente tenta falar e não consegue. Fui tão pego de surpresa pelas minhas próprias lágrimas que comecei a rir dizendo "Eu nunca choro kkkkk Sério, nunca, não sei o que tá havendo kkkk". Patético e maravilhoso.

Ficou claro pra mim que eu gostava muito dele e que, quando eu dissesse "Acho que devemos ser só amigos" em voz alta, eu estaria abrindo mão daquela pessoa.

Sou um caso raríssimo de página em branco, sabe? Sou livre o suficiente pra gostar de uma pessoa e só dela e ter muitos sentimentos por ela e demonstrar isso e contar na internet. Eu era e ainda sou 100% disponível e pronto pra tudo. Ele era, sei lá, 50% disponível, meio preso em histórias do passado, meio sem saber o que queria, meio querendo... Sinto que ele até queria me entregar mais, ele sabe que eu mereço mais e se desculpou por isso, mas não tinha pra dar. Acho que, se eu continuasse insistindo, seria um eterno eu me sentindo deixado de lado e ele se sentindo cobrado. Foi melhor pôr um ponto final enquanto a gente ainda se gosta como pessoa.

Mas, aí, claro que eu chorei, porque eu estava com meu pássaro na mão, e era um pássaro bonito, legal, compreensivo e honesto, um senhor pássaro, mas iria trocá-lo por dois pássaros voando. Porque eu mereço aqueles dois pássaros voando. Nossa, eu mereço todos os pássaros do mundo. Eu não aceito menos que dois pássaros. E se o @ no momento só tem um pássaro pra me dar... É matemática básica, gente. Mas coração não sabe fazer conta. Chorei, respirei, me recompus e falei. Só amigos.

***

Ninguém morreu, ninguém brigou, a Terra continuou girando pro mesmo lado. Acho que saímos de lá melhor do que entramos.

As lembranças boas são mais numerosas que as não tão boas assim. A animação para o primeiro encontro da minha vida, aquele momento inesquecível na torre, as experiências que tive guiadas pelos nossos desejos, as coisas bonitas que a gente disse e todas as vezes que cheguei em casa com um sorriso bobo no rosto. Foi bom enquanto durou, ainda é bom agora que não dura mais.

Realmente espero que a gente siga em frente do melhor jeito possível. Até porque, agora que comecei, não tenho mesmo nenhuma intenção de parar.




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Posted on segunda-feira, maio 28, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

***

Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

***

Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

***

Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



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Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 08, 2018

Pra quem tá chegando agora, vamos recapitular? Vamos.

Eu tinha um emprego legal. Daí enjoei dele e troquei por outro. Eu mudei de cidade por causa desse emprego novo, eu vivi com todo meu coração, eu tive umas crises por causa da pressão e por não me achar bom o bastante. Aí fui demitido. Risos. E fiquei sem nada. Nem a casa na cidade nova dava para manter, porque, né, sem dinheiro.

Ainda bem que a minha vida pelo menos é uma caixinha de surpresas.



Eu tenho uma amiga Jéssica. Aquela amiga Jéssica. Daí que Jéssica é da mesma área que eu e também estava procurando emprego. Foi numa entrevista, o pessoal gostou dela, mas... acho que ela não gostou do pessoal Hahahahah Recusou a vaga, mas mandou um "Olha, não tenho interesse, mas eu tenho um amigo...". Quiseram conhecer o amigo dela. Sim, eu mesmo. Mandei meu currículo com o assunto "Indicação da Jéssica", sendo que ELA NEM TRABALHA LÁ.

Fui pra entrevista me sentindo o rei do networking. Gente, dispensem os contatinhos. Vamos investir no contatos profissionais pois rendem bem mais.

***

Na entrevista, respondi todas as perguntas da moça do RH. Contei da minha história de derrota e demissão, mas obviamente jogando a luz positiva do EU ASSUMI RISCOS e FUI ATRÁS DO QUE EU QUERIA. Acho que colou. Não é mentira, aliás. Só sei que no meio da entrevista rolou um:

- Eu vejo em você esse ar aventureiro e desbravador. Dá pra sentir.

Gente Hahahah Todo um perfil psicológico traçado ali. Eu desmenti? Não desmenti. Inclusive assumi o papel. Ela continuou.

- Você me lembra muito minha filha.
- Oi?
- Minha filha também é assim, uma aventureira, que corre atrás dos próprios sonhos!

Juro pra vocês que a mulher ficou uns 10 minutos contando das aventuras da filha dela. Teve uma hora que eu fiquei pensando "Gente, não era pra estarmos falando sobre mim?", mas tava amando a história e a intimidade. Tava esperando que a mulher não eliminasse do processo seletivo a própria filha, né.

Teve um segundo entrevistador que veio com a camisa do avesso. Acho que meu cérebro ficou 50% focado em responder as perguntas técnicas e 50% intrigado com a possibilidade daquela camisa do avesso ser um teste. Aviso ou não aviso? O QUE ISSO DIZ SOBRE MIM? Ninguém prepara a gente para esses dilemas da vida adulta.

***

Gente, vocês acreditam que CONSEGUI UM EMPREGO NOVO? Não apenas isso, mas MELHOR que o anterior? Melhor em tudo. Benefícios, salário, atividade, saúde mental... Parece até mentira. É CARTEIRA ASSINADA QUE FALAAAAAA.

A Firma anterior era muito popzinha e desafiadora, mas eu me sentia o BURRO da equipe. Agora meu líder me chama de criança prodígio, porque voltei a trabalhar com algo que conheço e honestamente me sinto arrasando mesmo. Eu tô mais tranquilo, mais feliz e mais animado com a minha carreira. Sei que, quando se fala de trabalho, nunca que tudo será flores, mas tô achando promissor.

No meu primeiro dia na empresa, eu cheguei falando para minha bff do RH "Oi, Fulana, tudo bem? Como vai sua filha?".

Rolam coisas desse tipo também:




Então acho que é bom.

***

Ainda não passei do período de experiência, portanto tudo pode acontecer. Mas sinto que não virá um tombo (na Firma anterior, toda semana tava lá eu achando que ia ser demitido). Já assumi umas posições importantes, dá pra ver que contam comigo e até se preocupam se estou gostando do trabalho (isso porque eu contei que pulei fora daquela primeira Firma porque estava entediado). Acho que agora vai.

O melhor de tudo é que minha permanência no Rio de Janeiro está garantida. Minha casa, meus amigos, meus novos negócios... Gosto assim.



OUTROS TEXTOS

Posted on terça-feira, maio 08, 2018 by Felipe Fagundes

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