segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

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Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

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Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

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Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



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Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 08, 2018

Pra quem tá chegando agora, vamos recapitular? Vamos.

Eu tinha um emprego legal. Daí enjoei dele e troquei por outro. Eu mudei de cidade por causa desse emprego novo, eu vivi com todo meu coração, eu tive umas crises por causa da pressão e por não me achar bom o bastante. Aí fui demitido. Risos. E fiquei sem nada. Nem a casa na cidade nova dava para manter, porque, né, sem dinheiro.

Ainda bem que a minha vida pelo menos é uma caixinha de surpresas.



Eu tenho uma amiga Jéssica. Aquela amiga Jéssica. Daí que Jéssica é da mesma área que eu e também estava procurando emprego. Foi numa entrevista, o pessoal gostou dela, mas... acho que ela não gostou do pessoal Hahahahah Recusou a vaga, mas mandou um "Olha, não tenho interesse, mas eu tenho um amigo...". Quiseram conhecer o amigo dela. Sim, eu mesmo. Mandei meu currículo com o assunto "Indicação da Jéssica", sendo que ELA NEM TRABALHA LÁ.

Fui pra entrevista me sentindo o rei do networking. Gente, dispensem os contatinhos. Vamos investir no contatos profissionais pois rendem bem mais.

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Na entrevista, respondi todas as perguntas da moça do RH. Contei da minha história de derrota e demissão, mas obviamente jogando a luz positiva do EU ASSUMI RISCOS e FUI ATRÁS DO QUE EU QUERIA. Acho que colou. Não é mentira, aliás. Só sei que no meio da entrevista rolou um:

- Eu vejo em você esse ar aventureiro e desbravador. Dá pra sentir.

Gente Hahahah Todo um perfil psicológico traçado ali. Eu desmenti? Não desmenti. Inclusive assumi o papel. Ela continuou.

- Você me lembra muito minha filha.
- Oi?
- Minha filha também é assim, uma aventureira, que corre atrás dos próprios sonhos!

Juro pra vocês que a mulher ficou uns 10 minutos contando das aventuras da filha dela. Teve uma hora que eu fiquei pensando "Gente, não era pra estarmos falando sobre mim?", mas tava amando a história e a intimidade. Tava esperando que a mulher não eliminasse do processo seletivo a própria filha, né.

Teve um segundo entrevistador que veio com a camisa do avesso. Acho que meu cérebro ficou 50% focado em responder as perguntas técnicas e 50% intrigado com a possibilidade daquela camisa do avesso ser um teste. Aviso ou não aviso? O QUE ISSO DIZ SOBRE MIM? Ninguém prepara a gente para esses dilemas da vida adulta.

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Gente, vocês acreditam que CONSEGUI UM EMPREGO NOVO? Não apenas isso, mas MELHOR que o anterior? Melhor em tudo. Benefícios, salário, atividade, saúde mental... Parece até mentira. É CARTEIRA ASSINADA QUE FALAAAAAA.

A Firma anterior era muito popzinha e desafiadora, mas eu me sentia o BURRO da equipe. Agora meu líder me chama de criança prodígio, porque voltei a trabalhar com algo que conheço e honestamente me sinto arrasando mesmo. Eu tô mais tranquilo, mais feliz e mais animado com a minha carreira. Sei que, quando se fala de trabalho, nunca que tudo será flores, mas tô achando promissor.

No meu primeiro dia na empresa, eu cheguei falando para minha bff do RH "Oi, Fulana, tudo bem? Como vai sua filha?".

Rolam coisas desse tipo também:




Então acho que é bom.

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Ainda não passei do período de experiência, portanto tudo pode acontecer. Mas sinto que não virá um tombo (na Firma anterior, toda semana tava lá eu achando que ia ser demitido). Já assumi umas posições importantes, dá pra ver que contam comigo e até se preocupam se estou gostando do trabalho (isso porque eu contei que pulei fora daquela primeira Firma porque estava entediado). Acho que agora vai.

O melhor de tudo é que minha permanência no Rio de Janeiro está garantida. Minha casa, meus amigos, meus novos negócios... Gosto assim.



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Posted on terça-feira, maio 08, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 16, 2018

Lógico que eu ia entrar numa crise de identidade depois de ter beijado na boca.


Uma coisa que é muito difícil pra mim, como introvertido e planejador, é "curtir o momento" e "ver no que vai dar". Eu quero entender tudo, quero rotular tudo, quero planejar os detalhes e, mesmo que o planejamento vá por água abaixo por causa de imprevistos, eu me sinto bem só de ter tentado prever as coisas. Gosto de saber onde estou pisando e isso de vez em quando me põe na categoria dos doidos. Frequentemente amigos viram pra mim e dizem RELAXA, PELO AMOR DE DEUS.

Mas aí eu passei os primeiros vinte anos da minha vida sem sentir nada por ninguém e do nada beijei na boca. Não apenas beijei, eu gostei de ter beijado. E de abraçar e ser abraçado, de ficar juntinho, de segurar na mão, de ter a liberdade de tocar num outro corpo que não o meu. Eu gostei e quis mais, e até o momento não parei de querer. Parece que ter me colocado nessa situação ativou várias células adormecidas do meu organismo e agora eu tenho superpoderes sensoriais. O efeito colateral é que estou viciado em sentir.

Vocês estão transando bastante? Pois eu não estou. Eu mal sei se quero, mas só de eu cogitar que talvez eu queira, só dessa possibilidade existir, já é algo que faz eu pôr minha assexualidade em cheque.

Meu eu interior parte pra agressão se alguém ousar me questionar dessa forma, mas eu posso. Será que me confundi e não sou assexual? Existem gays tão tardios assim? Por que eu demorei tanto? Será que dentro de mim eu sempre soube que queria fazer sexo com alguém, mas não notei? Eu quero fazer sexo com alguém? Só o fato de eu não ter certeza sobre sexo já não me torna assexual?

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Vocês entendem de sexo? Vocês sabem o que é? É onde eu esbarro quando tento me entender. A definição mais básica de assexual é "pessoa que sente baixa ou nenhuma atração sexual". Beleza. Mas o que é atração sexual? "Vontade de fazer sexo". Então eu preciso saber o que é sexo, para saber se tenho vontade.

Acho que, desde que o li pela primeira vez, eu volto a cada 6 meses no texto do Alex Castro sobre a definição de sexo.

"Como definir uma trepada? Se chupei, beijei seus pés e lambi seus mamilos, mas não penetrei, é sexo? Se lambi entre seus dedos dos pés enquanto ela se masturbava, mas nunca nos beijamos, é uma ficada? Se houve penetração, mas foi dela em mim, seja com um consolo ou fazendo fio-terra, é sexo? Um boquete, pura e simples, é uma ficada, uma transada, ou nenhuma das opções acima? Passei a noite inteira dedando a moça por debaixo da mesa: uma ficada, ou nem isso? Os dois se masturbarem juntos é sexo? Um masturbar o outro, com dedo, língua ou consolo, é sexo?"

Eu amo esse parágrafo de todo o meu coração, pois é justamente disso que estou falando. Não teve piroco entrando em ninguém e, mesmo assim, parecem ter sido noites maravilhosas de tão prazerosas. A questão do tato anda mexendo muito comigo. Vocês não sabem o quanto eu amei ganhar um beijo no pescoço ou eu mesmo dar o tal beijo, ou ainda sentir com o próprio corpo os pelos do @... É tão BOM notar que a outra pessoa está sentindo tanto prazer quanto você... Será que isso é atração sexual? ALGUÉM ME AJUDA.

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Quando falam de virgindade, perder a virgindade, fica claro que estão falando de penetração. Acho que nunca ouvi alguém dizer que deixou de ser virgem com sexo oral. Tem gente que faz oral, anal, ouvidal, narigal e jura de pé junto que ainda é virgem só porque não foi visitada por pirocos na via mais comum. Nem sei dizer se a pessoa está certa ou sendo muito ridícula.

Uma conhecida minha, evangélica, supostamente tinha perdido a virgindade com o primeiro namorado. Depois terminaram e tal, e ela ficou noiva de outro cara. Ele não ligou para o fato de que ela não era mais virgem (evangélicos geralmente ligam). Beleza. Ela foi ao médico fazer um exame sei lá de quê e por acaso descobriu que o hímen dela AINDA ESTAVA LÁ. Foi motivo de comemoração NA FAMÍLIA. O marido ficou todo bobo e feliz. Aparentemente, estava realizando o sonho cristão de casar com uma mulher virgem. Juro pra vocês.

É só o hímen que conta? Dá para perder a virgindade com um consolo? E qual é o equivalente para pessoas com pênis? Lésbicas e gays passivos são virgens para sempre? Fica aí o suspense.

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A definição que mais serviu pra mim foi a que eu mesmo inventei. Risos. Sexo tem a ver com mexer nas partes. Pra ter sexo, tem que ter pelo menos uma vagina, um pênis ou um ânus em cena. Não importa muito o como, mas tem que ter, desde que uma pessoa toque a outra. Duas ou mais pessoas interagindo da cintura pra baixo ou fazendo a malandra brincando com o bumbum? Pra mim, estão fazendo sexo.

Alex Castro diz que definir é castrar. Eu acho libertador.

Todo mundo fica meio confuso quando assexuais admitem sentirem prazer com orgasmos, mas convenhamos que existem formas de chegar nesse ápice sem precisar de uma outra pessoa interagindo com os seus genitais. Atração sexual, aparentemente, é isso: vontade de interagir com os órgãos sexuais de outra pessoa ou que alguém, nem precisa ser uma pessoa específica, venha interagir com os seus. Talvez você só ache a pessoa muito bonita ou muito legal ou até gostaria de dar uns beijos, gostaria de abraçar... Mas, se não há vontade de brincar dentro das calças, não é atração sexual. Posso estar equivocado, mas me atende.

Sabe quando você acorda com AQUELA vontade? Eu não sei.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 16, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 09, 2018

Demorei, mas voltei com a parte 2! Pra quem perdeu a parte 1, onde encarei animais hostis e deixei um livro erótico acidentalmente cair nas mãos de uma tia crente, só ler aqui. Lembrando que não trabalhamos com cronologia nesse diário, já que não sei mais o que aconteceu que dia, mas vamos que vamos.



17) A gente já tinha ido em duas praias e, no terceiro dia, eu já tava POR FAVOR, NÃO ME OBRIGUEM. Bells, principalmente, que leva esse negócio de ser filha de Poseidon muito a sério, não pode ver uma água que já fica ME SEGURA SENÃO VOU ENTRAR. Eu tava maravilhoso à toa em casa.

Parece uma foto de tédio, mas esse é meu Nirvana

18) Aí sei lá como surgiu um passeio pra Casimiro, que é uma cidade jeitosinha lá perto de Rio das Ostras e, aparentemente, onde viveu o poeta (o Casimiro de Abreu). Eu adoro andar e foi ótimo pra isso. A gente só bateu perna, tirou umas fotinhas despretensiosas e umas fotos muito doidas que até agora seguem sem explicação.



Como diz a Bells, todo domingo um Felipe caído no chão
(Eu realmente tenho todo um histórico de fotos desse naipe)


ABDUÇÃO? FAZENDO A JEAN GREY?


19) A convivência na casa com os parentes da Bells foi um capítulo à parte. Foram tantos momentos que eu nem sei se consigo listar e também tenho medo de acabar ofendendo as pessoas. RISOS. Mas vou me expor um pouquinho.

20) Cara, a criança hiperativa. Muito fofo de longe o menino. Até que de perto também, mas, gente, NÃO PARAVA DE FALAR. Queria brincar de pique, fazia mil perguntas, corria, pulava, chamava pra brincar de pique, arrumava jogos, queria comer o tempo todo, queria saber por que ninguém tava brincando de pique, aaaahhhhhhh. Teve uma hora que até eu cedi e ficamos todos na cama jogando Cara a Cara com ele. Não foi ruim. Teve até um momento de EMOÇÃO em que o menino tava sentado na cama alta e, de repente, ESCORREGOU DE COSTAS PARA O CHÃO. Eu literalmente movi 1 dedo pra tentar amparar uma criança que se bobear pesa mais do que eu, e ele não se machucou. Foi só um susto. Muitos dirão que não, mas tenho pra mim que foi meu 1 dedo que salvou o dia. Ficou doendo o resto da viagem toda.

Eu SALVANDO A VIDA da criança

21) Não me orgulho do que fiz naquela noite, mas precisei tomar uma medida drástica. Eu tava lá dormindo na sala, né. As meninas lá no quarto com ar-condicionado, a tia Florzinha, dona da casa, no quarto privado dela com ventilador... Eu não tinha nada, só os mosquitos e o gato encapetado me fazendo companhia. TUDO BEM. Sério, eu tinha superado isso. Dava pra dormir. Mas aí tinha Florzinha começou a roncar alto lá do quarto privado dela. A porta dela estava aberta. Ela tinha pedido expressamente pra não fecharem a porta dela por causa do calor. MAS AQUELE RONCO, GENTE.

MOSQUITO.
GATO.
CALOR.
RONCO.

COMO EU IA DORMIR?

Todo mundo sabe que dormir bem é minha verdadeira religião, então deixar um ronco alheio atrapalhar minha noite era praticamente um pecado contra os deuses do sono. Sorrateiramente no meio da noite, fui lá e fechei a porta. Silêncio. Paz. Dormi muito bem, obrigado.

No dia seguinte, Tia Florzinha tava meio puta de manhã falando "Poxa, gente, quem fechou minha porta??? Não fecha não, por favor! É muito quente lá dentro". Fiquei com pena porque ela é um amor de pessoa, mas não me entreguei Hahahah Não fechei a porta dela nas outras noites, mas ela também não roncou, então ficamos quites.

22) Praia do Cemitério! Pra uma praia com esse nome, até que tinha muita gente viva lá. Foi um custo convencer Tia Florzinha a ir à praia com a gente, porque ela quase nunca sai de casa. Pra essa praia, ainda andamos uma boa meia hora e nem sei como ela teve forças pra largar o habitat natural dela. Mas foi. PORÉM, assim que chegamos lá naquela praia LOTADA, Tia Florzinha só falou "Meu Deus" e foi embora.

Tipo, ela literalmente VIU a praia, falou "Meu Deus" ou algo assim, VIROU AS COSTAS e foi embora.

DEPOIS DE MEIA HORA ANDANDO.

ELA NEM FALOU TCHAU PRA GENTE.

Todo mundo ficou: ????????

Confesso que não julguei. Na verdade, eu, Taiany e Bells rimos muito e até admiramos a atitude. Cunhamos a expressão "Fazer a Tia Florzinha", esse grande ícone introvertido, que é quando você chega num lugar que não quer estar e, ao invés de ficar lá sofrendo sei lá por que, você simplesmente vira as costas e vai embora, não importando o que passou para chegar até lá. Admiro demais.

Aquela praia foi um cocô mole mesmo, olha minha cara

23) Sei que o grande tchan de ir para Rio das Ostras são as praias, mas acho que o apelo principal de qualquer viagem pra mim é a convivência com os amigos. Tipo, de dividir quarto, ficar na mesma casa, essas coisas simples, mas que a gente não faz todo dia com as nossas amizades. A Bells vendo a novela turca dela, por exemplo. Eu NEM SABIA que existia uma novela turca no ar na tv aberta brasileira. Entendi alguma coisa? Não entendi, mas tão bonitinho a Bells vendo. Novela turca tem mais dramalhão que novela mexicana, cada cena parece estar acontecendo um GRANDE momento. Outra coisa que ADOREI foi poder assistir BBB ao lado da Taiany. A gente comenta essa temporada por whatsapp desde que começou, mas assistir um do lado do outro foi TÃO HINO. Nossas piadas, os comentários, poder ouvir a risada um do outro, mandar as tias calarem a boca, foi muito especial pra mim.

24) Praia da Joana! Cara, deu um AUÊ pra chegar nessa praia. Ninguém sabia como chegar. A gente sabia que existia no mapa e que era perto, mas cada pessoa que surgia na casa dizia que a praia era para um lado. As tias começaram a brigar entre si tentando ensinar pra gente. Chegou uma hora que Bells ficou doida e berrou CHEGA! PRONTO, NINGUÉM VAI MAIS. Se trancou no banheiro. Ficou maior climão. Eu e Taiany pianinhos, né, aquela situação tipo quando os pais do seu amigo brigavam com ele na sua frente quando você tava na casa dele. Mas por dentro eu tava AH, MAS VAMOS SIM, SÓ DE RAIVA, EU HEIN, eu nem gosto de praia, MAS VOU NESSA SIM, NEM QUE SEJA MOVIDO PELO ÓDIO. Sei lá como a situação se resolveu, mas FOMOS. E, gente, melhor praia. Foi literalmente a praia mais bonitinha, mais legal, altas fotos. Achei um sucesso.



25) Rio das Ostras é um lugar excelente para imagens doidas.

Tipo essa loja da Apple. Não, pera.

Ou os funcionários dessa farmácia que sinto que conheço todos de ALGUM LUGAR

Ou ainda esse caixão que me representa sendo vendido numa loja de lembrancinhas

26) Nossa, essa viagem foi muito especial pra mim. É surreal que ela tenha sequer acontecido. Vocês viram COMO e QUANDO minha amizade com Bells e Taiany realmente começou, mal tem 1 ano, uma coisa por causa de blog e Twitter, que só aconteceu por conta de um convite corajoso. Que eu aceitei. E agora a gente se fala todo dia e VIAJAMOS JUNTOS. E foi tão bom! E queremos mais! Gosto assim <3

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Foi bom pra você? Pra mim foi. Voltem sempre :)



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 09, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 05, 2018

Não que seja uma das minhas prioridades enquanto Blogueiro, mas ando sem conseguir manter alguma linearidade entre os assuntos dos textos do Não Sei Lidar. Acho que todos concordam que a editoria desse blog é DOIDA. Tanto que eu estava adiando fazer esse texto, meio que esperando o melhor momento, pra quando tudo estivesse mais organizado na minha cabeça, mas aí eu chorei no metrô e acho que esse é um bom gancho pra qualquer texto.

Ainda mais que eu nunca choro.



Eu tentei fazer parte de uma igreja. Tentei mesmo, tentei HARD. Me sentia armado e preparado, estava com muita boa vontade em junho de 2016 e meu relacionamento com Jesus nunca tinha sido melhor. Achei que realmente fosse dar certo, mas não deu. Me cansei um pouco menos de um ano depois. Meu deus, gente, é muita TRETA. Vi meus amigos irem desanimando um por um, vi algumas coisas saindo do controle, vi que a água que eu tinha era mole demais para cabeças de pedras muito duras. Acho até engraçado que as pessoas associem meu estilo de vida e o fato da minha sexualidade não ser um exemplo de padrão cristão com minha falta de entendimento com igrejas. Porque todo mundo fica "Mas é tão simples! É só IR! Eu vou lá todo domingo, oro, falo com os irmãos, escuto a pregação, canto. O que tem difícil?". Não é suficiente pra mim. Não é a vida cristã que eu quero pra mim. Honestamente, acho que não é a vida que Deus quer pra ninguém, mas sei que cada um faz do jeito que quer e sabe, então me contento em decidir pelo menos a minha vida. Não é possível que Jesus passou um livro inteiro falando palavras incríveis pra isso. 

Chegou uma hora que eu já não via mais tantos motivos para lutar, não tinha mais certeza de nada e até meu relacionamento com Deus ficou meio abalado pelo desânimo. Em algum momento que nem percebi, eu desisti. Em outro momento, parei de frequentar de vez.

Ainda falo com Jesus ocasionalmente, mas nunca mais parei para orar com pompa e circunstância. Não leio a Bíblia. Trouxe duas para a casa nova, porém, ainda não as abri. Não me meto mais em debates cristãos. Só gosto de falar de Jesus e religião com quem não é cristão. Evito com afinco o assunto igreja. Já proibi praticamente todos os meus amigos crentes de tocarem nesse assunto comigo. Pra quem pergunta se eu me desviei, eu digo que estou dando um tempo. Brinco que estou de férias. Pra quem me pede para fazer uma visita na igreja X, eu respondo que Deus me livre "Humn... Não gosto muito de igrejas, não é nada pessoal". Faço de tudo para não pisar numa igreja novamente, porque surgem um milhão de más lembranças, a sensação de falha, de impotência, de perda de tempo. Eu me sinto praticamente pecando se passo duas horas dentro de um templo.

Eu nem ia falar nada disso.

Estava no metrô e chorei porque vi uma matéria sobre esse filme novo do Edir Macedo e todo esse cheiro de LAVAGEM DE DINHEIRO que está levantando aí. O filme tem a maior bilheteria do Brasil ou sei lá, mas, se você paga pra ver, encontra o cinema praticamente vazio. Acho que nem quero me aprofundar e investigar essa treta, mas... mas... CARAMBA, IGREJA, VOCÊ TINHA UM - UM - TRABALHO. E NÃO ERA FAZER FILME SUSPEITO SEI LÁ PRA QUÊ.

Chorei porque Jesus não merece. Sei que na internet é facinho xingar cristão, e na maioria das vezes eu nem tiro a razão das pessoas, mas isso me machuca ao pensar que Jesus fez todo um esforço pra abraçar o mundo inteiro com o amor dele e, por causa de pessoas, a mensagem dele não chegue onde deveria chegar. Ou haja resistência pesada. Ou as pessoas que mais precisam recusam. Tipo, ele realmente não merece. Mal estamos nos falando, mas eu gosto tanto desse homem, gente. Queria que desse pra separar a imagem dele da imagem que a igreja assumiu nos dias de hoje. Queria que a igreja limpasse sua barra ou então que afundasse de vez e surgisse um novo modelo de igreja ou sei lá. Não sei se tenho mais fé nisso, mas antes eu tinha. Sei que quero fazer parte de alguma coisa, mas de uma coisa boa. Viva, saudável, alinhada, inteligente. Amorosa. Mas também sei que não adianta nada eu criticar sem mover uma palha pra fazer minha parte. Por isso não ando tocando no assunto.

Já contei que estou de férias?



OUTROS TEXTOS


Posted on quinta-feira, abril 05, 2018 by Felipe Fagundes

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