segunda-feira, novembro 06, 2017

Mesmo antes de terminar de escrever Não Somos Um, eu sabia que teria dificuldade em encaixá-lo em alguma categoria literária. É romance? É comédia? Tem coisa mais genérica que ficção geral? Essa ainda é a parte fácil. Por mais que eu tenha esbarrado nessa dificuldade no meu primeiro livro, aparentemente não aprendi a lição e segui o mesmo caminho nas histórias que vieram depois. Agora mesmo estou escrevendo meu livro novo e JÁ SEI que a fruta não vai cair longe da árvore. Cuidado com a burra, mas não consigo parar. Eu não aprendo.


Na segunda agência literária que tentei, NS1 foi rejeitado por, entre outros motivos que até concordei, "a narrativa religiosa ser de difícil encaixe no mercado" e "Se a religião for usada para humor, pode funcionar, mas se não for o caso...". Aí fica até parecendo que escrevi o novo A Cabana ou o substituto daquele livro do Padre Marcelo Rossi para senhorinhas católicas.

"Não Somos Um" não é um livro religioso, não é uma ficção cristã.

Ou é? Fica aí o suspense.

***

Apesar de ter lá meus problemas com igrejas em geral, eu sou cristão. Eu creio em Jesus, amo a mensagem e a revolução que ele traz, posso até dizer que os princípios dele transformaram minha vida para melhor. Eu hesito um pouco em dizer que sou religioso, porque a palavra me passa a ideia de hábitos vazios, e Jesus pra mim é uma pessoa viva. É muito difícil pra mim separar religião e vida pessoal, porque é quem eu já sou. Quer dizer, muita coisa que eu faço ou deixo de fazer não é porque está ou não escrito na Bíblia, é porque eu aprendi, pratiquei e experimentei alguma coisa que Jesus falou. É aquele hábito que você pega de alguém depois de conviver muito com a pessoa.

Daí que eu amo personagens cristãos na ficção, porque eles, na maioria das vezes, falam diretamente comigo. Ok, talvez vocês pensem que cristãos na ficção aparecem o tempo todo, porque é uma religião dominante, digamos assim, e quase todo mundo, no mínimo, acredita em Deus, tanto em produções nacionais quanto americanas. O problema é que todos eles parecem cristãos não-praticantes. Que, a nível de representatividade, é a mesma coisa que nada pra mim.

Quais personagens aparecem lendo a Bíblia? E indo à igreja? E participando de viagens missionárias? Quantos deles comentam sobre dúvidas bíblicas ou contam casos que aconteceram nos cultos? E críticas, eles fazem críticas? Eles concordam com tudo o que os pastores falam? Eles possuem conflitos entre fé e sociedade, fé e ciência? Como a religião deles moldou a personalidade, a infância e a adolescência deles? Isso passa pelo menos no Globo Repórter?

Eu raramente vejo coisas desse tipo fora das ficções cristãs. Por um lado, até entendo. Religião é uma coisa de nicho, digamos assim, mas, sei lá, é um aspecto tão grande e fundamental na vida de algumas pessoas! E não são poucas! E aqui eu digo sobre todas as religiões. Se é difícil pra quem é cristão, sei nem o que dizer sobre religiões africanas, budismo, entre outras. Acho que nunca vi um personagem budista na ficção.

Eu procurando representatividade religiosa decente na ficção

Então eu conto histórias sobre eles. Os protagonistas e boa parte dos personagens de NS1 são cristãos. Há cenas que se passam na igreja e até uma versão bem doida de Jesus aparece. A mãe da Lídia de "Não Sei Lidar com Gênios" é católica, a protagonista de "Não Sei Lidar com Malas" também é cristã. Eu soco crente em todos os lugares. ME SALVEM.

Mas, assim, não são histórias sobre a Bíblia ou sei lá. Não estou evangelizando ou pregando para ninguém. Os personagens fazem parte de uma religião e é isso aí. É como se eles fossem fãs de esporte ou roqueiros ou amassem moda ou, sei lá, fossem bissexuais. É uma característica que molda o personagem, mas não dita quem ele é por inteiro nem o gênero da história. NS1 é sobre cada pessoa ser um universo de possibilidades, Gênios é sobre acreditar em si mesmo e Malas é uma história sobre relacionamentos abusivos. Em todos eles, inclusive, eu faço críticas diretas e indiretas sobre o modo como igrejas e crentes em geral simplesmente cagam tudo.

No livro que estou escrevendo agora, um dos protagonistas é (adivinhem) cristão e o outro é gay. Será ficção cristã ou literatura LGBT?

COMO SE VENDE ISSO?

Sabe, eu escrevo o que eu gostaria de ler. Eu não quero ser obrigado a ler aqueles dramas chatos, histórias de superação através da fé e sei lá mais o quê pra conseguir me ver. Eu quero ler comédias, histórias de ação e aventura, suspenses, histórias sobre adolescência que tratam de temas diversos, eu quero tudo isso com personagens crentes. Então, eu escrevo.

Eu não sei se eu faço bem, isso já são outros 500, mas eu tento. Talvez eu ainda soe muito proselitista ou as pessoas ficam perdidas com as referências religiosas, estou analisando isso e vendo como posso melhorar. Parar eu não consigo mesmo. Eu me seguro, mas, quando vejo, já estou fazendo piada com Jesus, vida após a morte e voto de castidade. Um caso perdidíssimo mesmo.

Posted on segunda-feira, novembro 06, 2017 by Felipe Fagundes

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terça-feira, outubro 17, 2017

Foi uma amiga minha da faculdade que me apresentou o conceito da Bubble Fest e, desde então, fiquei obcecado. Cara, acho que já estava há uns dois anos tentando comprar ingresso pra esse evento, mas, sempre que eu via anunciando uma nova edição, dava de cara no aviso de INGRESSOS ESGOTADOS. Era sempre tarde demais. Que morte horrível.

Até que um belo dia eu tive a sorte de estar online quando anunciaram em JULHO a edição especial de OUTUBRO e comprei com vontade. Tipo, essa edição de Outubro nem era pra existir, porque a Bubble Fest só acontece 1 vez no ano e já tinha acontecido uma no começo do ano. Galera queria tanto que eles abriram essa segunda edição. Eu mal acreditei.


Pra quem não sabe do que se trata, e dessa vez me arrisco a dizer que ninguém sabe mesmo, a Bubble Fest é um evento... sobre bolhas. Ai, gente, sei lá, é um conceito muito abstrato. É basicamente um dia num sítio maneiro, onde tocam música pop muito atual, tem um monte de brinquedo inflável e tentar forçar o tema BOLHAS e BOLAS. Tem Futebolha, tem bolha de sabão, tem futebol DE SABÃO... É daquelas coisas que não se explica, a gente simplesmente vai. Eu anotei na Lista e queria muito riscar. As atrações pareciam maravilhosas.


POIS O DIA CHEGOU. Montei meu squad, pois Deus me livre de enfrentar ciladas do bem sozinho, e fui PRONTO PARA TUDO.

Menos para a chuva que caiu no dia. Também não estava preparado para me perder no BRT.

(Inclusive, gente, eu simplesmente peguei SETE ônibus nesse BRT. Cuidado Com A Burra total, mas eu simplesmente não sabia como chegar de um ponto ao outro. Eu queria ir reto, o ônibus fazia curva. Eu queria curva, ele ia reto. Eu tinha que ir pra frente, ele ia pra trás. Eu via meu destino, ele passava direto, AAAAHHHHH Eu tava me sentindo num daqueles filmes que a pessoa está presa num cômodo, daí ela atravessa a porta da saída e aparece dentro do cômodo de novo. Meu deus do céu. Eventualmente cheguei)

Mesmo debaixo de chuva, fomos pra Bubble Fest, até porque não devolviam dinheiro (60 pilas o primeiro lote) e a linda da organização ainda mete essa de que "Brincar na chuva é muito mais divertido!". Tá, né. 

Cara, a Bubble Fest foi uma sucessão de altos e baixos, sucessos e perrengues. Eu saí de lá feliz, mas com pouca coisa poderia ser ainda melhor. VEJAMOS.

***

PERRENGUE: A chuva, né. Ok que jogar futebol de sabão na chuva pode ser mais divertido, mas TU TÁ DOIDA, BUBBLE FEST? E a piscina? E o frio? E MINHAS CRIANÇA PEGANDO PNEUMONIA. A chuva logo passou, de vez em quando vinha uns chuviscos perdidos, então deu pra aproveitar bastante, mas não teria condições de brincar se fosse uma chuva pesada. Nenhuma das atrações era coberta, seria o fim mesmo. Aí achei paia não devolverem o dinheiro nem nesse caso.

SUCESSO: O sítio é maneirinho. É grande o suficiente pra não ficar insuportável de lotado, tem espaço pra ficar quietinho de boas longe da muvuca se quiser, tem banheiro, vestiário, vende comes e bebes, tem piscina, guarda-volumes e atrações suficientes pra gente sentir que valeu a pena.

SUCESSO: Futebolha! É mesmo uma realidade! Eu literalmente entrei numa bolha e joguei futebol! Achei MUITO legal. Eu estava cagando para o futebol, só queria mesmo tomar tombo, cair no chão e sair rolando. Tinha um cara VIOLENTO que simplesmente jogou o Lucas pelos ares. Invejei Hahahahah


Lucas está DESMAIADO

PERRENGUE: Bubble Fest, pelo amor de Deus, vamos lavar essas bolhas? Gente, um cheiro do mais puro CECÊ dentro daquele troço. A minha ainda estava meio molhada por dentro, que obviamente foi porque gente saída da piscina tinha entrado ali antes de mim, mas eu não consegui parar de pensar que era suor. Sério, um cheiro de suvaco da dificuldade ali.

SUCESSO: O brinquedo assassino que gira. Gente, infelizmente não teve foto porque todo mundo estava se divertindo, apanhando e sendo traumatizado por esse brinquedo, tudo ao mesmo tempo. Não sei nem dizer o nome. Sabe aquela brincadeira do relógio? Uma criança pega uma corda e começa a rodar rente ao chão, rodando, e as outras têm que ficar pulando. Era basicamente isso. Só que inflável, e a corda inofensiva era um PORRETE GIRATÓRIO claramente possuído por ninguém menos que SATANÁS. Elisa nem quis voltar, Elizabeth ficou grudada na parede imóvel até nosso tempo acabar e Lucas levava cada pancada que a gente gritava AAAAAI só de ver. E eu? Eu me arrisquei porque esse é um brinquedo que só se alcança o sucesso através da coragem e da ilusão de que não dói, POIS AS PANCADAS SÃO REAIS. Consegui pular algumas vezes, mas levei tombo também.

 Eu imediatamente depois de sair do brinquedo assassino.
É sério! Hahahahahah

PERRENGUE: A fila da tirolesa. A gente simplesmente ficou QUASE QUATRO HORAS NA FILA. A gente não tinha ideia de que ia ficar a festa quase toda numa fila. A tirolesa era a única atração com hora pra acabar, então ficamos "Bom, vamos logo entrar nessa fila pra ir de uma vez". Fomos trouxas. Gente, demorou uma vida. E tirolesa é uma coisa que você acha com facilidade em vários lugares e da Bubble Fest nem era uma Brastemp. Não vale a pena esperar. Tinha que ter um aviso desse tempo de espera ou pelo menos distribuição de senhas que nem tinha pro Futebolha e pra Archery Tag. A gente podia curtir o evento sem ter que ficar na fila. Se tivesse sol, todo mundo teria desmaiado naquela fila.

O sorriso de quem ficou quatro horas numa fila

Um lindo dia chuvoso para voar o mais alto que puder 
e ser alvo de raios

PERRENGUE: Archery Tag. Não sei, as senhas acabaram quando eu estava na fila da tirolesa.

SUCESSO: A playlist da Bubble Fest era muito atualizada com o pop. Tinha até a música nova da Anitta, que tinha sido lançada há menos de uma semana. Teve Taylor Swift, Dua Lipa, Pabllo Vittar e sei lá mais quem do pop que vocês gostam. Lucas que entende e achou sucesso.

SUCESSO: Big Volley! Cara, aquela bola gigante parece leve e fofa nas fotos, mas AQUILO É PESADO. Elisa quase perde os dedos, Lucas quase quebra o pescoço e, gente, sou idoso, A MINHA LOMBAR. Mas sabendo não ir na bola sozinho que nem um tarado e jogando em equipe, o jogo pode ser bem divertido. Só tenha cuidado com a bola.

Eu super focado no jogo
Meu time perdeu de lavada, NÃO ENTENDI

SUCESSO: Aula de ritmoS! Não fiz, mas Lucas dançou e aprovou. Cama elástica! Um jogo de totó humano que achei chato, mas galera amou! Fazedor de bolhas gigantes! Não fiz, mas muito bonito de ser ver. Nada disso tinha uma fila com mais de 5 pessoas.

PERRENGUE: Já era de se esperar que os comes e bebes vendidos não fossem ser baratos, mas 10 reais num misto quente já achei meio puxado. Eu compro por 2 reais nas ruas do Centro do Rio. Eu nem almocei, porque né.

SUCESSO: Pode entrar com comida e bebida, então acho que vale a pena levar seus próprios lanches.

PERRENGUE: Eu fiquei tanto tempo na maldita fila da tirolesa que nem tive tempo de ir em todas as atrações. Tive que ser seletivo e ir só no que eu realmente queria, porque não dava mais tempo ou eu não tinha mais pique.

SUCESSO: Guerra de cotonetes! Apenas que eu sou o rei disso e Lucas jamais teve uma chance.




Luta que venci movido pelo ÓDIO 
depois de tanto tempo perdido na fila da tirolesa

Engraçado que depois fui duelar com a Elisa, e a moça da Bubble Fest que estava monitorando o brinquedo, vendo que estávamos meio que empatados, gritou:

- BATE COM FORÇA, GENTE, EMPURRA O OUTRO COM O COTONETE
- Você quer que eu dou NA CARA dela com esse cotonete?
- É, UÉ, É ASSIM QUE FAZ.

Gente, não é assim que faz Hahahahah Os cotonetes não são leves, vocês se respeitem.

SUCESSO: Teve coisas que não experimentei, tipo o Futebol de Sabão, guerra d'água, Archery Tag e tal. Nem na piscina eu entrei. Isso mostra que há realmente muitas opções.

PERRENGUE: Não sei o vestiário feminino, mas o vestiário masculino não era lá grandes coisas. Além de pequeno (não cabia 10 pessoas dentro), não dava muita privacidade. O lugar de trocar de roupa era DE FRENTE pra porta. E alguém vivia deixando a porta aberta, qualquer um lá fora podia ver. Só tinha dois chuveiros e uma das cabines NEM TINHA PORTA. Ok, eu nem tenho problema em exibir meu corpo nu com outros homens no recinto, porém, essa cabine sem porta TAMBÉM ERA VIRADA PARA A PORTA DO VESTIÁRIO, que vivia aberta. Aí ficava puxado, gente. Passa uma senhorita ou criança lá fora e, PÁ, olha aí eu sendo acusado de atentado ao pudor. Resolvi tomar banho de sunga, que nem no Big Brother.

SUCESSO: O clima. Não o clima CLIMA, até porque estava nublado, mas estava todo mundo se divertindo de boas: famílias, crianças, casais, amigos, não rolou nenhuma briga ou desentendimento. Gostei das good vibes, dos animadores do evento... Era um lugar pra ser feliz, sabe? Ainda é um evento de gente rica, na minha opinião, mas não tão rica ao ponto de todo mundo ser branco com cara de europeu. No quesito de público, achei razoavelmente diversificado.



Bom, poderia ser melhor? Tanto poderia que VAI SER assim que eu voltar lá na próxima edição que rolar aqui no RJ com um lindo dia de sol. E óbvio que nem ameaçado de morte eu entro na fila da tirolesa. Fora isso, foi tudo ótimo! Certeza que volto com ainda mais gente.

Pra quem se interessou, a Bubble Fest acontece no RJ só uma ou duas vezes por ano, mas isso porque ela viaja pelo Brasil. Então galera de SP, MG, Brasília, etc pode ficar de olho na página dos organizadores. Além da Bubble Fest, eles organizam outros eventos doidos que podem ser legais também. Recomendo a experiência!

Posted on terça-feira, outubro 17, 2017 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, outubro 09, 2017

Acho que qualquer pessoa que me faz uma pergunta direta sobre um assunto polêmico já percebeu como eu enrolo e, no final, raramente dá para saber qual de fato é minha opinião. Não concordo nem discordo, muito pelo contrário. E o contrário, no caso, é que eu quero gritar AI, NÃO SEI, ME DEIXA EM PAZ.

Eu sou muito ruim nesse lance de ter opiniões contundentes. Inclusive, fico fascinado e com um pouco de medo ao observar gente que consegue.


No máximo, consigo dizer o que é bom ou ruim pra mim, mas, se eu tivesse que fazer leis e definir regras para um grupo de pessoas ou algo assim, acho que eu ia querer morrer. Eu vejo pessoas em cargos de autoridade tendo que decidir coisas polêmicas e fico "Nossa, ainda bem que é ele e não eu".

Cara, tem tanta coisa que eu simplesmente NÃO SEI. Tem coisas que eu não gosto nem de pensar. As pessoas me perguntam esperando um concordo ou discordo, mas eu fico 57 horas pensando no assunto e não consigo chegar à nenhuma conclusão.

Acho que, por conta disso, eu gosto de jogar muito em cima do muro. Como eu não tenho opinião formada, eu ouço as pessoas. Tento ouvir todos os lados. Não que isso me ajude a decidir, mas eu pelo menos tenho o que dizer numa discussão. Ou seja, conversando comigo, eu vou sempre tentar furar o seu argumento com "serás".

- ESSE QUADRO É PEDOFILIA.
- Será que é mesmo? Tem gente dizendo que é uma crítica social.
- ISSO É CENSURA! NÃO PODEM PROIBIR ESSA EXPOSIÇÃO.
-  É censura ou só gente que não quer ver?
- QUE PROFANAÇÃO DA RELIGIÃO.
- Será que não pode criticar religião?
-  LIBERDADE DE EXPRESSÃO! A GENTE FALA O QUE QUISER!
- Mas será que é ok ofender as pessoas?

Posso ser insuportável.

Eu fico pensando e repensando os lados e, de alguma forma, consigo concordar e discordar de ambos. Abençoado seja o rapaz Deus que não me fez ter que decidir qual é o melhor e mais certo.

***

Pior ainda quando eu não tenho NADA a ver com o assunto. Nesse caso do peladão do MAM, por exemplo, eu nem abri a boca. Eu não sou pai, não sou criança, não sou artista, não sou dono de museu... Eu não faço ideia do que faz bem ou mal para os envolvidos, Deus me livre de ter que opinar. Me faltam DADOS, experiência, sei lá, me falta tudo para escrever um textão na internet xingando alguém. Talvez, depois de 3 anos estudando o caso, eu consiga dar um parecer.

Política, aborto, preconceito, representatividade na ficção, apropriação cultural, arte, religião, MEU DEUS, GENTE, mantenho até distância se posso. "Não sou capaz de opinar" é meu hino.

***

Eu sei que é importante a gente se impor e defender aquilo que a gente acredita, porque senão os outros passam por cima da gente como um rolo compressor, mas... Nessas questões sociais, eu tenho o maior medo de apoiar um troço que vai dar mó errado lá na frente. Vai que eu apoio o peladão do MAM e aí um monte de criança acaba sendo exposta a safadezas e fica desgraçada da cabeça? Mas vai que eu não apoio e aí a ditadura militar surge do abismo e toma o poder do Brasil? Nossa, muito complicado. Só observo e fico na torcida para que tudo acabe bem.

Posted on segunda-feira, outubro 09, 2017 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 25, 2017

Acredito que a maioria saiba, mas, para quem chegou agora, antes do Não Sei Lidar existir, eu mantive um outro blog por bons 4 anos. Acabei encerrando de vez o antigo blog alguns meses atrás, não fazia mais sentido ficar mantendo aquele fantasma, mas uma coisa eu não previ: Tinha tanta história boa por lá! E vira e mexe eu quero citar um causo que contei no blog antigo e fico frustrado porque não há mais links. Daí que resolvi ressuscitar e repostar aqui os textos mais necessários. Esse é o primeiro. Vou dar uma revisada e uma atualizada. Quem não leu antes, divirta-se. Quem já leu láaaa em 2012, recordar é viver também :)

*** 

Gente, segue abaixo uma história que eu PRECISO deixar registrada, porque senão até eu vou achar que sonhei daqui a alguns anos. Avaliem.

Foi em 2012 que a editora Novo Conceito anunciou um concurso de poesias que valia nada mais nada menos do que um box COMPLETO da séries de livros "Beijada por um anjo". Se em 2017 você não faz ideia do que se trata, naquele ano as pessoas sabiam. Uma série adolescente cafoninha querendo seguir na aba de Crepúsculo, mas com anjos no lugar de vampiros. Eu zoava sempre que podia porque eu acho que eu era meio babaquinha.

O anel vinha junto também. Sério.

Se não fosse a minha tara por concursos culturais, eu nem teria olhado, mas quis ver que tipo de poesia as pessoas estavam escrevendo pra ganhar o box. Foi decepcionante. Não entendo de poesia, não gosto de poesia, não compreendo quem gosta, mas tenho amigos etc e, toda vez que tento ler uma, eu durmo ou fico com a sensação de que faltam umas 200 palavras. Mesmo assim, eu reparei que, pelo menos as primeiras poesias postadas, eram muito ruins.

"Você é meu raio de sol"
"Rosas são vermelhas, violetas são azuis..."
"Meu coração por ti bate..."
"Você é meu anjo de luz, raio, estrela e luar"

Francamente. Se só UMA pessoa levaria o box, como a editora iria escolher se todos estavam seguindo o mesmo padrão? A mesma melosidade, versos até sem sentido e mais zZZzZZ. Foi aí que eu tive a CERTEZA de que poderia escrever algo melhor do que aquilo. Se eu iria ganhar era outra história, mas ainda assim meti a cara nas poesias, li sobre rimas ricas e raras, formatos e - tcharam - virei um poeta.

A parte mais incrível foi quando apaguei no ônibus vindo pra casa e  - pausa dramática - TIVE UM SONHO. No sonho, eu escrevia uma poesia sobre anjos e assinava como F.Harquimedes e GANHAVA a promoção. Foi aí que nasceu F.Harquimedes, o futuro maior poeta brasileiro. Você sabe o que significa esse nome? Pois eu também não. Quando descobrir, me conta. Já veio pronto no sonho, nem reclamei.

Dizem que o poeta é um fingidor (Li isso no meu processo de aprendizagem que durou 1h30), então eu simplesmente entrei no personagem e no dia dos namorados estava eu escrevendo a poesia abaixo:

“Faz-me acreditar que és um anjo
Seu sorriso num belo arranjo
Mesmo sem asas, apenas vontade
Um convite à calamidade.

O amor que me atrai e me repele
Há mesmo um lobo por baixo dessa pele
Sentimento de dúvida voraz
Mas, o mesmo que me afasta, me traz.

Fere-me com setas, envolve-me em asas
Inferno límpido, um céu em brasas
Lobo bom, anjo mau
Amor bandido, paixão visceral."

PAREM DE RIR.

Eu já estava com vergonha de ter parido isso em 2012, agora em 2017 eu não sei nem o que dizer. Mentira, sei, sim: É TÃO RUIM QUANTO TODAS AS OUTRAS, AGORA VEJO.

Mas, poxa, ninguém ganharia o concurso se continuassem no mesmo lenga lenga então eu tive F.Harquimedes teve a brilhante ideia de escrever esse poema sobre um amor estranho, complicado, que causa mal e bem, ainda dando um jeito de colocar anjos no meio.

Até que o resultado saiu.

DÁ PRA ACREDITAR QUE F.HARQUIMEDES REALMENTE É UM SUCESSO NO MUNDO DA POESIA??? EU VENCI.



E ainda teve esse bônus: "Entre todas as poesias enviadas, um sortudo destacou-se, enchendo de suspiros os corações da Equipe Comercial e de Marketing da Editora Novo Conceito".

BERRO.

Mas hilário foi esse comentário de alguém na página do resultado: "Nossa! Com certeza, lindo! Contou a história da série de forma que só quem já tivesse lido soubesse totalmente do significado!".

EU NÃO SEI DO QUE ESSA PESSOA ESTÁ FALANDO.

E essa é a história toda. Depois de ter ganhado o 5º Beijada por um anjo num sorteio (Duas vezes, diga-se de passagem) agora tenho que me virar com esse box e um anel de prata. Essa série quer MESMO ser lida por mim. Se fosse "Beijada pelo Demo", até rolaria uma curiosidade, mas amor meloso com anjo no meio...

Agora me digam se minha vida não daria uma série de TV de comédia?

***

O ANO É 2017. F. Harquimedes se tornou um perfil abandonado no Twitter e fez aparições no meu livro Não Somos Um. Eu paguei língua e por todos os meus pecados e não apenas li os CINCO volumes de Beijada Por Um Anjo como também ontem mesmo pedi o último livro no Skoob Plus e tô esperando chegar para fechar este ciclo. Vocês acreditam que eu gostei? Não é nenhuma obra de arte transformadora de vidas e poderia ter terminado com decência no livro 3, mas me rendeu bons momentos de entretenimento. Até recomendo pra colocar alguém que não tem o hábito de ler no caminho da leitura. Ainda tenho o anel de prata, por um acaso nunca usei e não faço ideia do que fazer com ele. Acho que em 2017 ninguém mais tem coragem de usar esse troço.

Posted on segunda-feira, setembro 25, 2017 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 18, 2017

Às vezes eu sou sugado para dentro do Youtube e, quando percebo, já assisti várias compilações aleatórias naipe "Os 16 tombos mais feios do futebol feminino", "As 25 piores batidas de carro 2017" e "Os comerciais de creme dental mais esquisitos do mundo". Pois é. Faz parte da vida.

Daí que, na minha cabeça, existem vídeos que eu adoraria assistir, mas que, infelizmente, são compilações impossíveis, a menos que eu realmente viva num reality show filmado por Deus e que ele edite para me mostrar no pós-vida. Veja se você concorda comigo.



1) X vezes em que tudo quase deu errado

Eu amo ver essas compilações de pessoas mais sortudas do mundo que mostram situações em que, POR UM MILAGRE, uma desgraceira não aconteceu. Tipo criança cair na rua, um carro passar por cima e nada acontecer, a criança levanta e está tudo de boa. Ou quando uma pessoa QUASE é atropelada ou uma árvore QUASE cai em cima de alguém. AMO.

Tipo esse

Queria ver uma versão minha, com desgraças que quase me ocorreram. Pessoas que QUASE me assaltaram, mas eu sem saber saí do recinto, ônibus que eu deixei de pegar e se envolveram num acidente, animais hostis que me atacariam, mas eu desviei meu caminho de última hora... Cara, eu ia gritar muito assistindo isso.

2) Pessoas se pegando

NÃO ESTOU FALANDO DE PORNÔ.

Uma coisa que Grey's Anatomy me ensinou é que TODO MUNDO se pega no elevador e, bom, eu uso elevadores todos os dias e nunca suspeitei de nada. Ou seja, as pessoas disfarçam MUITO BEM. Eu gargalharia com esse vídeo com pessoas se pegando em elevadores, salas, vestiários, banheiros públicos e retiros e parando e se ajeitando imediatamente ao notarem minha aproximação. Daí eu abro a porta e digo "Oi, gente, tudo bem aqui? Tá um calor, né?". BERRO.

Do jeito que a galera é, não é difícil acreditar em pessoas fornicando embaixo do nosso nariz.

Aquela vez que você foi pegar uma pepsi e encontrou uma moça gentil se afastando da máquina.

3) Gente falando bem de você

Eu adoro receber elogios, mas nem sempre pessoas que gostam de você falam isso para VOCÊ. Por timidez, vergonha, falta de oportunidade, sei lá. Os motivos são muitos. Mas elas geralmente não possuem freios para te elogiarem para outras pessoas. Tá aí um vídeo do bem que todo mundo mereceria assistir: Pessoas falando bem de você para outras pessoas sem você estar presente. QUE HINO, GENTE. Sua mãe te elogiando exageradamente para as amigas dela, seus amigos falando do amigo incrível que eles têm, seus ex-colegas de trabalho falando daquela pessoal legal que trabalhava lá, pessoas da internet falando sobre você no privado, gente que curte as artes que você faz indicando para outras pessoas, AAHHHHHHH. Talvez seja o meu vídeo impossível favorito.

A gente vendo pessoas que nem imaginávamos falando bem da gente

(Uma outra versão impossível seria gente falando MAL de você, mas aí não sei se teria um impacto tão positivo assim. Deus me livre de assistir isso)

4) Tinha um conhecido bem ali

O mundo não é tão grande quanto a gente imagina e tem aquela regra universal dos seis graus que separam a gente de qualquer outra pessoa no planeta Terra, então imagina essas verdades sobre a sua cidade? Simplesmente que TODO MUNDO se conhece, mas você não sabe.

Eu daria meu reino por um vídeo que mostrasse que já dividi recintos com conhecidos ou semi-conhecidos ou pessoas que na época eu nem conhecia, mas agora conheço!

Sabe aquele tio da sua melhor amiga que você nem sabe que ela tem? Então! Ele é aquele cara que tava sentado do seu lado no ônibus ouvindo funk sem fones de ouvido! Sabe sua nova professora na faculdade? Ela estava no mesmo vagão do metrô que você quando peidaram lá! Na verdade, o peido veio dela! Você provavelmente já passou mil vezes na rua por várias pessoas que só depois veio a conhecer. Vocês estavam tão perto!

Você! 
E aquela pessoa que te segue no Instagram! 
E sua futura sogra! 
E o presidente do Brasil de 2045!

Eu ficaria abismado com todas as coincidências e assistiria esse vídeo mais de 17 vezes.

***

Fica aqui a torcida para que Deus manje dos paranauês da edição de vídeos.

Posted on segunda-feira, setembro 18, 2017 by Felipe Fagundes

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