quarta-feira, setembro 05, 2018

Parece que só agora estou tendo que aprender a namorar. Chega a ser engraçado dizer isso, porque a impressão que há é que é aquele tipo de coisa que todo mundo sabe ou, se não sabe, aprende naturalmente. Deixa acontecer na-tu-ral-men-te. É um conselho que talvez eu nunca tenha seguido na vida.


Fui um adolescente que não pensava em relacionamentos. Assim, é meio impossível não ser afetado pela nossa sociedade, que o tempo todo joga casais e casamentos na nossa cara, é fácil se sentir sozinho e rejeitado e talvez vez ou outra eu tenha me sentido assim. Porém, era raro. Não que eu desprezasse romances, mas eu simplesmente me interessava mais por outras coisas e lá no fundo eu sentia que comigo era diferente.

Só fui conhecer a assexualidade um pouco mais tarde e aí fiquei Ah, agora tudo faz sentido. Eu já tinha percebido observando os relacionamentos dos amigos que se relacionar com outras pessoas não é tão fácil e legal como pregam. Às vezes, é melhor ficar sozinho, gente. Eu não entendia por que as pessoas beijavam na boca e nem como elas tinham coragem de tirar a roupa e se enfiar uma dentro da outra. Eram coisas tão íntimas. Eu me achava incapaz. Aí abri mão.

Meu pensamento era bem simples: Eu estou de boas sozinho + não sinto muita vontade de me relacionar com ninguém + todo mundo gosta de coisas que acho intrigantes + Deus me livre ter que fazer o que todo mundo faz. Aí deixei essa parte da minha vida pra lá. Isso já faz tanto tempo que a sensação é de que sempre foi assim. Eu não conseguia nem visualizar eu namorando alguém. Planos de casamento? Nunca fiz. Sonhar com família, morar junto, ter bebês? Nunca cogitei.

Lembro de ter ido ao Google várias vezes pesquisar Pessoas que não se casam, como fazem na velhice?, Pessoas solteiras 60+ são felizes?, Estilos de vida na terceira idade sem casamento envolvido. Achei algumas histórias e depoimentos que me deixaram mais em paz. Realmente não é obrigatório se envolver com pessoas e é possível ser feliz sem um interesse romântico. Então tava bom. Resolvi focar no meu trabalho, nos meus amigos, um pouco na minha família, nos meus mil projetos pessoais...

Enquanto as pessoas estavam aprendendo como beijar na boca, como se comportar durante um namoro, como lidar com mais de um contatinho entre outras coisas, eu estava matando essas aulas todas. Não estava prestando atenção. Como eu achava que pra mim não ia rolar mesmo, não fazia sentido perder meu tempo com algo que eu nunca ia viver.

Mas aí rolou.


Não sei direito como namorar, gente. Nunca me identifiquei com aquela música dos Tribalistas, até porque antes nem beijar de língua eu sabia também. Não tem como deixar acontecer na-tu-ral-men-te porque não tem nada de natural. Cada dia mais eu percebo que o molde de relacionamento que a gente tem é uma construção social, porque eu não consigo ainda absorver por osmose. Existem regras que as pessoas não me contaram. Eu fico o tempo todo perguntando para os amigos "Num namoro, pode isso? E aquilo? Se acontecer X, eu posso fazer Y? É obrigatório fazer A? E B? Dá pra ter A, B e C ao mesmo tempo?". E olha que eu nem estou falando de sexo (mesmo também tendo muitas questões).

Sinto que não tenho muito espaço para um namorado porque preenchi cada pedacinho da minha vida com outras coisas. Como assim abrir todo um espaço livre na minha agenda para atender uma pessoa? E meus amigos? E minha família? E os livros todos que quero ler? Quem vai colocar minhas séries em dia? E as ciladas do bem que adoro criar? Quem vai escrever meus livros? Vocês sabiam que manter um blog ativo consome tempo pra caramba? Essa é uma questão.

A outra é que, gente, eu quero namorar? Geralmente gente que já namorou muito ou sonhou demais com comédias românticas tem um resposta pronta, mas eu não sei... Será que funciona comigo? Já vi tanto namoro dando super errado... Fico sempre pensando no fator exclusividade, no tempo que a gente precisa ceder, nas diferenças básicas da vida de solteiro pra vida de alguém que namora... Além disso, eu sinto que tô formando minha identidade sexual agora (2018). Antes eu não queria ninguém, agora eu sei que TODOS OS GAYS DO MUNDO são uma possibilidade. Na verdade, TODOS OS RAPAZES QUE GOSTAM DE RAPAZES. É muita gente, são muitas opções. O tanto de realidade de vida disponível. Como escolher só um?

Tava conversando com o menino que eu gosto que eu talvez queira ser que nem a Glória Maria, que tem um namorado em cada país. Ela diz que é fiel a eles, mas só quando está viajando pelos respectivos países. Ela não casa, não mora junto, mas tá aí namorando horrores. O menino que eu gosto prontamente respondeu ENTÃO EU SOU O DO BRASIL. Risos.

Eu tenho vários amigos, por exemplo, e gosto de todos. Eles não ficam o tempo todo comigo e nem ocupam o mesmo espaço na minha vida. Alguns são mais próximos, outros aparecem com menos frequência. Além disso, nem todo amigo eu vou, sei lá, chamar pra fazer uma trilha. Tem amigo que é de trilha, mas tem outros que são de ir ao cinema, de ficar conversando muito, de passeios de aventura, de contar segredos, de desabafar, de pedir conselho, de viajar... Não faço tudo com todos e alguns são melhores do que outros nessa ou naquela atividade. Não é um problema. Todos continuam sendo meus amigos e amo todos. Será que dá pra namorar assim?

É como se o modelo de namoro mais pregado por aí não encaixasse muito com minha rotina. Acho que pessoas em geral não refletem muito sobre isso, pois com 14 anos ou até menos já estão namorando e comprando esse esquema pra si, mas eu tive muuuuuuuito tempo pra pensar. Estou até dando uma olhada em coisas como relacionamento aberto, poliamor, mas até esses formatos que parecem mais moderninhos não me deram ainda a certeza de que são o que estou procurando pra mim.

Eu sei que gosto das pessoas que eu gosto. Gosto de carinho, de atenção, de companheirismo. Descobri que também gosto de beijar na boca e otras cositas más. Amo gente que se interessa pelas minhas coisas. Amo ser amado e poder amar de volta.

Preciso pra ontem aprender a namorar de um jeito que funcione.



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Posted on quarta-feira, setembro 05, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, agosto 21, 2018

Minha virilha ainda dói depois de eu ter feito o que fiz. Eu não sabia se estava preparado, mas acabei topando. Pra tudo tem uma primeira vez, né? Já haviam me feito a proposta antes e eu já quase tinha cedido no calor no momento, mas recusei. Sei lá, por medo, por vergonha. Talvez doesse... Essa experiência já estava na Lista desde os primórdios, mas a coragem nunca vinha. Só que, poxa, tanta gente faz! A oportunidade surgiu novamente e resolvi aceitar.

É isso mesmo que vocês estão pensando: Montei num touro mecânico.



GENTE, PELO AMOR DE DEUS, OLHA ESSE ROXO, MINHA VIRILHA UM DIA VOLTARÁ AO NORMAL? Espero descobrir em breve, pois também a uso para outras funções (não disse quais).

Eu tinha acabado de voltar de uma Bubble Fest, ela mesma, a cilada do bem com o melhor custo-beneficio de todo o Rio de Janeiro, quando anunciaram OUTRA logo no dia seguinte. Eu falei DEUS ME LIVRE porque é uma delicia, mas cansa pra caramba, e nem tava dando bola para os anúncios quando vi o touro mecânico. AH, PRONTO. Me senti na obrigação de ir porque ONDE eu encontraria um troço desses? (Na verdade, depois eu descobri que em vários lugares, mas na hora eu apenas senti que aquele touro era o meu touro e comprei o ingresso). Touro mecânico está há SECULOS na minha lista de experiências para viver antes de morrer e talvez eu morreria já ali sobre aquela máquina hostil. Achei poético.

Uma coisa que sempre me afastou de touros mecânicos é que eles são projetados para te derrotar. Que nem teste ergométrico. Não há como vencer um touro mecânico, ele sempre te derruba no final, nem que seja te vencendo pelo cansaço. Ele não cansa. Assim... Até aí TUDO BEM, mas meu maior medo na vida ainda é a humilhação pública e eu conseguia imaginar, sem nem me esforçar muito, eu, todo magrelinho, desajeitado e 57% gay, servindo de chacota pra plateia hétero que geralmente acompanha esse tipo de brinquedo. Não sei por que exatamente tive coragem dessa vez, mas o fogo no rabo foi maior que o medo e MONTEI.



3 vezes. A primeira vez foi uma derrota e não falaremos dela, mas na segunda eu nem sei se podia, mas agarrei nos CHIFRES do anima1-robô e durei mais. Caí rápido também e, de alguma forma, é como se aquele bicho espancasse a gente com poder da mente,  então... ok. Fiquei ok. Tava bom já. Risquei 1 item da Lista, uhull, tem outros brinquedos nessa Bubble Fest. Fim.

Mas lá no finalzinho da festa, EU VOLTEI. Ah, mas eu voltei. Nem tinha fila, mal tinha plateia, acho que todo mundo já tinha sacado o nível de hostilidade daquele monstro e ninguém tinha ido ali na Bubble Fest pra ser agredido. Aí eu fui, né, meu jeitinho. Juro pra vocês que estava sem expectativa nenhuma. Até falei para os amigos que não precisava tirar foto nem nada, já que já tinha foto das outras vezes. Montei, bocejei, agarrei, esperei. O moço ligou o touro.



Ele começa bem gostosinho e a gente pensa, ah, nem é tão ruim, dá pra ficar meia hora aqui, mas eu já sabia o que estava por vir e desde o começo já abracei o pescoço da besta-fera. Não demorou 3 segundos pro inferno começar. Gente, eu não sei. Não é possível, MAS AQUILO PULA, AQUILO VOA, SAPATEIA, vai além das leis da física e das leis que regem animais com chifres. Aquilo me deu UM ÓDIO que me fez me atracar com aquele bicho e não soltar mais. EU LUTEI PELA MINHA PRÓPRIA VIDA, ME ATRAQUEI GOSTOSO, CRAVEI AS PERNAS, CHEIREI Ο CANGOTE. NINGUÉM ME TIRA DAQUI MAIS, EU NÃO VOU SAIR, EU VOU DERRUBAR ESSE DEMÔNIO. Ouvi as pessoas falando NOSSAAAAAAAAA e ESSE MOLEQUE É BOM. Eu ia caindo de um lado, me jogava pro outro. Me salvei uma meia dúzia de vezes. Na minha mente eu tava falando NÃO É JUSTO, EU TENHO QUE VENCER, ALGUÉM DESLIGA ESSE BICHO, SERA SE JÁ PASSOU UMA HORA???



Caí feliz, mas acho que não passaram nem 10 segundos. Mas em anos de touro com certeza foi um recorde e levantei me sentindo UM VENCEDOR. EU VENCI. EU DOMEI A FERA. "Ah, mas você caiu igual todo mundo". EU NÃO QUERO SABER. Aposto que fiquei mais tempo do que todo mundo na festa (quem foi comigo favor não me desmentir, na minha cabeça e no meu coração foi assim). ARRASEI, GENTE.




Recomendo esse tombo a todos.



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Posted on terça-feira, agosto 21, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, julho 31, 2018

Estava lembrando de um texto que li ano passado em que pessoas de uma redação de revista refletiam sobre o fato de que só tinha gente branca trabalhando com eles. E todo mundo era do eixo Rio-SP. Era um texto sobre representatividade e tal, e eles queriam fazer um esforço real para mudar esse quadro. A motivação deles não era só preencher cota e satisfazer, sei lá, a galera da internet. Eles, como jornalistas, estavam se perguntando o que estavam perdendo deixando de abraçar outras realidades de vida, outras perspectivas. A gente, principalmente homens e brancos, tende a pensar que a nossa realidade é a realidade padrão. Que todo mundo vive o mesmo, que nossa vivência é universal. Por isso que há uma resistência em acreditar nas falas sobre racismo, acreditar nos discursos feministas entre outras pautas. A gente não vive, daí os problemas dos outros parecem surreais e inventados. Isso tudo só pra dizer que tem muita coisa que eu não sei.

É spoiler pra quem não leu NS1 (meu livro), mas tem umas cenas lá no final em que a Melodee e o Arthur terminam o namoro e ela vai embora para o Canadá. Daí ele vai atrás dela para tentar reconquista-la. Na minha cabeça, isso era uma prova de amor incontestável: um homem indo atrás de sua amada, atravessando terras e céus em nome da paixão e outras cafonices. Óbvio que com ele chegando lá, ela fica balançada, surpresa, grata e feliz. Que homem fofo! Ele a ama mesmo! Daí eles reatam e fim.

Eu devo ter escrito isso em 2014, 2015... Jurava que estava abafando nas cenas românticas.

Quando postei no Wattpad, consegui alcançar muuuuuitas adolescentes e mulheres adultas. Essa e outras atitudes do Arthur geraram debates e comecei a reparar em vários comentários de meninas dizendo ter ranço do Arthur, que ele era abusivo, que a Melodee merecia coisa melhor... A princípio, fiquei meio COMO ASSIM? ELE É UM AMORZINHO! Mas depois eu continuei lendo e percebi.



Gente, vocês já viram o tanto de notícia de homem que, após o término do namoro/casamento, vai atrás da ex e tira a vida dela com crueldade? Mete bala, facadas, dizima uma família inteira, atropela... É assustador. Eu nunca tinha reparado nesse padrão. Seu ex ir atrás de você assim do nada é invasivo, é de deixar com um pé atrás. Acredito que essas vítimas também não esperavam serem assassinadas pelos homens que um dia elas amaram.

Uma amiga minha viveu uma coisa parecida. Namorava à distância um menino de outro estado, as coisas não estavam indo muito bem, ela resolveu terminar. Ele ficou chateado, mas, beleza, vida que segue, término não é fácil mesmo. Até que um dia do nada o lindo diz que está A CAMINHO DA CASA DELA pois PRECISAMOS CONVERSAR.· Fiquei imediatamente preocupado com a integridade física dela assim que ela me contou. Não foi à toa que os amigos todos se juntaram e fomos juntos marcar um encontro dela com ele. Não que isso fosse salvar a vida dela de um cara realmente decidido (ainda ia matar a gente), mas pelo menos desencorajaria um fulano inseguro.

Ele achou ruim.

Achou que era um absurdo ela pensar algo assim dele, disse que ele jamais seria capaz de machucar ela e que só queria conversar. Assim, eu também ficaria meio chateado se alguém pensasse isso de mim, mas eu que não arriscaria minha própria vida pelo ego ferido de outra pessoa. Cheguei a refletir se era paranoia da nossa parte, mas, caramba, acontece tanto.

É uma coisa que eu, como homem, jamais temeria caso uma ex fosse atrás de mim. Mesmo um ex homem não me deixaria alerta, porque quem traz a desgraça geralmente é o homem hétero que acha que a mulher não pode ser feliz sem ele.

No livro, eu meio que validei esse comportamento. Como se a menina fosse até obrigada a aceitar o ex só porque ele foi atrás dela. Imagina dizer não para um cara agressivo que atravessou um continente pra te ver. Corrigi isso depois, de certa forma. No conto "Os Quatro e o Fusca" rola uma pequena reflexão sobre o assunto. Sei que não farei mais nas minhas próximas histórias.

Mas quantas coisas eu ainda não sei? Quantas ideias equivocadas eu repasso por falta de conhecimento? Sei que só posso aprender mais conhecendo pessoas diferentes de mim. De outras idades, outros lugares, outra classe social, de outras religiões... Não quero perder nada.



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Posted on terça-feira, julho 31, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, julho 16, 2018

Eu amo vocês.

Acho importante terem isso em mente enquanto leem esse texto, porque vocês não estão acostumados a serem confrontados nesse sentido, já que todo mundo na bolha de vocês é homofóbico também. Convenhamos, vocês não conhecem de verdade 1 (UM) (Literalmente UM) gay. Talvez vocês pensem que estou com raiva, ódio, mágoa ou sei lá o quê, mas eu já estive aí desse lado e sei como é. Eu nem estaria aqui escrevendo isso se quisesse cortar vocês de vez da minha vida.


Eu amo vocês, mas não gosto mais de conversar com vocês. Também não sinto mais ânimo de compartilhar nada da minha vida, porque já sei mais ou menos como serão as suas reações. Não consigo mais chamar vocês para saírem comigo e com meus outros amigos ou mesmo aceitar convites, porque sei que em algum momento do rolê vou me sentir desconfortável.

Foi mais ou menos uma surpresa pra vocês, eu sei, foi pra mim também. Eu queria que a gente trabalhasse esse choque juntos, porque, do jeito que nossa amizade funcionava antes, já não funciona mais pra mim. Ou eu volto ao que era antes ou vocês dão um passo pra frente, mas todos nós sabemos que não vou voltar.

Vocês lembram quando estavam na dúvida se estavam apaixonados ou não? Lembram quando não sabiam se o namoro estava indo bem? E daquele dilema de qual pessoa vocês realmente amavam? Lembram? E de quando machucaram vocês? Lembram quando vocês já não sabiam mais o que fazer e precisaram de um conselho sobre como lidar com a pessoa que vocês amam? Lembram quando vocês estavam com medo do julgamento alheio e precisaram de alguém de confiança pra desabafar? E da dúvida na hora de casar? E dos desabafos? E daquelas horas em que vocês estavam muito tristes porque tinham brigado com as pessoa que vocês gostam? Vocês lembram?

Porque eu lembro. Eu estava lá.

Mesmo sem ter experiência nenhuma em relacionamentos amorosos, eu ficava horas ouvindo vocês. Por telefone, por mensagens, pessoalmente, de dia, de noite, até uma vez de madrugada. Eu acompanhei relacionamentos inteiros de vocês. Eu aconselhei, dei força, abri olhos, mandei a real, "Acho que essa pessoa não é pra você", "Esse relacionamento não está muito abusivo?", dei ideias, sugeri soluções, comemorei as pequenas vitórias ou apenas fiquei quietinho ouvindo, quando sabia que vocês só queriam falar.

Estão lembrando?

Aí, agora que eu FINALMENTE tenho 1 história pra contar e também tenho dúvidas, inseguranças, necessidade de desabafar e comemorar, vocês não estão aqui pra mim.

Eu: a

Vocês: Desconforto, piadas homofóbicas, inferno, "Não sei o que dizer"

Isso parece justo? Era de se esperar que vocês já soubessem o que dizer depois do tanto que já ouviram de mim. Não é difícil de entender. Sério, é praticamente igual. Só duas pessoas descobrindo o que sentem uma pela outra e que de vez em quando pisam na bola e pedem desculpas e querem agradar e querem ficar juntas e querem apoio. Não é difícil mesmo, vocês já viveram isso mais vezes do que eu.

Sei que não posso andar esse caminho por vocês. Só estou de longe dizendo "É por aqui ó". Espero que vocês queiram caminhar e cheguem até o final.

Estarei por aqui, como sempre.



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Posted on segunda-feira, julho 16, 2018 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, julho 13, 2018

É incrível como estou tentando escrever desde o final do ano passado. Consegui alcançar minha meta de ter um livro novo escrito antes da metade do ano? Não consegui e falhei miseravelmente. Mas, gente, vocês têm que me dar algum crédito.


Entra mês e sai mês e vejo um monte de blog morrendo, newsletters nascendo pra meia dúzia de edições e nunca mais, histórias inacabadas mil, mas eu tô aqui post atrás de post. Diminuí o ritmo e mal consigo emplacar 1 post por semana, mas parando eu não estou. Acho que tudo bem se eu quisesse parar de escrever para o blog também, mas eu não quero e hoje só passei aqui pra dizer que escrever é uma parte de mim. Uma parte importante, se já não está óbvio. Acho que já perdi a conta de quantos "Oi, gente, eu sumi, né? rsrsr" já vi por aí, e os motivos geralmente são faculdade, trabalho e vida acontecendo, mas, mesmo com trabalho, faculdade e vida acontecendo, eu nunca abandonei escrever de vez. Tem o blog, tem meu livro novo (Final de 2018, será que rola?), tem a série de novelas Não Sei Lidar... Se eu não estou aqui, eu estou lá e vice-versa.

Não consigo parar, mas, nos últimos seis meses, olha, quase parei. Gente, a vida aconteceu demais e teve uma fase aí que eu até fiquei triste porque não conseguia mais escrever. Não tinha tempo, não tinha cabeça, não tinha corpo. A vontade nunca me abandonou, mas não havia condições e passei esse tempo me arrastando tentando digitar uma letrinha por vez.

O Allan comentou comigo que pra ele minha vida sempre pareceu uma montanha-russa, porque eu não sossego o facho nem um segundo e, se você acompanha esse blog, deve ter notado como as coisas realmente andaram agitadas. Troquei de emprego, saí da casa da minha mãe, troquei de cidade, fui morar por minha própria conta, fiquei desgraçado da cabeça na Firma nova, PERDI O EMPREGO, conheci 1 rapaz pela primeira vez, beijei esse rapaz, terminei com esse mesmo rapaz e daí conheci outro rapaz, arrumei um emprego novo, INVENTEI UM EMPREGO NOVO e agora tô me mudando mais uma vez pra uma casa cheia de gente. E isso comigo presente para os meus amigos, tocando o Saia da Rotina e tentando manter o blog ativo.

Sobrou só um trapinho de espírito para a escrita criativa, e eu já estava me sentindo um fracasso de escritor.

Só fui me recuperando agora, vendo gente falar sobre escrever. Nossa, é a melhor coisa. Fica aí a dica pra quem escreve: Siga escritores nas redes sociais, acompanhe o trabalho deles, frequente eventos literários. Eu fico MUITO inspirado vendo pessoas contarem suas conquistas, falarem sobre o processo de criação e ouvir leitores explicando como uma história específica os impactou. Na minha timeline do Twitter, todo dia alguém lança um livro, consegue um agente, fala que faltam X palavras pra bater a meta, dizem que escrever é horrível, dizem que escrever é incrível (a mesma pessoa)... Isso me deixa com vontade de não parar nunca.

Eu em todos os eventos literários que vou

Pra completar minha ressurreição, aconteceu outro BOOM de leitores de NS1 no Wattpad (eu realmente não sei como essa plataforma opera) e eu recebi muuuuitos comentários e depoimentos legais. Mas, assim, muito legais mesmo! Fiquei bestinha e com o coração em chamas. Me senti muito querido e é sempre bom lembrar que existe gente que ama minhas histórias. Eu esqueço às vezes, depois de muito tempo sem publicar nada novo.

Movido exclusivamente pelo fogo no rabo, me empolguei e escrevi um conto, especial do mês dos namorados! Já leu? É uma sequência de NS1, é uma coisa mais para quem leu o livro e estava com saudade dos personagens. Tem um milhão de spoilers. Mas é fofinho, engraçado e tô orgulhoso de ter escrito isso depois de meses sem finalizar nenhuma história.



Pra encerrar, agora é isso: Tenho essa meta não muito firme de escrever um livro novo até o final de 2018 (pelo menos o primeiro rascunho!), mas agora estou empenhado em criar um terceiro volume para a série Não Sei Lidar. Prontos para mais uma história orbitando ao redor dos personagens de Gênios e Malas? Eu estou prontíssimo e dessa vez tenho grandes planos. Vamos acompanhar!



OUTROS TEXTOS


Posted on sexta-feira, julho 13, 2018 by Felipe Fagundes

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