segunda-feira, maio 30, 2016

Acho que o principal motivo que me fez desistir da igreja foi uma inquietação que, DO NADA, se apoderou da minha pessoa. Uma agonia que foi crescendo devagar, sabe? Uma coisa meio estranha aqui, um julgamento meio esquisito ali, um amor seletivo acolá e uma inércia disfarçada por toda parte. E, claro, toda hora aquele choque de "Ué, mas Jesus não disse X? Por que estamos fazendo Y e achando ok?". Mas eu fui praticamente criado dentro de uma igreja, então entendam que demorou muito tempo para minha ficha cair.

Depois, vocês sabem, eu parei de frequentar cultos, fiquei um tempo sem saber o que fazer, topei com esse livro necessário e encontrei uma direção, um caminho: Jesus. Não sei se vocês sabem, mas Jesus na Bíblia fica o tempo todo dizendo que é "o caminho, a verdade e a vida", então eu fiquei todo "Ah, meu querido, então você vai ter que ser o caminho mesmo. Tipo, AGORA. Porque eu já estou sem opção". 



Na verdade, me pareceu até bem lógico que, ao sair da igreja, ainda querendo ser um cristão, não existia outra opção a não ser seguir a Cristo. Jesus era o melhor caminho e único possível. Se você quer seguir os passos de uma pessoa e ser muito bom nisso, o mínimo que você precisa é saber quem essa pessoa é. E, logo depois, conhecer o que ela faz, o que ela fez, o que ela disse, o que ela gosta, não gosta, quais conselhos que ela dá. Foi aí que eu tive a >>>EPIFANIA<<< de que a inquietação e agonia que eu sentia era a constatação de que a igreja não conhece Jesus. Não sabe quem ele é, o que ele fez, o que ele disse etc. Foi um choque. E dos grandes, porque eu também constatei que eu era parte do problema.


Umas perguntas básicas para os amigos cristãos lendo o texto: Vocês DE FATO conhecem Jesus? Tem certeza? Vocês já leram tudo o que ele fez e disse? Vocês já pararam para refletir se estão tentando conscientemente ser como ele foi?

Porque eu acho que respondi NÃO para todas elas. Me senti na obrigação de ir atrás desse conhecimento, sabe? Chega a ser uma falha de caráter. Na igreja, eu sinto que ficamos anestesiados, porque de certa forma estamos ali consumindo toda essa cultura crente, então PARECE que a gente conhece, mas, se paramos para avaliar algumas atitudes, a gente vê que está bem longe do padrão de Jesus. E não está dando a mínima pra isso. Daí eu fui atrás.

***

Gente, foram semanas em que eu me foquei nos 4 evangelhos e fui catando tudo o que Jesus disse. Pra facilitar, eu fui separando em temas, porque, ao olhar para um tema específico, eu conseguiria enxergar melhor o ensinamento por completo. Salvação, união, não violência, oração, humildade, bens materiais... Eu reuni bastante coisa, deu 33 páginas essa brincadeira. E, nossa, cada vez que eu coletava uma palavra dele e comparava com o que eu já tinha achado, eu me sentia mais próximo. Foi muito interessante. E chocante, porque eu estava encontrando coisas que eu nem sabia que estavam ali! Tipo, mais de dez anos de crente que eu tenho!!!

Todo mundo conhece pelo menos ALGUMA COISA sobre Jesus. Nem que seja um fato ou dois. Mas, sendo cristão ou não, a visão das pessoas é um tanto limitada, porque, caramba, que homem profundo. A maioria das pessoas enxerga Jesus como "um cara bom", "ele fez o bem" ou, e esta usam muito para criticar a postura da igreja, "ele mandou amar a todos". São definições bem vagas. Gente, eu preciso contar pra vocês, Jesus é mais que isso.

Jesus não é só BOM. Quer dizer, ele até é bom, sim, mas não esse bom que a gente imagina. Não é só "ser legal e respeitar". Até quando as pessoas usam esse "Jesus mandou amar" dá pra ver que entendem esse amor como "Trate bem quem faz coisas boas, trate mal que faz coisas ruins". O nome disso é JUSTIÇA, gente, o amor de Jesus é outra coisa. Não é nem um sentimento, digamos assim. É muito mais forte, mais amplo e te desgraça a cabeça todinha, porque Jesus é muito revolucionário. MUITO, gente, acreditem. A gente tem que dar um passo de cada vez, tem que abrir mão de várias coisas que aprendemos ao longo da vida e acreditar e experimentar que o caminho dele é realmente melhor. Jesus inverte as nossas prioridades todas e acho que é esse pulo do gato que a igreja não pegou. Ficamos só no "Jesus é bom", mas não nos aprofundamos. A gente conhece (e inventa) muita coisa em volta de Jesus, mas sobre ele mesmo... fuén.

(Só para exemplificar, eu fui num culto dia desses e falaram de Jesus só duas vezes. DUAS VEZES. O resto mal tinha a ver com ele. Experimentem qualquer dia fazer essa contagem na igreja de vocês)

Daí que, nessa minha jornada em busca do Jesus há muito perdido, eu tomei vários tapas da cara, aconteceram vários queixos caídos e muito samba da parte da nossa divindade favorita. Teve momentos em que eu tive que parar pra respirar, em outros eu senti as lágrimas vindo. Confesso que gargalhei muito também. Foi esse desequilíbrio emocional todo mesmo.

Eu sei, e você deveria saber também, que texto sem contexto é uma praga, mas preciso deixar aqui algumas coisas que encontrei e que me deixaram um pouco embasbacado. Qualquer coisa vocês olhem direito numa Bíblia aí perto de vocês.

E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

GENTE. Eu nunca tinha lido isso, juro pra vocês. Nunca tinha nem ouvido falar desse versículo e tá ele aí na nossa cara. Isso aí é um discurso que saiu da boca de Jesus. Olha que postura. Jesus estava mais preocupado em ajudar e salvar as pessoas do que julgá-las e condená-las. Quer interferir na vida de alguém? Interfere fazendo algo de bom para elas.

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.
E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam.
E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.

Que desapego, minha gente, que nível de desapego! Essa é uma passagem até bem famosa, mas é daquele naipe que as pessoas falam "Não sou Jesus pra agir desse jeito", como se fosse algo impossível de alcançar. Nem tentam. É um pouco mais "bom" do que você imaginava, não é mesmo?

E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.
Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,
E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te recompensar;

Quantas vezes eu já vi uma pessoa ou igreja fazendo isso? Zero.

***

Eu podia ficar aqui pra sempre mostrando os atos e palavras de Jesus. Baque atrás de baque. Estamos tão longe da realidade dele. É só ver o jeito que ele lidava com as pessoas, em como ele fazia questão de se sentar com as desprezadas e criticava exclusivamente os religiosos hipócritas, o modo com que ele tratava as mulheres numa sociedade ainda mais machista que a nossa, os discursos dele de amor e hospitalidade, de desapego das coisas materiais (enquanto as igrejas estão cada vez mais apegadas a dinheiro), de como a salvação é relacionamento e não regras opressoras... Jesus me fez ver que eu preciso praticar mais o amor dele.


Muita gente vê o cristão como alguém que NÃO FAZ coisas. Não bebe, não fuma, não transa, não vê TV, não escuta música, não faz tatuagem, não usa certas roupas, não vai à praia, não joga futebol, não xinga... Ok, ok, a maioria nem é verdade, mas o que o cristão faz? Se empenha em NÃO FAZER coisas.  A igreja fica parecendo um lugar em que, quando a pessoa se converte, ela apenas fica obrigada a cumprir uma série de proibições. Qual é a vantagem, não é mesmo?

Jesus mandou a gente FAZER. Amor é prática. Jesus disse Ide, Ame, Visite, Doe, Empreste, Alimente, Sacie, Agasalhe, Aprenda, Lave os pés alheios, Faça o bem, Seja. Como ouvi certa vez, fazer é a causa, não fazer é a consequência. Quanto mais amor você pratica, mais desamor você deixa pra trás. O que te faz mal você joga fora. Uma igreja parada só acumula coisas ruins.

ENFIM.

Eu sabia que não era maluco. Existe algo muito mais profundo do que essa religião superficial que só vacila hoje em dia, realmente existe um caminho em Jesus e eu quero caminhar mais nele. Vai ter Jesus, sim, e, se reclamar, vai ter mais.

Posted on segunda-feira, maio 30, 2016 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, maio 25, 2016

E, pra vocês verem que eu realmente devo morar numa série de TV, antes de pegar o ônibus pra casa dela, eu fui parado por crentes evangelizando. Achei que fossem me dar um papel e repetir o mantra que Jesus me ama, mas crente também inova e eles me deram uma bola dessas de festa, de encher. Tinha um papel dentro.

- Estoura, aí você vai ver o que Deus está falando com você
- Tipo um biscoito da sorte? (fui abusado, perdão, irmãos)
- MELHOR que um biscoito da sorte
- Como melhor se nem é de comer?
- ¬¬
- Obrigado :DDD

Porque eu fiquei realmente grato pela bola, vai que tem uma mensagem importante sobre a visita que eu estava prestes a fazer, uma coisa meio mística. Tipo "Amai ao próximo como a ti mesmo", daí eu ia entender que estava fazendo a coisa certa. Ou "NÃO MATARÁS", que acho que também é um bom conselho nesse caso de visitas. Acontece que quem me conhece sabe que tenho uns traumas relacionados a bolas de festa e sou incapaz de tentar encher uma com medo de estourar. Você estouraram aquela bola? Porque eu também não. Fui levando na mão mesmo até que eu percebi que seria meio ridículo chegar na casa da minha vó carregando uma bola de festa que nem era pra ela nem nada. Daí eu guardei uma bola cheia na minha mochila. Pois é.

(Esse introdução não tem nada a ver com a história, eu só queria contar o causo mesmo. O blog é meu)

***

- Oi, será que eu ainda posso entrar?

Foi assim que eu cheguei falando com um tio meu que abriu o portão. Confesso que eu estava esperando hostilidade, porque, convenhamos, na lógica de Família É Tudo, eu era o neto ingrato e sem coração. A Paula comentou no outro post que, pra quem está doente, a visita faz uma diferença enorme. Eu fui pensando nisso, sabe? Se ia deixar minha vó um pouquinho mais feliz, valia tentar.

- Quem sou pra impedir alguém de entrar, né? :)

Aí vi minha vó sentada na sala. SENTADA! Ela nem conseguia sentar antes. Quem sabe mais o que aquela senhora já era capaz de fazer? Eu estava tipo aqueles pais negligentes que não acompanham o crescimento dos filhos, perdem os primeiros passos e tudo. Mas, gente, mesmo eu ignorando praticamente TODOS os conselhos que vocês me deram, deu tudo certo. Me receberam bem, eu tive mil assuntos e coisas para contar, a peteca da conversa não caiu em nenhum momento. NENHUM.

Eu falhei total na cartilha da visita. A Aline disse para eu levar uma lembrancinha, e eu fui de mãos abanando. A Fernanda foi enfática dizendo para eu evitar falar de religião, política e futebol, porém, só futebol mesmo que não rolou Hahahah Não tinha como sair futebol de mim mesmo.

 Avisar, outra regra que eu também quebrei
Nossa, tanto pra aprender

Eu queria contar em detalhes, porque a experiência foi muito cômica. Uma família meio introvertida, cheia de mau visitadores, sem saber fazer sala para ninguém, sendo visitada pela minha pessoa. A gente foi praticamente um time que eu já cheguei motivando "Ok, não sei como a gente vai fazer nas próximas horas, porque eu sou PÉSSIMO em visitar e ter assunto, mas vamos tentar", e eles "A gente também kkkk". Ou seja. Pra vocês terem noção, os dois primeiros assuntos foram câncer e Alzheimer. "Nossa, a gente só fala de doença. Somos ruins mesmo nisso". Mas depois a coisa toda simplesmente andou. Tive como dar atenção pra todo mundo da casa e foi bem melhor do que eu pensava. Os meus assuntos todos doidos, mas foi. Falei da Lista, dos livros e das músicas com meu tio, falei das 5 linguagens do amor com a minha madrinha, falei do Trilha Radical e dos meus planos de dominação mundial resgatar a visão de quem Jesus é (falo em breve!)... Se tem uma coisa que eu fiz, essa coisa foi falar. E ouvir também, porque eles tinham muita história pra contar, devia estar tudo guardado há anos naquelas bocas fechadas. Aparentemente, eu sou um ótimo conversador.

Eu saí de lá tão REALIZADO. Quer dizer, nem foi difícil, nem desgastante. Foi BOM. Eu gostei de ter ido, de ter conversado, de ter visto todo mundo. Saí de lá prometendo um retorno que não demorará mais dez meses talvez uns sete? mas realmente querendo não perder esse contato. Eles são legais, eles me fazem bem, acho que podemos ser uma família sim.

- Vó, eu prometo que não perderei o contato novamente. Eu vou ligar todo dia e... Ah, mas a senhora odeia telefone também, né?
- Sim
- Aff. Vamos dar um jeito, vó.

(Gente, vocês acreditam que eles acharam uma das minhas músicas? Eu não mostrei pra ninguém, mas de alguma forma misteriosa eles ligaram pra contar que amaram, que alguém chorou, pra dizer que ficaram encantados Hahahahah Eu tô morrendo de vergonha. Ainda mais que devem ter encontrado aqui no blog, onde inclusive tem várias groselhas, posts sobre eles e neste exato momento devem estar me lendo também. OI, FAMÍLIA, TUDO BEM COM VOCÊS?)

***

Por último, mas não menos importante, eu tenho que destacar que eu amo Jesus, ainda mais depois de ter me empurrado para essa visita. Não é da boca pra fora. Ele SEMPRE acerta. Eu nunca fui na onda dele e me dei mal. E, sabe, com ou sem a religião, com ou sem uma igreja, acreditando ou não em Jardim do Éden, Arca de Noé, naquela novela horrível da Record ou no Apocalipse, Jesus é INCRÍVEL. Ah, mas é tudo lorota e esse cara nunca existiu. Honestamente? Eu só sei que confio e não me arrependo. Se um dia der ruim, a gente repensa o relacionamento.

Um dos meus versículos favoritos é um que diz que a vida eterna, na verdade, é conhecer Jesus. Não é "fazer coisas boas e ir para o Céu" ou "frequentar uma igreja" ou "seguir regras". É um relacionamento pessoal com Jesus, onde a gente aprende dele e com ele e coloca em prática amando as pessoas de um jeito que ninguém espera. Eu recomendo a todos.

Adoro como eu pareço cagado da mente falando essas coisas, mas ¯\_(ツ)_/¯

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Por último de verdade agora, obrigado a todo mundo que comentou no blog, mandou e-mail (eles serão respondidos, eu juro) e deu pitaco nas redes sociais. Vocês são muito legais comigo. Jamais parem :)

Posted on quarta-feira, maio 25, 2016 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 24, 2016

Logo depois de vulnerabilidade, reality shows e Jesus (não disse a ordem), Sinusite vem ganhando força como um dos meus assuntos mais frequentes, desde O Final De Semana Em Que Tudo Deu Errado. Gente, ela simplesmente não vai embora. Já me disseram que não tem cura, mas eu custo em acreditar em coisas sem cura. Quer dizer, eu vivi minha vida inteira sabendo o que era respirar e agora tenho que me contentar com congestionamento nasal? Eu nem sabia que tinha gente que vivia assim todo entupido. Estou em negação ainda.

Mas aí a Aline* dia desses fez uma intervenção por e-mail e jogou casualmente na conversa algo como "Você já experimentou usar lota?". E eu fiquei meio, gente, será que é uma nova droga? EU NÃO SOU CRACUDO, ALINE. Mas nem era. Ela me explicou mais ou menos do que se tratava, e eu fiquei NÃO É POSSÍVEL, porque, gente, é fascinante. Sério.

(* Eu costumo linkar as pessoas que dão pitacos, mas, Aline, só agora me dei conta que não faço ideia de quem é vocês nas internetes! oO)

Eu não tinha nada contra a lota (nem era amigo de nenhuma), até porque nunca tinha ouvido falar, mas, quando eu pesquisei, gente, QUANDO EU PESQUISEI, um mundo se abriu.

Se você não sabe o que é, é isso aqui.



Pois é, uma chaleira que você enfia no nariz, não há definição melhor. Não sei se existem outras ~receitas~ pela internet, mas você joga uma colher rasa de sal em água morna, põe na lota, enfia numa narina e aguarda feliz sair tudo e mais um pouco pela outra.

Sério, gente, há mais evidências. Pessoas REALMENTE fazem isso.




Foi nesse vídeo que eu definitivamente me apaixonei. A moça tão didática explicando a coisa toda, nos fazendo esquecer do surrealismo da situação. Quem consegue manter essa serenidade no olhar quando há uma cachoeira saindo do seu nariz num vídeo público no Youtube? QUEM? Ela, essa moça, ela consegue. Mas não foi pela melhor garota propaganda que me apaixonei, foi pelo Narin mesmo.


Gente, eu preciso de um Narin na minha vida. Imaginem! Essa água toda lavando você por dentro, pensem comigo, pensem na desobstrução das vias nasais, pensem em respirar, sintam o ar entrando e saindo. Te queremos, Narin! SOMOS TODOS NARIN! Ok, me excedi um pouco. Mas eu acabei de criar uma wishlist que ficou mais ou menos assim:

1. Narin
2. Narin reserva (nunca se sabe quando o outro pode sumir e a vida em mim desaparecer junto com ele)
3. Narin pra minha mãe (porque sei que ela vai querer e não vou emprestar)
4. Narin pra sortear no blog e no Twitter (porque vocês merecem)
5. Narin meramente decorativo

Eu nem usei, mas já posso me imaginar como um revendedor Narin. Eu poderia largar meu emprego agora, porque não tem como dar errado ganhar dinheiro convencendo as pessoas do BEM MAIOR. A empresa que vende o Narin poderia me patrocinar. Poderia me dar um desconto nas compras acima de dezessete Narins. Ou me convidar para uma participação especial no próximo vídeo comercial dando meu testemunho de fé e poder sobre o Narin milagroso. Eu poderia fazer camisetas. Já me vejo batendo na porta das casas e parando pessoas na rua para dizer "Você tem um minutinho para ouvir a palavra do Narin?". Eu quero viver nesse futuro glorioso, gente, eu sou facinho assim.

Mas, TALVEZ, eu esteja com expectativas um pouco altas sobre uma chaleira de nariz. Talvez. Porém estou confiando na moça da propaganda. Eu comentei no Twitter e até apareceu gente dizendo que já usou lota e é maravilhoso mesmo. Vou ter que comprar pra experimentar. Vamos acompanhar.

(Este poderia ser um lindo e remunerado publipost, mas não é, então NÃO COMPREM NARIN. Deixa eu ir na frente de cobaia por vocês e ver se o trem é bom mesmo, depois eu volto aqui pra contar a experiência)

Posted on terça-feira, maio 24, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 16, 2016

(Ou: Maggies do mundo)

Eu nem estava dando muita bola para a personagem, mas tem uma cena em que Maggie Pierce está super triste com uma notícia que ela recebeu no começo do episódio. Ela não conta para ninguém, nem para quem está assistindo o final dessa temporada de Grey's Anatomy cheia de dramas, tragédias e mortes injustas, embora a gente veja ela sofrendo com isso o episódio todinho. Só no final que ela desiste de guardar a dor e dá uma chorada básica na frente da Meredith, nossa amada e odiada PhD em DESGRAÇAS, e conta o causo todo. Era um problema no casamento dos pais dela. E a Meredith fica "Mas, gente, por que você não me contou antes?".

A resposta da Maggie não poderia ser diferente da que ela deu. "Como falar com você de problemas triviais, SE SUA VIDA É TÃO DESGRAÇADA E TODO MUNDO AO SEU REDOR MORRE?". Ok, ela não disse exatamente isso mas deveria ter dito, pois é a verdade.


"Não cresci como você. Nunca perdi alguém. Nunca nem um gato meu morreu, ainda tenho todos os meus avós. Nunca houve escuridão em minha vida, nada aconteceu na minha vida, então não posso falar disso com você"

MAGGIE, ME ABRAÇA, VEM FALAR COMIGO. Posso dizer com segurança que nunca vi esse discurso na ficção, porque, ouvindo a Maggie desabafar, eu senti aquele >>>EXATAMENTE ISSO<<< que só acontece na primeira vez que alguém realmente te entende. E, nessa cena, eu entendi a Maggie e sei que ela me entenderia se pudesse me ouvir. Talvez um de vocês lendo esse post saiba do que estou falando e se sinta representado também.

Se vocês perguntarem o motivo, eu não saberei responder, mas, gente, é bem isso aí, "nunca houve escuridão na minha vida". Não tem Hello Darkness My Old Friend e nem Queria Estar Morta do lado de cá. Eu sempre me senti amado por alguém. Pessoas em geral sempre me elogiaram por uma coisa ou outra. Tudo bem que tenho ambições baixíssimas na vida, mas sempre pude ter o que eu queria ter naquele momento. Eu nunca passei por uma dificuldade financeira. Nunca fiquei com fome ou frio, e nem desesperado, por não ter dinheiro. Eu nunca perdi um ente querido. Eu ainda não sei o que é lidar com o luto, eu não sei o que é sofrer com a ausência de uma pessoa que nunca mais estará ali de volta. Eu fico até com vergonha de falar nas conversas sobre perdas difíceis, porque o mais próximo que tenho de uma referência é a morte do meu primeiro cachorro. Eu posso contar nos dedos de uma mão só as pessoas muito horríveis que já apareceram no meu caminho (talvez zero). Eu nunca passei por nenhum trauma, não tenho nenhum transtorno psicológico, não me considero triste. Não tenho problemas com a minha aparência, nunca sofri uma desilusão amorosa. Não faço parte de nenhuma minoria que é alvo de preconceito, de forma que nunca me senti prejudicado/injustiçado por ser quem eu sou. Nunca sofri violência por conta disso. Eu muito raramente passo por essas emoções negativas fortes de sentir muita raiva, chorar escondido, entrar em pânico. Os meus dramas são facilmente transformados em piadas por mim mesmo, porque de fato dá para rir de tudo. Parece OSTENTAR felicidade, mas são apenas fatos. Às vezes, eu me sinto até culpado de estar feliz com a minha vida quando outros penam tanto. Então, Maggie, eu te entendo demais.

 (Aparentemente, poucos podem dizer isso)

Veja bem, eu não estou reclamando, pois não sou idiota. Deus, se você estiver lendo esse post, favor não entender que quero ter um câncer. É só que é desconfortável falar em qualquer lugar com qualquer pessoa, porque todo mundo JÁ SOFREU TANTO. Na internet em geral, eu mal consigo me identificar. É tanta evidência de depressão, de família bosta, de racismo, machismo, homofobia, desemprego, gente tomando altas bandas da vida. É até complicado chegar numa pessoa dessa e dizer PENSE POSITIVO! PARE DE RECLAMAR! Não fale de crise, trabalhe! Por que o que eu sei da vida, né? Mas também Deus me livre ser inconveniente assim. O problema é que nem de consolo eu sirvo. Eu não entendo aquela dor. Nem a pontezinha da vulnerabilidade e da empatia que surge com o "Já estive no seu lugar, sei como é" eu consigo erguer.

E eu até tenho alguns problemas, sabe? Rola umas crises doidonas de vez em quando. Mas... como você que é magro reclama de estar engordando para pessoas que estão há séculos com dificuldade para emagrecer? Como você reclama do seu salário pra gente que nem emprego tem? Como você vai chorar que perdeu seu cachorro pra alguém que acabou de perder os pais num acidente de carro? Como reclamar de um dia chatinho pra alguém que odeia a própria vida? Eu prefiro nem falar, né, porque tudo soa como classe média sofre, male tears, reclamar de barriga cheia etc, então apenas... fico quietinho.

Diz a Meredith que o bom é justamente você se abrir, porque essas pessoas vão poder te dizer que dá para sobreviver, que existe luz no fim do nosso túnel, já que eles passaram por coisa pior. Eu nem sei dizer se ela está realmente certa, mas gostaria que estivesse. Não estamos competindo pra ver quem sofre mais. Eu fico perplexo quando vejo gente fazendo chacota dos problemas alheios, sem demonstrar nenhuma empatia, ou ainda passa por cima da pessoa. "Ah, você tomou um tiro? Grande coisa. E eu que já tomei TRÊS TIROS?". E olha que até eu caio nisso às vezes. Acho que a gente tinha que repensar isso aí.

Até porque eu adoro uma ceninha assim.


Posted on segunda-feira, maio 16, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 12, 2016

Vocês lembram que eu indiquei o Day Zero Project como uma ótima fonte de inspiração para preencher vossas listas? Então. A Helena foi lá dar uma olhada e encontrou o ranking com os 101 itens que mais aparecem nas listas das pessoas. No momento em que acesso esse ranking, está lá em quinto lugar: "Responder As Cinquenta Questões Que Libertarão A Sua Mente". Meio dramático, mas está lá. Eu lembro que, quando topei com isso a primeira vez, fiquei curioso para saber que cinquenta perguntas eram essas. Dei uma googlada, vi que era um questionário até bem famoso, li algumas das perguntas e deixei de lado.

É até legal, mas dá para perceber que as perguntas foram lindamente projetadas para te entregar a seguinte mensagem motivacional: SUA VIDA É UMA BOSTA, melhore. Bem capaz de nem ser mentira, visto que as pessoas costumam viver mais a vida que os outros querem que elas vivam do que a que elas realmente querem, mas eu ando numa fase tão boa que as perguntas não estavam surtindo o efeito e eu cansei na sétima questão, risos.

 Essa preguiça representa meu estado de espírito em 90% do tempo
"Apenas de boas"

Mas, voltando à Helena, ela foi até o fim e respondeu as 50 questões (inclusive, ela que traduziu) (muito vitoriosa, gente) e eu finalmente li o questionário todo. A minha opinião sobre ele não mudou, continuou não causando muitos baques em mim. Tipo:

Se a vida é tão curta, por que fazemos tanta coisa que não gostamos e não fazemos tanta coisa das quais gostamos? Fale por você, meu amigo. Eu ando me divertindo PRA CARAMBA, ainda mais depois de ter criado A Lista. Juro pra vocês que estou tentando pensar em uma coisa que eu realmente não gosto e sou obrigado a fazer, mas nada me vem à mente.

Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todos eles começam a criticar uma amiga íntima sua, sem saber que ela é sua amiga. A crítica é de mau gosto e injustificada. O que você faz? Eu defendo até meus reality shows favoritos, não vou defender gente?

Você tem sido o tipo de amigo que você desejaria ter como amigo? Sim. Inclusive, me orgulho disso.

¯\_(ツ)_/¯

Não que minha vida seja perfeita e eu seja um ser iluminado, mas essas perguntas não são muito fortes para me derrubar, eu acho. Talvez se as tivesse conhecido uns 5 anos atrás...

Eu gostei particularmente dessa: Quando foi a ultima vez que você andou na escuridão apenas com o brilho fraco de uma ideia que você acreditava firmemente? Aqui. Porque eu total sou esse tipo de pessoa que, quando acredita numa coisa, não consegue viver como se não acreditasse.

Pra não dizer que nenhuma das perguntas me balançou, eu ficaria bem desgraçado da cabeça se alguém me propusesse esta pra valer: Você aceitaria reduzir sua expectativa de vida em 10 anos para se tornar extremamente atraente ou famoso?

Eu gargalhei com a resposta da Helena. A fama não é algo que me atraia, e quem por Deus faria isso??? Porque eu faria, Helena. De cara, eu pensei que COM CERTEZA toparia. Quando se é famoso, sempre há uma multidão olhando para você e qualquer coisa legal que você faça, qualquer projeto especial, terá público. Eu não queria ser famoso por ter escrito 1 livro ou por 1 música, por meu trabalho, nada disso. Eu gostaria de ser famoso só por ser eu mesmo. Ter, tipo, milhões de pessoas que gostassem de mim, do que eu falo, das coisas que eu faço. Eu total daria 10 anos meus para ter isso.

Mas depois eu fiquei pensando: Imagina se eu já ia mesmo viver realmente pouco e daí morro AMANHÃ? Essa possibilidade ia me matar por dentro até eu desistir de escolher e deixar para outra pessoa mais esperta e menos medrosa. Fuén.

***

Fica aí o mistério se as Cinquenta Questões Que Libertarão A Sua Mente realmente libertam a sua mente. Eu perguntei pra Helena como ela ficou e, aparentemente, continua a mesma. Mas vocês acreditam em signos e em sarcasmo, eu acredito em Adão, Eva e final feliz em Grey's Anatomy, então talvez um de nós fique muito curioso e tente chegar até o fim. Tem em inglês aqui e traduzido pela Helena aqui. Façam bom proveito :)

Posted on quinta-feira, maio 12, 2016 by Felipe Fagundes

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