segunda-feira, abril 16, 2018

Lógico que eu ia entrar numa crise de identidade depois de ter beijado na boca.


Uma coisa que é muito difícil pra mim, como introvertido e planejador, é "curtir o momento" e "ver no que vai dar". Eu quero entender tudo, quero rotular tudo, quero planejar os detalhes e, mesmo que o planejamento vá por água abaixo por causa de imprevistos, eu me sinto bem só de ter tentado prever as coisas. Gosto de saber onde estou pisando e isso de vez em quando me põe na categoria dos doidos. Frequentemente amigos viram pra mim e dizem RELAXA, PELO AMOR DE DEUS.

Mas aí eu passei os primeiros vinte anos da minha vida sem sentir nada por ninguém e do nada beijei na boca. Não apenas beijei, eu gostei de ter beijado. E de abraçar e ser abraçado, de ficar juntinho, de segurar na mão, de ter a liberdade de tocar num outro corpo que não o meu. Eu gostei e quis mais, e até o momento não parei de querer. Parece que ter me colocado nessa situação ativou várias células adormecidas do meu organismo e agora eu tenho superpoderes sensoriais. O efeito colateral é que estou viciado em sentir.

Vocês estão transando bastante? Pois eu não estou. Eu mal sei se quero, mas só de eu cogitar que talvez eu queira, só dessa possibilidade existir, já é algo que faz eu pôr minha assexualidade em cheque.

Meu eu interior parte pra agressão se alguém ousar me questionar dessa forma, mas eu posso. Será que me confundi e não sou assexual? Existem gays tão tardios assim? Por que eu demorei tanto? Será que dentro de mim eu sempre soube que queria fazer sexo com alguém, mas não notei? Eu quero fazer sexo com alguém? Só o fato de eu não ter certeza sobre sexo já não me torna assexual?

***

Vocês entendem de sexo? Vocês sabem o que é? É onde eu esbarro quando tento me entender. A definição mais básica de assexual é "pessoa que sente baixa ou nenhuma atração sexual". Beleza. Mas o que é atração sexual? "Vontade de fazer sexo". Então eu preciso saber o que é sexo, para saber se tenho vontade.

Acho que, desde que o li pela primeira vez, eu volto a cada 6 meses no texto do Alex Castro sobre a definição de sexo.

"Como definir uma trepada? Se chupei, beijei seus pés e lambi seus mamilos, mas não penetrei, é sexo? Se lambi entre seus dedos dos pés enquanto ela se masturbava, mas nunca nos beijamos, é uma ficada? Se houve penetração, mas foi dela em mim, seja com um consolo ou fazendo fio-terra, é sexo? Um boquete, pura e simples, é uma ficada, uma transada, ou nenhuma das opções acima? Passei a noite inteira dedando a moça por debaixo da mesa: uma ficada, ou nem isso? Os dois se masturbarem juntos é sexo? Um masturbar o outro, com dedo, língua ou consolo, é sexo?"

Eu amo esse parágrafo de todo o meu coração, pois é justamente disso que estou falando. Não teve piroco entrando em ninguém e, mesmo assim, parecem ter sido noites maravilhosas de tão prazerosas. A questão do tato anda mexendo muito comigo. Vocês não sabem o quanto eu amei ganhar um beijo no pescoço ou eu mesmo dar o tal beijo, ou ainda sentir com o próprio corpo os pelos do @... É tão BOM notar que a outra pessoa está sentindo tanto prazer quanto você... Será que isso é atração sexual? ALGUÉM ME AJUDA.

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Quando falam de virgindade, perder a virgindade, fica claro que estão falando de penetração. Acho que nunca ouvi alguém dizer que deixou de ser virgem com sexo oral. Tem gente que faz oral, anal, ouvidal, narigal e jura de pé junto que ainda é virgem só porque não foi visitada por pirocos na via mais comum. Nem sei dizer se a pessoa está certa ou sendo muito ridícula.

Uma conhecida minha, evangélica, supostamente tinha perdido a virgindade com o primeiro namorado. Depois terminaram e tal, e ela ficou noiva de outro cara. Ele não ligou para o fato de que ela não era mais virgem (evangélicos geralmente ligam). Beleza. Ela foi ao médico fazer um exame sei lá de quê e por acaso descobriu que o hímen dela AINDA ESTAVA LÁ. Foi motivo de comemoração NA FAMÍLIA. O marido ficou todo bobo e feliz. Aparentemente, estava realizando o sonho cristão de casar com uma mulher virgem. Juro pra vocês.

É só o hímen que conta? Dá para perder a virgindade com um consolo? E qual é o equivalente para pessoas com pênis? Lésbicas e gays passivos são virgens para sempre? Fica aí o suspense.

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A definição que mais serviu pra mim foi a que eu mesmo inventei. Risos. Sexo tem a ver com mexer nas partes. Pra ter sexo, tem que ter pelo menos uma vagina, um pênis ou um ânus em cena. Não importa muito o como, mas tem que ter, desde que uma pessoa toque a outra. Duas ou mais pessoas interagindo da cintura pra baixo ou fazendo a malandra brincando com o bumbum? Pra mim, estão fazendo sexo.

Alex Castro diz que definir é castrar. Eu acho libertador.

Todo mundo fica meio confuso quando assexuais admitem sentirem prazer com orgasmos, mas convenhamos que existem formas de chegar nesse ápice sem precisar de uma outra pessoa interagindo com os seus genitais. Atração sexual, aparentemente, é isso: vontade de interagir com os órgãos sexuais de outra pessoa ou que alguém, nem precisa ser uma pessoa específica, venha interagir com os seus. Talvez você só ache a pessoa muito bonita ou muito legal ou até gostaria de dar uns beijos, gostaria de abraçar... Mas, se não há vontade de brincar dentro das calças, não é atração sexual. Posso estar equivocado, mas me atende.

Sabe quando você acorda com AQUELA vontade? Eu não sei.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 16, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 09, 2018

Demorei, mas voltei com a parte 2! Pra quem perdeu a parte 1, onde encarei animais hostis e deixei um livro erótico acidentalmente cair nas mãos de uma tia crente, só ler aqui. Lembrando que não trabalhamos com cronologia nesse diário, já que não sei mais o que aconteceu que dia, mas vamos que vamos.



17) A gente já tinha ido em duas praias e, no terceiro dia, eu já tava POR FAVOR, NÃO ME OBRIGUEM. Bells, principalmente, que leva esse negócio de ser filha de Poseidon muito a sério, não pode ver uma água que já fica ME SEGURA SENÃO VOU ENTRAR. Eu tava maravilhoso à toa em casa.

Parece uma foto de tédio, mas esse é meu Nirvana

18) Aí sei lá como surgiu um passeio pra Casimiro, que é uma cidade jeitosinha lá perto de Rio das Ostras e, aparentemente, onde viveu o poeta (o Casimiro de Abreu). Eu adoro andar e foi ótimo pra isso. A gente só bateu perna, tirou umas fotinhas despretensiosas e umas fotos muito doidas que até agora seguem sem explicação.



Como diz a Bells, todo domingo um Felipe caído no chão
(Eu realmente tenho todo um histórico de fotos desse naipe)


ABDUÇÃO? FAZENDO A JEAN GREY?


19) A convivência na casa com os parentes da Bells foi um capítulo à parte. Foram tantos momentos que eu nem sei se consigo listar e também tenho medo de acabar ofendendo as pessoas. RISOS. Mas vou me expor um pouquinho.

20) Cara, a criança hiperativa. Muito fofo de longe o menino. Até que de perto também, mas, gente, NÃO PARAVA DE FALAR. Queria brincar de pique, fazia mil perguntas, corria, pulava, chamava pra brincar de pique, arrumava jogos, queria comer o tempo todo, queria saber por que ninguém tava brincando de pique, aaaahhhhhhh. Teve uma hora que até eu cedi e ficamos todos na cama jogando Cara a Cara com ele. Não foi ruim. Teve até um momento de EMOÇÃO em que o menino tava sentado na cama alta e, de repente, ESCORREGOU DE COSTAS PARA O CHÃO. Eu literalmente movi 1 dedo pra tentar amparar uma criança que se bobear pesa mais do que eu, e ele não se machucou. Foi só um susto. Muitos dirão que não, mas tenho pra mim que foi meu 1 dedo que salvou o dia. Ficou doendo o resto da viagem toda.

Eu SALVANDO A VIDA da criança

21) Não me orgulho do que fiz naquela noite, mas precisei tomar uma medida drástica. Eu tava lá dormindo na sala, né. As meninas lá no quarto com ar-condicionado, a tia Florzinha, dona da casa, no quarto privado dela com ventilador... Eu não tinha nada, só os mosquitos e o gato encapetado me fazendo companhia. TUDO BEM. Sério, eu tinha superado isso. Dava pra dormir. Mas aí tinha Florzinha começou a roncar alto lá do quarto privado dela. A porta dela estava aberta. Ela tinha pedido expressamente pra não fecharem a porta dela por causa do calor. MAS AQUELE RONCO, GENTE.

MOSQUITO.
GATO.
CALOR.
RONCO.

COMO EU IA DORMIR?

Todo mundo sabe que dormir bem é minha verdadeira religião, então deixar um ronco alheio atrapalhar minha noite era praticamente um pecado contra os deuses do sono. Sorrateiramente no meio da noite, fui lá e fechei a porta. Silêncio. Paz. Dormi muito bem, obrigado.

No dia seguinte, Tia Florzinha tava meio puta de manhã falando "Poxa, gente, quem fechou minha porta??? Não fecha não, por favor! É muito quente lá dentro". Fiquei com pena porque ela é um amor de pessoa, mas não me entreguei Hahahah Não fechei a porta dela nas outras noites, mas ela também não roncou, então ficamos quites.

22) Praia do Cemitério! Pra uma praia com esse nome, até que tinha muita gente viva lá. Foi um custo convencer Tia Florzinha a ir à praia com a gente, porque ela quase nunca sai de casa. Pra essa praia, ainda andamos uma boa meia hora e nem sei como ela teve forças pra largar o habitat natural dela. Mas foi. PORÉM, assim que chegamos lá naquela praia LOTADA, Tia Florzinha só falou "Meu Deus" e foi embora.

Tipo, ela literalmente VIU a praia, falou "Meu Deus" ou algo assim, VIROU AS COSTAS e foi embora.

DEPOIS DE MEIA HORA ANDANDO.

ELA NEM FALOU TCHAU PRA GENTE.

Todo mundo ficou: ????????

Confesso que não julguei. Na verdade, eu, Taiany e Bells rimos muito e até admiramos a atitude. Cunhamos a expressão "Fazer a Tia Florzinha", esse grande ícone introvertido, que é quando você chega num lugar que não quer estar e, ao invés de ficar lá sofrendo sei lá por que, você simplesmente vira as costas e vai embora, não importando o que passou para chegar até lá. Admiro demais.

Aquela praia foi um cocô mole mesmo, olha minha cara

23) Sei que o grande tchan de ir para Rio das Ostras são as praias, mas acho que o apelo principal de qualquer viagem pra mim é a convivência com os amigos. Tipo, de dividir quarto, ficar na mesma casa, essas coisas simples, mas que a gente não faz todo dia com as nossas amizades. A Bells vendo a novela turca dela, por exemplo. Eu NEM SABIA que existia uma novela turca no ar na tv aberta brasileira. Entendi alguma coisa? Não entendi, mas tão bonitinho a Bells vendo. Novela turca tem mais dramalhão que novela mexicana, cada cena parece estar acontecendo um GRANDE momento. Outra coisa que ADOREI foi poder assistir BBB ao lado da Taiany. A gente comenta essa temporada por whatsapp desde que começou, mas assistir um do lado do outro foi TÃO HINO. Nossas piadas, os comentários, poder ouvir a risada um do outro, mandar as tias calarem a boca, foi muito especial pra mim.

24) Praia da Joana! Cara, deu um AUÊ pra chegar nessa praia. Ninguém sabia como chegar. A gente sabia que existia no mapa e que era perto, mas cada pessoa que surgia na casa dizia que a praia era para um lado. As tias começaram a brigar entre si tentando ensinar pra gente. Chegou uma hora que Bells ficou doida e berrou CHEGA! PRONTO, NINGUÉM VAI MAIS. Se trancou no banheiro. Ficou maior climão. Eu e Taiany pianinhos, né, aquela situação tipo quando os pais do seu amigo brigavam com ele na sua frente quando você tava na casa dele. Mas por dentro eu tava AH, MAS VAMOS SIM, SÓ DE RAIVA, EU HEIN, eu nem gosto de praia, MAS VOU NESSA SIM, NEM QUE SEJA MOVIDO PELO ÓDIO. Sei lá como a situação se resolveu, mas FOMOS. E, gente, melhor praia. Foi literalmente a praia mais bonitinha, mais legal, altas fotos. Achei um sucesso.



25) Rio das Ostras é um lugar excelente para imagens doidas.

Tipo essa loja da Apple. Não, pera.

Ou os funcionários dessa farmácia que sinto que conheço todos de ALGUM LUGAR

Ou ainda esse caixão que me representa sendo vendido numa loja de lembrancinhas

26) Nossa, essa viagem foi muito especial pra mim. É surreal que ela tenha sequer acontecido. Vocês viram COMO e QUANDO minha amizade com Bells e Taiany realmente começou, mal tem 1 ano, uma coisa por causa de blog e Twitter, que só aconteceu por conta de um convite corajoso. Que eu aceitei. E agora a gente se fala todo dia e VIAJAMOS JUNTOS. E foi tão bom! E queremos mais! Gosto assim <3

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Foi bom pra você? Pra mim foi. Voltem sempre :)



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 09, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 05, 2018

Não que seja uma das minhas prioridades enquanto Blogueiro, mas ando sem conseguir manter alguma linearidade entre os assuntos dos textos do Não Sei Lidar. Acho que todos concordam que a editoria desse blog é DOIDA. Tanto que eu estava adiando fazer esse texto, meio que esperando o melhor momento, pra quando tudo estivesse mais organizado na minha cabeça, mas aí eu chorei no metrô e acho que esse é um bom gancho pra qualquer texto.

Ainda mais que eu nunca choro.



Eu tentei fazer parte de uma igreja. Tentei mesmo, tentei HARD. Me sentia armado e preparado, estava com muita boa vontade em junho de 2016 e meu relacionamento com Jesus nunca tinha sido melhor. Achei que realmente fosse dar certo, mas não deu. Me cansei um pouco menos de um ano depois. Meu deus, gente, é muita TRETA. Vi meus amigos irem desanimando um por um, vi algumas coisas saindo do controle, vi que a água que eu tinha era mole demais para cabeças de pedras muito duras. Acho até engraçado que as pessoas associem meu estilo de vida e o fato da minha sexualidade não ser um exemplo de padrão cristão com minha falta de entendimento com igrejas. Porque todo mundo fica "Mas é tão simples! É só IR! Eu vou lá todo domingo, oro, falo com os irmãos, escuto a pregação, canto. O que tem difícil?". Não é suficiente pra mim. Não é a vida cristã que eu quero pra mim. Honestamente, acho que não é a vida que Deus quer pra ninguém, mas sei que cada um faz do jeito que quer e sabe, então me contento em decidir pelo menos a minha vida. Não é possível que Jesus passou um livro inteiro falando palavras incríveis pra isso. 

Chegou uma hora que eu já não via mais tantos motivos para lutar, não tinha mais certeza de nada e até meu relacionamento com Deus ficou meio abalado pelo desânimo. Em algum momento que nem percebi, eu desisti. Em outro momento, parei de frequentar de vez.

Ainda falo com Jesus ocasionalmente, mas nunca mais parei para orar com pompa e circunstância. Não leio a Bíblia. Trouxe duas para a casa nova, porém, ainda não as abri. Não me meto mais em debates cristãos. Só gosto de falar de Jesus e religião com quem não é cristão. Evito com afinco o assunto igreja. Já proibi praticamente todos os meus amigos crentes de tocarem nesse assunto comigo. Pra quem pergunta se eu me desviei, eu digo que estou dando um tempo. Brinco que estou de férias. Pra quem me pede para fazer uma visita na igreja X, eu respondo que Deus me livre "Humn... Não gosto muito de igrejas, não é nada pessoal". Faço de tudo para não pisar numa igreja novamente, porque surgem um milhão de más lembranças, a sensação de falha, de impotência, de perda de tempo. Eu me sinto praticamente pecando se passo duas horas dentro de um templo.

Eu nem ia falar nada disso.

Estava no metrô e chorei porque vi uma matéria sobre esse filme novo do Edir Macedo e todo esse cheiro de LAVAGEM DE DINHEIRO que está levantando aí. O filme tem a maior bilheteria do Brasil ou sei lá, mas, se você paga pra ver, encontra o cinema praticamente vazio. Acho que nem quero me aprofundar e investigar essa treta, mas... mas... CARAMBA, IGREJA, VOCÊ TINHA UM - UM - TRABALHO. E NÃO ERA FAZER FILME SUSPEITO SEI LÁ PRA QUÊ.

Chorei porque Jesus não merece. Sei que na internet é facinho xingar cristão, e na maioria das vezes eu nem tiro a razão das pessoas, mas isso me machuca ao pensar que Jesus fez todo um esforço pra abraçar o mundo inteiro com o amor dele e, por causa de pessoas, a mensagem dele não chegue onde deveria chegar. Ou haja resistência pesada. Ou as pessoas que mais precisam recusam. Tipo, ele realmente não merece. Mal estamos nos falando, mas eu gosto tanto desse homem, gente. Queria que desse pra separar a imagem dele da imagem que a igreja assumiu nos dias de hoje. Queria que a igreja limpasse sua barra ou então que afundasse de vez e surgisse um novo modelo de igreja ou sei lá. Não sei se tenho mais fé nisso, mas antes eu tinha. Sei que quero fazer parte de alguma coisa, mas de uma coisa boa. Viva, saudável, alinhada, inteligente. Amorosa. Mas também sei que não adianta nada eu criticar sem mover uma palha pra fazer minha parte. Por isso não ando tocando no assunto.

Já contei que estou de férias?



OUTROS TEXTOS


Posted on quinta-feira, abril 05, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, março 26, 2018

Quem leu leu, que não leu não lê mais, pois acabo de guardar nos rascunhos aquele post pré primeiro date da minha vida. Ele é só meu agora.

Gente, esse negócio de sentimentos. Que coisa, né.


Ai, transbordei mesmo. Esse lance de eu me interessar por uma pessoa já interessada em mim ainda é tão novo que acho que me apaixonei pela situação. Sabe, idealizei bastante, me apropriei de tudo que aprendi na TV e nos livros, me enchi de, sei lá, efusividade e pari aquele texto.

Voltei pra ler aquilo que escrevi e achei assustador. Acho que se o @ cai naquele texto, foge pra bem longe. Eu menti naquele texto? Não menti. Mas dois encontros depois, muitas conversas honestas, propostas indecentes que eu adorei e uma DR, acho que já estou mais tranquilo e posso entender melhor meus sentimentos.

É uma morte tão horrível e maravilhosa que eu nem sei que conselho daria pra quem por acaso estivesse pensando "Humn... Será que esse negócio de sentimentos românticos vale a pena?". Não sei mesmo.

***

Ele pegou minha mão no cinema.

A gente estava dividindo uma pipoca e por uns vinte minutos de filme eu tinha até esquecido que estava num date e acho que, se não fosse aquela mão procurando pela minha de repente, acho que era capaz de continuar tudo na mesma até o final. Deus abençoe aquela mão desesperada. Eu agarrei com vontade, foi meio estranho, os dedos não estavam bem posicionados e eu tive vergonha de não saber nem segurar uma mão. Teve um momento que eu falei "Meu Deus, pera" e devagarzinho ajeitei os dedos. Primeiro um dedo dele, depois um meu, um dele, um meu. Organizando direitinho, deu espaço pra todo mundo.

Talvez vocês que já estão acostumados a pegar nas mãos das pessoas achem isso meio idiota, mas, nossa, eu adorei. Duas mãos. Juntas. Dedos acariciando minha pele, eu copiando movimentos, como sempre.

Não lembro bem como a coisa evoluiu, mas em nenhum momento reclamei por ela ter evoluído, ainda mais que tive várias primeiras vezes. Primeira vez que acaricio o braço de alguém. Primeira vez que colocam o braço em volta de mim no cinema. Primeira vez que deitei romanticamente num ombro. Primeira vez que alguém segura meu queixo.

- Isso foi um selinho?
- Foi.

Primeira vez que dou um selinho.

***

Saí daquele cinema achando que podia TUDO. Só fui descobrir um pouco depois, para minha tristeza, que não podia muito não. Demonstração de afeto em público se você e sua pessoa são do mesmo gênero ainda é uma questão em 2018. Eu não tinha ideia. Admito que achei meio bobagem no começo, porque, pelo amor de Deus, a gente só queria se abraçar! Mas notei que o @ ficou tenso em alguns momentos, olhava pra todo lado, esperava as pessoas passarem para me tocar... A gente literalmente teve que caçar lugar pra continuar o que o fim do filme parou. Até eu fiquei com medo depois de surgir um maluco e quebrar uma lâmpada nas minhas costas. Onde estou me metendo, gente?

***

Não sei se existe um deus ou santo LGBT, mas, se existe, aquele parque é abençoado por ele, porque eu pesquisei muito onde rapazes que beijam rapazes podiam ser felizes em paz e várias fontes me indicaram o parque. Não estavam enganados.

Antes eu estava só procurando um lugar mais reservado no meio daquelas trilhas e ruínas, mas acabamos entrando numa torre e, CARAMBA, aquela torre. Era coisa de filme. O parque todo parece coisa de um filme que eu escrevi pra eu mesmo protagonizar. Existe essa torre no meio do nada, de um cômodo só, bem rústica. Mas em cada pedacinho de parede há mensagens de amor escritas por visitantes. Letras diferentes, cores diferentes, romances diferentes. Eu fiquei doido querendo ler tudo. Poemas, letras de músicas, frases cafonas, mas que ali dentro pareciam lindas, pedidos de volta-pra-mim... Algumas eram meio diretas tipo "ADORO PICA ME ADD NO ZAP", mas tudo bem, eu ri. Tinha até um Fora Temer, talvez uma mensagem de amor pelo Brasil. O @ pegou na minha mão de novo e me tirou da realidade, porque eu fiquei que nem um panaca olhando paras as paredes e para o teto, quando tinha o @ o tempo todo ali, que era muito mais interessante.

Meu primeiro beijo de verdade foi numa torre cheia de mensagens de amor. VOCÊS TÊM NOÇÃO?

O segundo foi também, o terceiro, o quarto. De vez em quando surgia uma pessoa aleatória, e a gente ficava NOSSA, OLHA ESSA PAREDE, daí a pessoa ia embora e continuávamos no quinto, no sexto e no sétimo beijo.

Alguns acontecimentos dessa torre eu quero só pra mim.

***

A parte ruim é o depois. A incerteza. Eu sempre bati no peito pra dizer que o ÚNICO jeito possível de eu me envolver com alguém seria através de uma amizade, porque não tem como criar nada com gente desconhecida e que não me conhece. Errei feio. Mas com uma pessoa que faz parte da minha realidade seria muito mais fácil. Um amigo que mora na minha rua, alguém que trabalha comigo, alguém que vejo com frequência e sei que amanhã estará lá pra mim querendo ou não. Não foi nada como planejei. Já entrei numas paranoias de achar que acabou tudo, de que não vai pra frente, de que somos muito diferentes... Às vezes eu acho que ele não quer mais nada. Em outras, parece que EU é que perdi o pique e enjoei. É chato porque não dá pra fazer muitos planos, e eu AMO planos, mas é o que tem.

Quando a gente conversa, tudo volta ao lugar. Mas depois sai. E se ajeita de novo. É um inferno bem gostosinho.

***

Não sei mesmo para onde a coisa toda vai. Vocês que já estão calejados dessa vida de romance e encontros devem saber melhor do que eu. Estou gostando, mas, caramba, tão difícil às vezes. O conselho que mais de uma pessoa me deu foi o de curtir o momento. Ainda é tempo de pensar só no agora. Um dia de cada vez. Curta os encontros. Viva o que tiver para viver. Ninguém vai morrer se acabar, e existem um milhão de coisas que podem dar um fim em tudo, mas eu vou sobreviver. É assim esquisito mesmo, me disseram. Eu sei que eu quero mais e não é pouco mais não. É muito mais. Se o @ quiser, eu quero. Se ele não quiser, paciência.

Me surpreende que pessoas comecem a namorar já na adolescência. Isso é coisa que nem adulto sabe lidar direito.


UPDATE: Tirei o tal post dos rascunhos porque o @ já tinha lido tudo sem eu saber. RISOS. Bom, ele não fugiu.



OUTROS TEXTOS E LINKS


Posted on segunda-feira, março 26, 2018 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, março 14, 2018

É uma verdade universalmente conhecida que eu não sei ficar inerte. Quer dizer, depende. Sou muito bom em ficar imóvel, refletindo, lendo um livro, à toa em casa, mas ficar sem nenhuma expectativa na vida, sem nenhum plano, só deixando a vida me levar, é algo que eu não sei fazer. Eu sempre tenho coisas rolando nos bastidores. Algumas grandes, algumas pequenas, outras muito ridículas e umas que dão realmente certo às vezes. Eu nunca sei antes de tentar.

Ficar sem emprego é uma morte horrível, ainda mais quando não foi ideia nossa, mas, dessa vez, eu fiz TANTOS planos que praticamente nem senti o ócio. Eu acho que até TRABALHEI MAIS. Ganhei dinheiro? Não ganhei. Mas é justamente essa parte que estou aqui contando com vocês.


Eu sempre quis participar de um clube do livro. Sei lá, acho que é o sonho de 76% dos leitores assíduos. A gente já fica todo feliz quando conhece alguém que também tem o hábito da leitura, imagina participar de um grupo de amigos que se reúne pra conversar sobre livros? Melhor ainda, que está ali para comentar o mesmo livro que você? É o nirvana literário.

Mas você já tentou montar um clube do livro? Seus amigos não curtem tanto ler assim, é difícil marcar com todo mundo, galera esquece de ler o livro, tem gente que some no meio do processo, 1 mês depois ninguém lembra mais que tinha topado participar do clube. Eu conheço 0 pessoas que já participaram de um clube do livro. Todo mundo quer, mas ninguém faz. É um mistério.

Contudo, sou teimoso.

E é por isso que hoje trago à existência O MAGNÍFICO CLUBE DO LIVRO DE FELIPE FAGUNDES NO RIO DE JANEIRO. Brincadeira, o nome não é esse, mas a ideia é tão legal quanto.


Gente, tô aqui unindo o útil ao agradável. Gosto muito de ler, quero conversar sobre livros, sou bom em bater papo, excelente em organizar coisas, quero ter uma renda extra e conhecer novas pessoas. Então, CLUBE DO LIVRO!

É um negócio mesmo: Você que mora no RJ entra com 10 reais e informa em quais leituras você tem interesse. Eu corro atrás de gente com os mesmos interesses, tento montar um grupo de 5 a 10 pessoas, posso emprestar livros e sugerir meios de consegui-los, organizo tudo, marco um dia, faço o dever de casa pra ser um bom mediador e, de 30 a 45 dias depois, a gente se encontra onde for legal pra todo mundo para comentar, debater, rir e se divertir com uma conversa sobre o livro escolhido e histórias em geral. É algo bem com a minha cara de conhecer novas pessoas e quem sabe fazer novas amizades. Você só precisa ler o livro e comparecer. O resto do trabalho é todo meu.

A minha função exatamente é fundar os clubes, organizar a primeira reunião e garantir que a galera consiga seguir em frente sem depender de mim.

Quem me acompanha mais de perto, mas beeeem de perto mesmo, sabe que já estou com esse projeto em andamento há algum tempinho, então já tenho algumas pessoas interessadas e prontas pra me apoiar nisso. Eu juro que não é cilada! Nem tô planejando sumir com seu dinheiro.

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Separei essas sugestões de livros que estão na imagem só como ponto de partida e sugestão mesmo. Assim que eu conseguir encontrar um grupo legal, seja lá de qual livro for, fecho o clube e começo os trabalhos. Você pode saber mais dos livros sugeridos clicando no link para a página deles no Skoob. São todos livros curtos, leves e divertidos.

1) Nimona (Noelle Stevenson)
2) O ano em que disse sim (Shonda Rhimes)
3) Simon vs A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli)
4) Tá todo mundo mal (Jout Jout)
6) Quinze Dias (Vitor Martins)


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Infelizmente, é só pra quem é do Rio de Janeiro mesmo (cidade e arredores), não rola não ser presencial. Então, se você mora em outro estado, mas conhece alguém aqui no RJ que ia adorar participar, pode recomendar!

Se você é curioso e/ou precisa sentir que a coisa é séria mesmo, esse clube do livro faz parte de uma iniciativa maior, um projetão que tomou conta da minha vida no último mês e já está em andamento. Tem site e tudo (www.saiadarotinarj.com.br), fique de olho na página do Facebook também! Pra quem é leitor desse blog, juro que em breve explico tudo com mais detalhes. É muita novidade!

***

Bom, é isso.

Interessados, só me procurar em qualquer lugar. Aí nos comentários do blog, pode usar o formulário de contato, pode me chamar no Twitter, na minha página no Facebook ou pelos contatos oficiais do Saia da Rotina.

(Toda minha gratidão pra quem compartilhar esse post nas redes sociais e a imagem com os amigos no whatsapp)

Posted on quarta-feira, março 14, 2018 by Felipe Fagundes

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